Pois é, fui convidado a sair da reunião realizada na minha escola para consulta dos docentes.

À minha segunda intervenção em tom anormalmente cordato, mas obviamente inquisitivo, o delegado/dirigente sindical de serviço, talvez aborrecido pela quebra de rotina, convidou-me a sair da mesma.

Como não gosto de ficar onde sou indesejado pelo capataz de serviço, retirei-me.

A história, patética mas sintomática dos tiques e nervosismo da 2ª linha da nomenklatura, é simples, evitando – por evidente pudor e recato – reproduzir a atitude e a adjectivação intimidatória utilizada pela outra parte, assim como as picardias intermédias que foi necessário ultrapassar.

  • Após a exposição das propostas ministeriais para revisão da ECD em assuntos como a progressão na carreira, «o Zé», como é tratado nesta Escola por onde já passou felizmente em anos intercalados com os meus, declarou que a Fenprof não apresentara alternativas porque isso significaria aceitar implicitamente este ECD e os seus mecanismos.
  • É nesse momento que o questiono sobre a avaliação e, especificamente, sobre a entrega da ficha de auto-avaliação. Embaralhando-se no seu tom monocórdido responde-me que os sindicatos, e em particular a Fenprof, não vão pedir que os professores não entreguem a ficha, porque isso teria muito pouco apoio, animando-se quando indicou que seriam ZERO os que a não entregariam.
  • Volto a questioná-lo então sobre o facto de a entrega da ficha de auto-avaliação, de acordo com a lógica usada para o ECD, ser uma admissão explícita do modelo de avaliação tão contestado e por cuja suspensão se gritou até Janeiro. è nessa altura que me é respondido que essa é a minha opinião e que a dele não é essa. Fim de argumentação. Chamei-lhe a atenção para o facto de, com alguma probabilidade e a partir de conversas mantidas recentemente, o que hoje é verdade amanhã poder não o ser.
  • Após uma pausa, em que considerei a hipótese de me calar de vez e enquanto outra colega protestava pela metodologia da pseudo-consulta, e aproveitando uma deambulação sobre a entrega dos OI, aproveitei para dizer que em «coerência» quem os não entregou e discorda desta avaliação deveria não entregar a ficha de avaliação. Sempre em termos calmos. Perante isso, «o Zé» decide voltar a qualificar a minha atitude como «acusatória». Pergunto então se ele está ali para «consultar» ou apenas para falar e funcionar como divulgador de uma posição a ser aceite sem debate. É então que me é dito que se a presença dele me está a incomodar devo sair da reunião.

Sublinhando o exemplo de civismo dado e de abertura à consulta, obedeço e 30 anos depois saio de uma sala por ordem de um professor. Neste caso, meu colega.

Felizmente, «o Zé» levou a seguir – quando eu já me dirigia a algures, pelo que só soube por chamada de uma outra colega habitualmente destratada pelo «Zé» – a reprimenda merecida pela minha PCE que lhe explicou que a visita era ele e que nunca mais mandaria sair da sala um professor da escola dela.

Grande Chefe! Assim é que é!

Quanto ao balanço, consta que a posição da escola foi bem mais agressiva do que nova passeata por Lisboa. Mas como não pude ficar até ao fim, não posso garantir que a consulta tenha chegado efectivamente a algum termo.

Provavelmente nem deveria ter ido. A consulta deveria ser só para quotizados. Mas nesse caso acho que só restariam – quanto muito – 4 ou 5 dos 25 docentes presentes.

Mas é lamentável que mandem para as escolas, para consultar os professores, quem parece ter como único objectivo despejar a k7 e calar as vozes discordantes.

gargouille4