Quando o Dias do Fim do João Paulo Videira apareceu eu prometi que acabaríamos com umas boas discussões.

Ao longo deste tempo que o blogue dele já leva isso raramente se concretizou, porque o João Paulo optou por ser o editor do blogue oficioso da Fenprof e por divulgar informação sindical e só exercer a crítica num sentido, raramente procurando abrir espaço para outro tipo de reflexão.

Quanto muito fez isso de forma reactiva, quando sentiu que as posições sindicais – dop SPGL e da Fenprof, lateralmente da Plataforma – estiveram sob crítica. O que é pena. Mas percebo as limitações que ele enfrenta quanto à possibilidade de assumir o blogue como um espaço mais pessoal.

É o que se volta a passar com este post que me é parcialmente dirigido, a par de mais um remoque contra os abusos da comunicação social. Vou reproduz-lo na íntegra para que se não diga que descontextualizo afirmações.

já aqui neste blogue, por outras vezes, fizemos algumas correcções a imprecisões ou deturpações que jornalistas menos cuidadosos fizeram dos factos.

a coisa repetiu-se, hoje, de novo. o público online fez uma notícia de teor razoavelmente correcto mas com um lamentavelmente desvirtuado título: “Mário Nogueira confirma nova manifestação para 16 de Maio e anuncia Livro Negro das Políticas Educativas”

Efectivamente, como se lê no corpo da notícia, mário nogueira não confirmou coisíssima nenhuma. o que o secretário-geral fez, e muito bem, foi anunciar que seria posta à consideração dos professores a realização de uma manifestação em maio ou de uma forma de contestação alternativa que os professores possam sugerir.

o que mais estranho é que a mesma pessoa que escreveu o corpo da notícia tenha criado para ele um título que lhe não corresponde.

este tipo de jornalismo pouco cuidadoso arrisca-se a desinformar mais do que a informar e pode gerar equívocos, interpretações e reacções precipitadas e geradoras de ruído como aquela que surgiu de imediato no umbigo da minha educação que é, “só”, o blogue mais consultado da blogosfera educativa. a reacção de paulo guinote seria justificadíssima se o título correspondesse à verdade. mas não corresponde e guinote, levado em erro, divulga massivamente uma invectiva que, desta vez (!), não merecemos e que, acredito, rectificará.

quando cheguei ao computador, em fase pós trabalho, e vi a notícia do público e o post do umbigo apercebi-me do equívoco pelo corpo da notícia. ainda assim, enviei ao mário uma sms com uma pergunta que teve uma resposta imediata. perguntei se ele se importava que as divulgasse. como não colocou objecções aqui ficam as duas:

jpvideira – 22:11h
“tu confirmaste que haveria manifestação à comunicação social?”
mário nogueira – 22:13h
“Não, mas o Público online disse que sim. Já falei com eles.”

é por estas e por outras que cada vez mais importa desenvolver nos nossos alunos o rigor e o espírito crítico.

Primeiros reparos, à laia de libertação de toxinas:

  1. Confirma-se que o JPV tem humor e que sabe fazer trocadilhos com o nome dos blogues alheios.
  2. Confirma-se que JPV é um discípulo de valter hugo mãe em relação às maiúsculas.

Agora vamos ao essencial, primeiro quanto à parte comunicacional, depois quanto à parte pessoal.

  • Formalmente JPV está incorrecto quando afirma que a jornalista que fez o corpo da notícia fez um título que não lhe corresponde. Se JPV reparar, a notícia baseia-se numa peça da Lusa, a partir de declarações feitas ao RCP, e o título é da responsabilidade do jornal. Podem ser detalhes mas o rigor e o espírito crítico exigíveis aos alunos devem começar em quem os enuncia.
  • O que Mário Nogueira afirmou existe em suporte áudio, pois foram declarações ao RCP. Não corresponde totalmente ao título da notícia de jornal, mas também não ao que JPV afirma. O que foi dito é que o que estava em cima da mesa era a manifestação no dia 16, culminando acções durante a semana anterior, ou outra forma de luta proposta pelos professores – não explicando como se apuraria essa alternativa (através da apresentação das hipóteses mais sugeridas numa segunda ronda de consultas?) – que poderia chegar à greve. Em nenhum momento se concretiza uma possibilidade de alternativa a partir da cúpula – que eu sei já ter optado pela manifestação – nem o processo que levaria à produção desa alternativa.

Agora quanto à parte pessoal:

  • Estará o João Paulo Videira em condições de dar a sua palavra de honra em como a cúpula da Fenprof não optou ainda de forma clara por uma manifestação com data marcada?
  • Estará o JPV em condições de afirmar que da consulta de 20 a 24 de Abril sairá outra conclusão para a cúpula da Fenprof que não a marcação da dita manifestação para a dita data, mesmo que apareçam outras sugestões, com o argumento que nenhuma surgiu de forma articulada, consensual e alargada?
  • Estará JPV em condições de defirnir o que entende por «invectiva», algo que atribui ao(à) jornalista do Público e a mim, enquanto reprodutor da dita? Porque a palavra é sinónima de insulto e injúria e não me parece que alguém tenha insultado ou injuriado Mário Nogueira. Aliás, ontem, perante 130 pessoas, Mário Nogueira foi elogiado pelo director daquele jornal como um sindicalista muito acima de todos os outros em Portugal e ninguém o contestou. Mesmo que a declaração de MN tenha sido parcialmente distorcida isso não é uma «invectiva», quanto muito seria uma incorrecção a assinalar e esclarecer. Ou a famosa «descontextualização» em que muitos se refugiam.

Para terminar, JPV para provar o seu ponto reproduz uma troca de sms com MN sobre o assunto. Esta parte é divertida porque eu poderia fazer coisa semelhante – caso me desse ao trabalho de registar ou guardar e usar materiais deste tipo npara efeitos instrumentais – demonstrando que no final da próxima semana está garantida a marcação de uma manifestação para dia 16.

Mas não faço.

Fico à espera.

Fico à espera de estar errado. Que os factos e não os sms de JPV me provem que não está tudo já cozinhado. E que, tendo ou não dito abertamente isso, Mário Nogueira sabe que já decidiram o que lhe é atribuído. E talvez por muita gente já o saber, e por saberem que por certas bandas ninguém gosta de inflectir o rumo mesmo perante a realidade, é que talvez tenham escrito no jornal a verdade e não a encenação.

Mário Nogueira até pode não ter dito. Mas já participou na decisão que, é esse o desejo de quem espera daqui a seis meses ter tudo de regresso ao status quo anterior a 2005 com tudo serenado e as instituições a funcionar em paz e harmonia, não deixa grande margem para a opinião das massas ser vinculativa.

E é ainda nessa escassa margem de manobra que eu me tento mover. Reclamando a liberdade para o fazer sem que me apareçam snipers a dizer que discutir é dar argumentos ao ME.

Em Novembro discutiu-se a doer e a bem doer a manifestação ou manifestações e a verdade é que foi a maior de todas.

Discutir a sério, meus caros, nunca é sinal de fraqueza ou divisão. Discutir a sério é sinal de força e vitalidade. Não discutir ou evitar o confronto público é que é sinal de fraqueza. Aprendam com o passado recente alguma coisa.

Mas espero – com toda a sinceridade – estar errado e a consulta de 20 a 24 de Abril me demonstrar que tudo está em aberto.

Nesse caso, darei a mão à palmatória. Nem que marquem a manifestação para dia 15 ou 23, só para mostrar imensa abertura à opinião dos professores.