Sábado, 25 de Abril, 2009


Ontem na sede do Agrupamento de Santo Onofre.

Daqui a pouco espero estar por lá, mais especificamente aqui.

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(c) Antero Valério

Professores marcam protesto para início da campanha

Sobre esta decisão – não colocada nas reuniões de que tenho conhecimento, nem sequer nos relatos dos sindicalistas – nem sequer vou fazer comentários. Mas dou a minha mão à palmatória: por uma vez a realidade impôs-se às decisões das cúpulas. HAveria mais a comentar sobre as razões desta inversão de marcha, mas não gostaria de fragilizar ainda mais o que já de si está demasiado frágil.

No entanto deixo aqui duas anotações sobre passagens particulares, atribuídas ao colega Mário Nogueira, que acredito terem sido descontextualizadas, por ser impossível aceitá-las como provenientes de alguém consciente do que se passa nas escolas:

A proposta de acompanhar a auto-avaliação com uma declaração de protestos “tem tido uma aceitação extraordinária e mostra que o modelo de avaliação é incoerente, burocrático e não serve para avaliar professores”.

É difícil considerar extraordinária a adesão a qualquer medida apresentada em reuniões com uma baixíssima participação. Mesmo que digam que conta é a opinião de quem vai, espero que percebam que a aceitação da maioria dos presentes em debates com 5, 10 ou mesmo 20 ou 30 docentes em agrupamentos com 150-200 professores, será sempre algo muito longe do sentir da maioria efectiva dos docentes. Tal como com a política – e no Expresso de hoje vem uma esclarecedora matéria sobre a desafeição dos portugueses em, relação aos partidos (77%) – seria interessante compreender a razão desta regressão em tão poucos meses, depois de uns míticos 91% de adesão à última greve.

Não parem mesmo para pensar…

Mas há mais. Numa tirada perfeitamente desnecessária, Mário Nogueira afirma:

Sobre as críticas de alguns docentes que na semana passada acusaram os sindicatos de estar a cumprir calendário por já terem decidido avançar para um protesto, o dirigente da Fenprof reconheceu a existência de “alguns críticos” mas diz que na “na hora da verdade eles não aparecem”.

Pois, ou não aparecem ou são mandados sair das reuniões. Ou as suas propostas não são ouvidas ou consideradas. Eu desafiava Mário Nogueira a apresentar o número de reuniões em que a medida de uma manifestação em cima das eleições europeias foi a decisão tomada formalmente ou sequer proposta.

A menos que, «na hora da verdade», as provas teimem em «não aparecer».

É que, já depois de eu ter sido convidado a sair da minha reunião, sei que foi feita a exigência por parte de uma colega que, para a próxima, seja feita uma acta da reunião realizada e de todas as suas principais incidências.

Porque parece que algumas destas reuniões são como as realizadas na 5 de Outubro. Parece que quem de lá sai esteve em reuniões diferentes.

Apetecia-me escrever mais umas verdades, daquelas mesmo verdadeiras que andam a esconder do olhar público, mas é 25 de Abril, vamos deixar o sarcasmo para outro dia.

Porque hoje festeja-se uma vitória pública e não gostaria de falar em quem anda a lamber derrotas em privado.

ESTIVE COM O PADRE QUE ME BAPTIZOU. DEI-LHE CONTA DO ESTADO DE ALMA DOS PROFESSORES. E O SANTO HOMEM ACONSELHOU: IDE A FÁTIMA E REZAI. QUEM SABE SE HÁ UM MILAGRE. MAS NÃO SE FICOU POR AQUI. EM DOIS MINUTINHOS REDIGIU UMA ORAÇÃO E OFERECEU-MA, CHEIO DE FÉ.

E EU VOU PARTILHÁ-LA CONVOSCO, PEDINDO DESCULPA AOS MAIS SUSCEPTÍVEIS:

Salve Rainha

Salve Rainha, mãe de Jesus, tende misericórdia de nós, professores.

Esperança nossa, salvai-nos daqueles “filhos da mãe” que nos perseguem, há quatro anos, sem descansar.

Por vós suspiramos, gemendo e chorando neste bal(de) de lágrimas, e nos corredores das nossas escolas.

Sede, pois, advogada nossa, e livrai-nos do pesadelo do nosso estatuto, gerado pelo azedume  e vingança da Santíssima Trin…, perdão, Vaidade.

Afastai de nós esta funesta avaliação, assim como todo o mal que dela virá, para nós, para os nossos filhos e netos e para todos os portugueses que hão-de vir, pelos séculos dos séculos,

Amen

C. R.

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