Há, mas é difícil perceber o quê ou o seu significado:

  • Desde logo está a existir uma participação bem abaixo da média nas reuniões sindicais. É o que vou sabendo, com reuniões a terem menos de uma mão de participantes e outras mais frequentadas a apresentarem níveis bem inferiores ao que era hábito nessas escolas. Há duas maneiras de se interpretar este facto indesmentível: ou há desmobilização em relação a todo este processo ou há ninguém está muito interessado em consultas, em pleno terceiro período, com as avaliações à porta (o João Paulo Videira vai fazendo um interessante diário das suas impressões, que sigo com interesse, até para ver como é que se vai justificar a opção final a extrair da dita consulta… que não está a correr como previsto).
  • Por outro lado, é notório em conversas, no clima de comentários e textos em blogues, na troca de mails, que se está a dar um fenómeno próximo daquele que se tem quando um formigueiro está à procura de um rumo depois de o ter tido e de, pelo meio, algo se ter quebrado. Neste caso a minha interpretação é que o final do segundo período foi desaproveitado. Assim como houve quem chegasse tarde a algumas facetas da «luta», desde logo a questão da gestão escolar. Entretidos com a avaliação – que alguns estão desejosos para deixar cair – e com a retórica em torno do Estatuto (a base de tudo), foram desaproveitadas oportunidades que, agora, de forma simbólica estão a ser agarradas por gente que alguns gostam de chamar «rebeldes» ou «irredutíveis gauleses», esquecendo-se que a aldeia do Astérix, apesar das proverbiais zangas entre o peixeiro e o ferreiro (agora mudaram-lhes os nomes, fiquei baralhado), nunca é tomada.
  • Na sondagem que inclui – e cujos resultados não são manipuláveis ou manipulados como insinuam aqueles que encontram nos outros os seus desejos, práticas e vícios – 50% dos 760 votantes (até este momento, manhã de 5ª feira) inclina-se para a entrega da auto-avaliação (39% sem mais conversa, 11% com a declaração sindical a dizer que são objectores de consciência certificados), enquanto 33% opta pela entrega de outro documento (13%) ou de nada (20%). Quem não faz ideia do que vai fazer soma 17%. Para mim estes números são perfeitamente coerentes com o que acho ter-se passado com os OI, ou seja, um terço dos professores (35-000 de um universo que não é de 140.000 como querem fazer crer, porque há muita gente que não será avaliada) não os entregou e uma parte significativa deles está disposto a ir até ao fim (20 a 25.000? dos 100.000 professores dos quadros que terã0 avaliação?). Para mim este número é muito satisfatório.

Estes sinais valem o que valem, mas deixam uma mensagem clara: não é bom voltar a 2004 ou 2005. Não é boa ideia desbaratar um património de unidade e credibilidade arrancados a ferros em 2007 e 2008 ao massacre ensaiado pelo Ministério.

Nos últimos dias chegaram-me ecos que a data fechada de 16 de Maio para a manifestação começa a ser questionada por diversas razões. Aliás, há mesmo sinais que 16 de Maio começa a ser inconveniente por deficiências por excessiva antecipação de tal data. Problemas de agenda… diria eu.

O que significa que, subitamente e contra o gosto dos actores institucionais (sim, porque o ME adora ter tempo para antecipar as jogas adversárias e saber de antemão o que vai acontecer…), há muita coisa que pode recomeçar a estar em aberto.

Resta saber…