Caro Guinote

Na minha leitura do post «a educação do meu umbigo» constatei a vontade expressa de se debater as formas de luta para a continuação da luta dos professores, assim resolvi enviar um texto meu para podermos discutir argumentos, contribuindo assim para o debate que se deve travar nas escolas durante esta semana.

Obrigado

Já fiz parte de um sindicato, até fui companheiro do Nogueira, hoje não sou sindicalizado porque os sindicatos foram-se afastaram da classe, tornando-se uma cúpula distante da maioria dos problemas dos professores.

Na luta do ano passado e deste ano os sindicatos aproximaram-se outra vez do sentimento maioritário dos professores, mas ainda está na minha memória uma ida aos escritórios de Guimarães do SPN onde fui mal recebido. Mas voltei a sentir que deveria contribuir para esta luta para além da minha participação, por exemplo monetariamente, pelo que analiso e monitorizo a evolução da actual situação para me decidir sobre se voltarei a ser sindicalizado.

Temos estado a aguardar a evolução das negociações entre sindicatos e governo e portanto a luta deveria ter estado parada, mas é altura de se começar a pensar nas formas de luta a executar no terceiro período de 2008/2009.

Os sindicatos propõe a realização de uma manifestação, o Guinote propõe a não entrega da autoavaliação e outros propõem uma greve mais prolongada, de 3 a 5 dias.

O tipo de luta a travar-se deverá ter em conta o contexto político, ano de eleições, com o PS a perder a maioria absoluta nas sondagens, mesmo com uma oposição fraca pelo que a luta deve evitar ser muito radical de forma a não perturbar em demasia o contexto político. Além disso, do ponto de vista sindical, o afastamento dos sindicatos das escolas no segundo período levou a alguma desmobilização da luta, pelo que se deve avançar para a luta através de processos mobilizadores e o debate nas escolas é um meio de voltar a mobilizar os professores, tendo-se o cuidado de levar posições construtivas e de diálogo (aqui estou de acordo com o Guinote que se deve partir para o diálogo com mentes abertas). Depois sou adepto de se apostar na manifestação como segundo passo, capaz de continuar a mobilização. Se conseguirmos ter pelo menos 100000 professores na rua seria de voltar ao diálogo dentro da classe para se decidir uma greve, ou por altura das avaliações ou dos exames, que perturbe para manter a pressão política mas não seja demasiado radical para não virar a opinião pública a favor do governo.

Já sobre a proposta do colega Guinote, parece-me a menos interessante, porque remete a luta para o 1º período do próximo ano lectivo, o que me parece demasiado tarde do ponto de vista político e desmobilizador do ponto de vista dos professores, pois sabemos que só um terço não apresentou os OI, pelo que não devemos esperar melhor resultado passados seis meses, ainda por cima com um processo eleitoral em curso, que dará desculpas a alguns para dizerem que vão lutar com o voto …

Rui Ferreira, Escola Secundária de Felgueiras