Domingo, 26 de Abril, 2009


o-deserto-da-educacao-014-2009

(c) Luís Guerreiro e Paulo Guinote

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Foto do Teodoro

Vamos lá então ao essencial das questões levantadas pelo Ramiro. Escreve ele:

E eu pergunto: afinal, o que é que o Paulo Guinote quer? Ainda não consegui perceber. E é pena porque o Paulo Guinote é uma referência dos professores e é o editor do mais influente blogue sobre educação. O que ele diz é ouvido por milhares de professores. Convém, por isso, que ele seja claro sob pena de lançar a confusão e agravar a desmobilização. Por favor, Paulo, faz lá um post onde, preto no branco, apresentas as alternativas à realização da manifestação nacional em vésperas das eleições europeias. E já agora explica lá por que razão não queres que a luta dos professores ande associada ao movimento popular pela derrota do PS nas três eleições que se avizinham?

Antes de mais, não aceito que me apontem como factor de confusão ou desmobilização. O Umbigo e o ProfAvaliação, como outros, foram espaços de debate que sempre serviram para informar e esclarecer e, dessa maneira, ajudar a unir as pessoas de uma forma nova, não automática e acrítica. Não percebo por que razão é agora que devo prescindir dessa atitude. Desmobilizar é dar a entender que a luta contra a avaliação está perdida, que as negociações pela revisão do ECD não vão dar a lado nenhum, que  discutir opções é dividir e que a luta jurídica só interessa acessoriamente. Lamento dizer mas, pelo que tenho lido, se há alguém desanimado e desmobilizado não sou eu. E ontem nas Caldas disse isso mesmo: em coerência não é agora que desisto, apenas porque os outros recuam. Mas não sou obrigado a avançar quando me mandam, se acho que está errado. Para mim o essencial continua a ser a atitude que descrevi neste post.

  • Em matéria de alternativas, e em conformidade com a minha apologia da responsabilidade e coerência individual (algo recorrente em conversas com o Gui Fon, o Pedro Castro, o Fafe, a Reb, o Maurício, o Paulo ou o Rui ainda ontem – e desculpem-me quem certamente esqueci), só posso assumir que, de forma activa, não aceito colaborar com um modelo de avaliação do qual discordo. Como dizia ontem o Paulo Prudêncio, é ridículo transformar a minha autoavaliação na entrega de um papelinho mandado pelo Ministério e de outro pelos sindicatos, a dizer que discordo do primeiro. Isto não é nada. E desmobilizador é ter visto filas inteiras de colegas, sem reacção atempada dos seus representantes, caírem na casca de banana dos OI, casca essa lançada sim para causar a confusão. Muitos caíram, poderiam ter-se levantado após o simplex, mas nem assim tiveram o devido e oportuno encorajamento a tempo fora de alguns blogues. Desmobilizador é ter reuniões sindicais onde foi dito, à partida, que não entregar a autoavaliação não seria uma opção a apresentar pelos responsáveis sindicais. E esta é a verdade. Sem consulta, foi dito que essa opção não se colocava. Porquê? Porque, antes de consultarem, já sabiam que a adesão seria baixa. Mais baixa do que a de 4-5 pessoas por reunião em muitas escolas? Ou mais baixa do que a das centenas de reuniões que ainda não foram feitas? Não brinquemos, Ramiro. A união não se constrói a partir do enganmo e mistificação da realidade.
  • Porque não quero a luta dos professores associada ao «movimento popular pela derrota do PS»? Mas quem disse isso? O que eu disse e escrevi é que não alinho em estratégias inábeis, que parecem saídas da sebenta de «luta» de meados dos anos 80 que levou a duas maiorias do Cavaco Silva,  em que o genuíno movimento de luta dos docentes se torne uma peça instrumental numa estratégia mais global que – neste momento – não tem qualquer garantias de retorno para os professores. Certo, não quero novo governo PS, muito menos com maioria absoluta. Mas então estás em condições de me garantir que outra solução governativa acautelará os interesses dos professores? Seja um governo PSD (com ou sem maioria), um governo PS minoritário ou com a muleta do BE, CDS ou PCP? Já te deram essas garantias? Que essas forças partidárias, chegadas ao poder, terão capacidade para inflectir a actual política educativa? Podes-me mostrar quando é que esse compromisso foi assumido?

O que eu quero é a vitória das posições dos professores e a inflexão das políticas existentes. Claro que eu sei que isso implica um Governo em que José Sócrates não tenha a primeira e última palavra, se possível que não tenha palavra nenhuma a dizer.

Mas não quero que, como em 2005 para afastar Santana, muita gente vá a correr votar na grelha em vez da frigideira!

Entendes, Ramiro?

Onde tens – e ontem o António Ferreira da APEDE teve uma intervenção neste mesmo sentido – garantias explícitas de alguma força partidária que o ECD será revisto com a eliminação da divisão da carreira docente e do mecanismo das quotas?

Que partido assumiu com clareza essa posição? O PSD não o fez, apenas prometeu mudar o sistema de avaliação, mas nem sequer apoiou o recente pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do simplex. O CDS até foi mais longe nessa matéria.

