Domingo, 19 de Abril, 2009


Royksopp, Happy Up Here

Já ouço os dentes do Fafe a ranger… 😉

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Por proposta da Ana C. aqui fica registado (pela Mariazeca) o momento em que, após o jantar, deito as primeiras contas à vida.

Dizem as más línguas que já comecei com os crimes de colarinho (e punhos) branco(s), o que acho improvável ao mexer em notas de 10 e 20€ ali ao vivo, quando sabemos que agora tudo se faz por computador que eu também vejo filmes de Hollywood e arredores.

(e continuo a achar que o tipo ficou com uma gorjeta demasiado generosa, mas para facilitar os trocos…)

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(c) Luís Cruz Guerreiro e Paulo Guinote

Era impossível MLR visitar o concelho (quase) natal dos autores e sair ilesa… desta vez com uma experiência gráfica mais inovadora mas que o artista não deseja repetir, para desgosto do guionista.

Então todos aqueles, a começar pelos sindicatos e movimentos, que se afirmam contra este modelo de ADD, não assumem com clareza a não entrega da ficha de auto-avaliação e que, por uma vez, se é para doer é para doer mesmo?

Sem paninhos quentes e sem que possam acusar-nos de estarmos a prejudicar terceiros.

Manifestações, greves rotativas, greves por período indeterminado, grave às avaliações, etc, etc, ou já foram experimentadas e tiveram efeitos moderados (manifestações), ou nulos (greves) ou podem ser um enorme falhanço em termos de opinião pública (greves que interfiram com exames ou avaliações).

Por isso mesmo, e se a guerra é mesmo para as senhoras de pelo na venta (desculpem-se, mas…) e homens de barba rija, vamos assumir com frontalidade a recusa desta ADD, dando uma segunda hipótese de ser coerentes a todos aqueles que entregaram os OI por pressão, medo ou porque não sabiam o que fazer, e encaremos com coragem a possibilidade de não progredir mais dois anos na carreira.

Quem propõe greves por tempo indeterminado (ou estão á espera por durarem um tempo determinado?) também deve ser capaz de aguentar um congelamento por mais dois anos!

Excluo desta forma de luta os colegas contratados, por razões mais do que óbvias.

Acreditam que o ME mandaria instaurar processos disciplinares aos 100.000 que isso fizessem?
E que apresentassem, em alternativa às grelhas derivadas do modelo ministerial, um documento de auto-avaliação feito tendo como referência o Projecto Educativo e o contributo para a concretização do Plano Anual de Actividades?

E se isso acontecesse, os serviços jurídicos dos sindicatos – ou os próprios visados – contestariam isso em Tribunal, impugnando qualquer sanção que não passasse pela não progressão.

(e não digam que o ME bateria palmas por poupar dinheiro, pois também o pouparia com greves por período indeterminado que sabemos ser uma estratégia sem qualquer viabilidade)

Já sei, haverá certamente muitos argumentos contra esta ideia, porque isto e aquilo.

Principalmente, haverá falta de coragem a um apelo deste tipo por parte dos sindicatos, que estão mais habituados aos automatismos das greves e manifestações, vigílias e abaixo-assinados.

Se o SE Pedreira vier dizer que «a Lei é para cumprir» , vai-se em massa para a Justiça apurar se isso é mesmo assim.

Só que, se deixarem as coisas correrem como estão, chegaremos a Junho e… acertaremos então contas.

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Para alimento do ego e informação geral, eis a pilha da bibliografia mínima do escriba, pelo menos daqueles em que fui autor ou co-autor. Ficam de lado as colaborações em obras colectivas.

Como curiosidade e aperitivo, a parte inicial do livro é inédita e faz a história do blogue, com alguns detalhes curiosos, desde logo a evocação do primeiro texto alheio devido à Ana C. Silva e dos colegas blogosféricos dos primeiros tempos.

jn13abr09

Mas o ME continua a necessitar de pagar publicidade encapotada no JN por alguma razão em especial, ou é mesmo porque está com problemas com os seus canais comunicacionais normais?

Regresso à ronda pela blogosfera e vou ao encontro de um post do Ramiro em que ele discorda da minha atitude perante a proposta/certeza de manifestação para 16 de Maio.

E para mim o interesse de tudo isto é haver discordância e discussão. Afirma o Ramiro:

Afinal, o que querem? Eu já não os consigo perceber!

