O Francisco Santos elaborou um longo texto – estranho em quem acusa outros de teclarem até às tantas da noite – para justificar porque vai entregar a sua ficha de auto-avaliação nos moldes exigidos pelo ME.

A argumentação é palavrosa, não esconde os remoques para comigo, faz por disfarçá-los em trocadilhos simples, mas reduz-se ao facto de ele querer ter classificação pelo seu desempenho e não recusar o «princípio da avaliação». No meu caso, não escondo a quem me dirijo. Questões de frontalidade e mau feitio.

Mais interessante, para um contestatário que afirma «estar em todas» e que critica o facto de termos pedido pareceres ao dr. Garcia Pereira, depois mostra-se um responsável cumpridor das leis do ME, contra as quais andou a gritar de punho erguido por manifestações, cordões e outras acções.

Afirma Francisco Santos (gosto de citar directamente e não de aludir de forma vaga, distorcendo argumentos alheios):

* Não tendo entregue (nem pretendendo entregar) nenhum documento com os OI’s, mas exigindo o meu direito a ver avaliado o trabalh0 que desenvolvi ao longo destes dois anos, só entregando a minha auto-avaliação posso fazer valer esse meu direito;
* Não entregar a ficha de auto-avaliação é, não só não cumprir a lei, como também afirmar que não se quer ser avaliado;
* Só quem entregar a ficha de auto-avaliação pode obrigar o PCE a atribuir uma classificação pelo serviço desempenhado;
* Só entregando a ficha de auto-avaliação, e dando cumprimento à lei, se pode contestar uma decisão de não avaliação e não progressão na carreira, que venha a ser determinada pela administração;
* Só tendo na mão o recibo de entrega da ficha de auto-avaliação se pode desencadear um processo de recurso hierárquico, e posterior procedimento de contestação jurídica da não avaliação e não progressão na carreira.

Tudo isto é caricato e desmontável de modo tão simples que até confrange. Mas a parte mais estranha da argumentação é aquela em que se diz que só com o recibo da entrega obediente da auto-avaliação, cumprindo a lei, é que se pode «desencadear um processo de recurso hierárquico, e posterior procedimento de contestação jurídica da não avaliação e não progressão na carreira».

Mas então se o Francisco cumpriu a lei, de forma obediente e cordata – nem sequer admitindo que a lei esteja ferida de inconstitucionalidades – como vai contestar a «não-avaliação» e «não-progressão»?

Mas então se o Francisco achava que o modelo era mau, que devia ser suspenso, que não conduzia a nenhuma avaliação justa, submete-se a ela para não se ver penalizado?

Belos lutadores estes que, perante um perigo real, se refugiam no cumprimento da lei que contestavam.

Pior, refugiam-se na obrigatoriedade de uma auto-avaliação inscrita no ECD que dizem ser a origem de todos os males. E aderem de forma simpática às estatísticas do ME e ao modelo de avaliação subjacente à partição da carreira.

Bela luta.

E depois querem defender isso como se fosse coerente.

Ao menos podiam ficar-se por esta admissão, bem mais transparente:

Pedir agora que não se cumpra a lei, e com isso que cada um se auto-penalize, é que é aprofundar divisões desnecessárias.

E eu é que sou tacticista. E ninguém chamou «traidor» a quem entregou os OI. Desafiaria o Francisco a procurar um texto em que o fiz. Ahhh, claro o Francisco não nomeia ninguém, para além da Reb, que é para se manter livre de um contraditório frontal.

Belos candidatos a sindicalistas estes… Belos exemplos que dão… Primeiro assegura-se a vidinha, o resto vem a seguir.

Divisões? Já as há! Desde logo quando se adjectivam aqueles de quem se discorda de forma sardónica, como se fossemos obrigados a seguir a atitude de quem levou um ano a espreitar movimentos, sindicatos e tudo o que foi reunião, para entrar, tentar encostar-se e depois sair, até encontrar refúgio aprazível, sempre com a desculpa da coerência.

Porque como eu e o ele sabemos, quem andou de porta em porta não fui eu, a Reb ou os que ele designa de forma condescendente como «rebeldes».