Quanto ao Bloco e ao PCP até acredito que, liderando um Governo, o fizessem. Mas esse não é um cenário credível. Apenas chegarão ao poder como elemento menor numa coligação. E as suas principais causas são outras. As negociações para a viabilização de um Governo minoritário do PS passariam – sem falhar – pelo estatuto e carreira dos professores?

Há aqui uma ou duas questões que vou deixar em aberto, para que a Encenação dure mais um pouco e algumas almas não se inquietem ainda mais.

Vou apenas terminar com o desejo de sempre: que os professores travem a sua luta e – como outros grupos profissionais – tenham orgulho e não vergonha em defender os seus interesses. Se esses interesses passam pelo afastamento do PS do Governo ou pelo fim da sua maioria, então que cada um e todos o façam nas urnas, não gritando nas ruas aos sete ventos. Porque o meu problema é que também vi muita gente gritar contra esta avaliação, mas depois foi a correr entregar OI e prontifica-se a entregar a ficha de autoavaliação, com a benção sindical, em nome do «cumprimento da lei».

Mais do que conversa e propaganda quero ver actos. Consequentes.

Alguém acha que seria possível instaurar processos disciplinares a 50.000, 35.000 ou mesmo 25.000 docentes?

Só se como na CAP de Santo Onofre, destacassem algumas reservas sindicais para o fazerem.

Fui claro na minha resposta?

Quero coerência. Consequência. E menos assobiar para o lado ou culpar o vizinho pela incapacidade própria para assumir os próprios actos.

Porque de fala-baixinhos que só querem saber quando é que mudam de escalão já eu ando farto.

E se ficar sozinho ou com escassa companhia, certamente ficarei melhor acompanhado do que no meio de uma multidão camaleónica.

Dos Cypress Hill para quem acha que quatro anos e meio à tripa-forra ainda não chegaram.

Porque foi antes de mais um acto de amizade.

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É com prazer que convido todos, para visitarem a minha Exposição de BD em Azulejos, que tem inauguração dia 27 de Abril no Posto de Turismo e continuará até 9 de Maio de 2009.
A temática é a Ficção Cientifica, e apresenta o 1º episódio completo das “Aventuras de Jerílio no séc. 25”.
Também algumas pranchas e projectos do 2º episódio, podem ser vistos ainda só na fase de desenho.
Complementa a Exposição três pranchas de BD Humorística e três painéis da “Linha Clássica”, com a temática dos Descobrimentos Portugueses.

Saudações,

Luís Cruz Guerreiro

O Ramiro volta a dedicar-me um post, questionando-me de forma directa sobre a minha atitude perante a estratégia a desenvolver pelos professores nesta fase da «luta» (desculpem-me os parênteses, mas eles são um imperativo quando parte dos guerreiros se retira da dita quando se adivinham consequências danosas…).

  • Antes que os spglianos de serviço na blogosfera – o João Paulo Videira e o Francisco Santos, para dar o nome às coisas e não fazer alusões vagas ou trocadilhos com o nome dos respectivos blogues, algo que ambos usam com mediana frequência – surjam a dizer que eu estou a arranjar confusão com tudo e mais alguém, anote-se que darei resposta a uma interpelação e não estou a provocar ninguém. E eu gosto muito de responder a desafios, em especial quando eles são claros e assumidos como é regra com o Ramiro, com quem muitas vezes concordei, mas com quem – ao que parece – estou actualmente em desacordo estratégico.
  • Em seguida, ainda como introdução, gostaria de dizer que tenho alguma dificuldade em responder a interpelações e atitudes públicas quando tenho de fazer um jogo de cintura entre aquilo que é dito publicamente e o que é assumido em privado. Fico sem saber ao que responder. A solução é separar as águas: responder aos mails privados enquanto tal e aos posts públicos também enquanto tal. O Ramiro sabe do que falo.
  • Para além disso, gostaria de deixar claro que o que me move é unicamente fornecer informação e ajudar a esclarecer – eventualmente com a minha opinião e explicação das minhas atitudes – quem queria formar a sua própria opinião na posse do maior número de elementos para esse efeito. Ora, neste momento, existe uma tensão muito forte entre Verdade e Encenação. Por questões estratégicas tenho procurado fazer com que a Encenação desapareça no sentido da Verdade surgir aos olhos de todos, sem ter de ser eu a explicitar o que sei dela, neste caso com mais danos do que os já existentes. Ontem nas Caldas, em ambiente familiar, até avancei mais do que tenho feito no blogue a esse respeito.
  • Por fim um esclarecimento adicional e repetido: não me interessa que o Umbigo gere falsos unanimismos. Quero que ele funcione como espaço aberto de discussão e crítica. Não pretendo ser o mais popular ou – como alguns gostam de dizer – o pastor de um rebanho sem capacidade de pensamento autónomo. Defendo que a unidade é mais forte na confluência da diversidade. Por isso não se espere que eu oculte a minha opinião quando isso contrarie a minha consciência.

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