(…)

Paulo Guinote, em declarações prestadas ao DN de hoje, afirma que a manifestação, a realizar-se, terá grande adesão mas duvida que traga dividendos  políticos aos professores. E porquê? Responde o editor do blog Educação do meu Umbigo: “porque está tudo empatado e o Governo traçou uma linha divisória que não ultrapassa”. Não percebo o que o Paulo Guinote quer dizer com isto. Quer ele dizer que a luta está perdida e que o melhor é baixar os braços e aceitar aquilo que Jorge Pedreira promete dar? É isso que eu descortino nas palavras do Paulo Guinote. Já ontem o Paulo criticara asperamente uma afirmação atribuída a Mário Nogueira no final da reunião com Jorge Pedreira. Mário Nogueira terá dito que era importante retirar a maioria absoluta ao Governo e o Paulo Guinote não gostou. Mas, Paulo, não é isso que andamos a pedir nos nossos blogs e nas manifestações? Não andaste a gritar, tal como eu, nas ruas de Lisboa, “PS, nunca mais”? Francamente, não consigo entender o teu tacticismo.

O comentário que por lá deixei foi o seguinte:

Ramiro,
Por acaso não gritei isso em nenhuma das manifestações, por variadas razões que já expliquei.

Para além disso, e respeitando a tua posição sobre o assunto, relembraria que não foi por se ter discutido muito a questão das manifestações de Novembro – e o teu espaço foi com o Umbigo onde isso mais se passou – que a manif deixou de ter a dimensão que teve.

Por fim, se leres bem a notícia do DN repararás que a minha posição até é a mais suave com a opção em cima da mesa.

Agora numa resposta mais abrangente, mas simples, a quem acha que quem é protagonista não pode ter dúvidas:
ESTÃO ENGANADOS!
É como a história do medo: coragem não é não ter medo! É tê-lo e ultrapassá-lo, sendo consciente para evitar ser abatido ao primeiro tiro.

Pensem nisso.

A isso acrescentaria que o tacticismo provavelmente não será o meu que não procuro agradar a todos os que querem a luta pela luta, seja ela qual for. Ou que não ando a encaixar a luta dos docentes em outras estratégias mais amplas que têm toda a sua legitimidade enquanto projectos políticos mas que não podem usar os professores como carne de canhão na linha da frente para servir de trampolim.

E acho que entendes isso. Acho que sabes perfeitamente que se o PSD for para o Governo nada nos garante que algo mude, para além do tom. Nem nada nos garante que se houver um governo PS minoritário, com uma muleta encoberta do PCP ou do Bloco (ou do próprio CDS), se consiga mais do que uma falsa acalmia nesta matéria porque – vamos deixar de nos iludir – os «trabalhadores», em geral, estarão então à frente dos interesses de uma classe profissional que muitos continuam a considerar de colarinho branco, logo com menores pergaminhos.

E perante tal cenário, mesmo que venha a admitir que não irei votar no PS, serei obrigado a relembrar que já não o fiz em 2005, quando muitos se iludiram, leram pouco, optaram por reacção ao que estava a acabar ou então não souberam prever o que aí vinha.

Porque isto é muito chato de tentar antecipar as jogadas do «outro lado» e, antes de tempo, tentar perceber por onde andará a razão. Por regra, leva-se porrada de todos os lados. Mas vou estando habituado e nem sequer iria evocar momentos do passado em que fiz isso, vindo os factos a demonstrar que tinha razão.

Por isso mesmo é que prefiro criticar políticas e políticos a gritar contra partidos.

Será isso tacticismo?

Se o é, assumo-o. Não adiro a «lutas» a priori, sem elas passarem pelo crivo da análise prévia quanto à sua validade na minha perspectiva pessoal.

Não me parece que isso tenha sido prejudicial no passado.

Não gosto de cavalgar ondas se discordar delas, só porque estamos todos numa de as cavalgar. Mais importante é saber o que fazer com elas.

E, como ambos sabemos, provavelmente eu serei dos menos descrentes no meio disto tudo.

Mesmo no plano da acção.

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Não sou adepto doente – na cervejaria havia um desse género numa mesa próxima – mas no jantar umbiguista de ontem eu e o Jacques estávamos com o canto do olho no ecrã e sinceramente o Derlei estava-me a preocupar. Que fosse para a rua. Por uma razão ou por outra.

