Perdidos

“Podemos agora fazer o que quisermos, e

a única questão é: o que queremos fazer?”

Max Frisch

Os docentes regressam à luta contra o modelo de avaliação e o ECD, após um abrandamento dos protestos. Contudo, a situação é bastante distinta daquela que mobilizou milhares de pessoas e uniu um grupo profissional tão heterogéneo e com vocação cumpridora. A violência das imposições ministeriais e o combate prolongado, conduziram à fragmentação e desregulação da vida docente.

O ME apostou no desgaste dos professores e tenta agora vencer pelo medo, de maneira a assegurar a uniformidade e o conformismo. Trata-se de uma autêntica paranóia, a maioria das pessoas interroga-se sobre como agir num ambiente onde impera a demagogia, falta a identidade e onde nos transformámos em estranhos.

Por outro lado, os sindicatos não foram capazes de gerir a revolta docente através de um “processo em crescendo” e acabaram por permitir o esmorecimento da luta, remetendo para as Escolas um combate que deveria ter sido mais articulado e intensificado. Deste modo, e mais uma vez, faltou sensibilidade e discernimento para conduzir esta luta.

Estamos, pois, à deriva, esmagados por um quotidiano burocrático e absurdo, cansados, desconfiados e desorientados. O processo de atomização acabou por ganhar terreno e cada um está entregue a um destino individual. Fragilizados e em estado de choque, sem grande capacidade de reacção. Perdemos a alma, a força anímica. Mas estamos dispostos a perder a nossa dignidade?

Sabemos que temos razão, portanto, só nos resta um caminho: o caminho decente.

Se não podes juntar-te a eles combate-os.

José Augusto Lopes Ribeiro

Escola Secundária de Sá de Miranda – Braga