Quanto à fotógrafa apanhada, basta dizer que acho que havia mais papparazzi do que comensais, cada qual artilhada com uma máquina maior do que a outra. Por comparação, e envergonhada, a minha ainda mirrou mais. Senti-me emasculado :D.

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES DESTE PAÍS

OUTRA MANIFESTAÇÃO!?

Senhores professores:

Concordo que apoiem tudo o que ajude a pôr fim a esta infindável tragédia que é hoje o ensino em Portugal.

Mas outra manifestação?!

Devem conhecer como eu o efeito das repetições…

São ecos a caminho do silêncio.

Porque não fazem uma greve que escreva uma página na história da educação deste país?

É preciso ir de encontro aos holofotes. Não esperar que eles venham à vossa procura.

Pensem num jogo de futebol televisionado, e encham o estádio com professores a colorir as bancadas de slogans que exprimam a evidente “revolta”.  Vão ter milhões de pessoas a olhar as vossas razões. E muitos talvez vos dêem razão.

Ou, então,  encham as E.Ns. de automóveis em fila indiana, a oitenta ou noventa à hora e convirjam as caravanas para Lisboa ou  Fátima. ( E se o encontro se der na terra das aparições, até pode ser que se dê o milagre que tanto procuram…)

Ou façam outra coisa qualquer, que surpreenda, que tenha  impacto.

Um passo em falso e o que ganharam ficará irremediavelmente perdido…

Fraternalmente,

Assina: DRETPTP
(Docente-reformado-que-ensinou-no-tempo-em-que-os-professores-tinham-prestígio)

The National, Slow Show

É impressão minha ou o John Lennon de início dos 70 está a tocar bateria lá atrás?

Quando o Dias do Fim do João Paulo Videira apareceu eu prometi que acabaríamos com umas boas discussões.

Ao longo deste tempo que o blogue dele já leva isso raramente se concretizou, porque o João Paulo optou por ser o editor do blogue oficioso da Fenprof e por divulgar informação sindical e só exercer a crítica num sentido, raramente procurando abrir espaço para outro tipo de reflexão.

Quanto muito fez isso de forma reactiva, quando sentiu que as posições sindicais – dop SPGL e da Fenprof, lateralmente da Plataforma – estiveram sob crítica. O que é pena. Mas percebo as limitações que ele enfrenta quanto à possibilidade de assumir o blogue como um espaço mais pessoal.

É o que se volta a passar com este post que me é parcialmente dirigido, a par de mais um remoque contra os abusos da comunicação social. Vou reproduz-lo na íntegra para que se não diga que descontextualizo afirmações.

já aqui neste blogue, por outras vezes, fizemos algumas correcções a imprecisões ou deturpações que jornalistas menos cuidadosos fizeram dos factos.

a coisa repetiu-se, hoje, de novo. o público online fez uma notícia de teor razoavelmente correcto mas com um lamentavelmente desvirtuado título: “Mário Nogueira confirma nova manifestação para 16 de Maio e anuncia Livro Negro das Políticas Educativas”

Efectivamente, como se lê no corpo da notícia, mário nogueira não confirmou coisíssima nenhuma. o que o secretário-geral fez, e muito bem, foi anunciar que seria posta à consideração dos professores a realização de uma manifestação em maio ou de uma forma de contestação alternativa que os professores possam sugerir.

o que mais estranho é que a mesma pessoa que escreveu o corpo da notícia tenha criado para ele um título que lhe não corresponde.

este tipo de jornalismo pouco cuidadoso arrisca-se a desinformar mais do que a informar e pode gerar equívocos, interpretações e reacções precipitadas e geradoras de ruído como aquela que surgiu de imediato no umbigo da minha educação que é, “só”, o blogue mais consultado da blogosfera educativa. a reacção de paulo guinote seria justificadíssima se o título correspondesse à verdade. mas não corresponde e guinote, levado em erro, divulga massivamente uma invectiva que, desta vez (!), não merecemos e que, acredito, rectificará.

quando cheguei ao computador, em fase pós trabalho, e vi a notícia do público e o post do umbigo apercebi-me do equívoco pelo corpo da notícia. ainda assim, enviei ao mário uma sms com uma pergunta que teve uma resposta imediata. perguntei se ele se importava que as divulgasse. como não colocou objecções aqui ficam as duas:

jpvideira – 22:11h
“tu confirmaste que haveria manifestação à comunicação social?”
mário nogueira – 22:13h
“Não, mas o Público online disse que sim. Já falei com eles.”

é por estas e por outras que cada vez mais importa desenvolver nos nossos alunos o rigor e o espírito crítico.

Primeiros reparos, à laia de libertação de toxinas:

  1. Confirma-se que o JPV tem humor e que sabe fazer trocadilhos com o nome dos blogues alheios.
  2. Confirma-se que JPV é um discípulo de valter hugo mãe em relação às maiúsculas.

Agora vamos ao essencial, primeiro quanto à parte comunicacional, depois quanto à parte pessoal.

  • Formalmente JPV está incorrecto quando afirma que a jornalista que fez o corpo da notícia fez um título que não lhe corresponde. Se JPV reparar, a notícia baseia-se numa peça da Lusa, a partir de declarações feitas ao RCP, e o título é da responsabilidade do jornal. Podem ser detalhes mas o rigor e o espírito crítico exigíveis aos alunos devem começar em quem os enuncia.
  • O que Mário Nogueira afirmou existe em suporte áudio, pois foram declarações ao RCP. Não corresponde totalmente ao título da notícia de jornal, mas também não ao que JPV afirma. O que foi dito é que o que estava em cima da mesa era a manifestação no dia 16, culminando acções durante a semana anterior, ou outra forma de luta proposta pelos professores – não explicando como se apuraria essa alternativa (através da apresentação das hipóteses mais sugeridas numa segunda ronda de consultas?) – que poderia chegar à greve. Em nenhum momento se concretiza uma possibilidade de alternativa a partir da cúpula – que eu sei já ter optado pela manifestação – nem o processo que levaria à produção desa alternativa.

Agora quanto à parte pessoal:

  • Estará o João Paulo Videira em condições de dar a sua palavra de honra em como a cúpula da Fenprof não optou ainda de forma clara por uma manifestação com data marcada?
  • Estará o JPV em condições de afirmar que da consulta de 20 a 24 de Abril sairá outra conclusão para a cúpula da Fenprof que não a marcação da dita manifestação para a dita data, mesmo que apareçam outras sugestões, com o argumento que nenhuma surgiu de forma articulada, consensual e alargada?
  • Estará JPV em condições de defirnir o que entende por «invectiva», algo que atribui ao(à) jornalista do Público e a mim, enquanto reprodutor da dita? Porque a palavra é sinónima de insulto e injúria e não me parece que alguém tenha insultado ou injuriado Mário Nogueira. Aliás, ontem, perante 130 pessoas, Mário Nogueira foi elogiado pelo director daquele jornal como um sindicalista muito acima de todos os outros em Portugal e ninguém o contestou. Mesmo que a declaração de MN tenha sido parcialmente distorcida isso não é uma «invectiva», quanto muito seria uma incorrecção a assinalar e esclarecer. Ou a famosa «descontextualização» em que muitos se refugiam.

Para terminar, JPV para provar o seu ponto reproduz uma troca de sms com MN sobre o assunto. Esta parte é divertida porque eu poderia fazer coisa semelhante – caso me desse ao trabalho de registar ou guardar e usar materiais deste tipo npara efeitos instrumentais – demonstrando que no final da próxima semana está garantida a marcação de uma manifestação para dia 16.

Mas não faço.

Fico à espera.

Fico à espera de estar errado. Que os factos e não os sms de JPV me provem que não está tudo já cozinhado. E que, tendo ou não dito abertamente isso, Mário Nogueira sabe que já decidiram o que lhe é atribuído. E talvez por muita gente já o saber, e por saberem que por certas bandas ninguém gosta de inflectir o rumo mesmo perante a realidade, é que talvez tenham escrito no jornal a verdade e não a encenação.

Mário Nogueira até pode não ter dito. Mas já participou na decisão que, é esse o desejo de quem espera daqui a seis meses ter tudo de regresso ao status quo anterior a 2005 com tudo serenado e as instituições a funcionar em paz e harmonia, não deixa grande margem para a opinião das massas ser vinculativa.

E é ainda nessa escassa margem de manobra que eu me tento mover. Reclamando a liberdade para o fazer sem que me apareçam snipers a dizer que discutir é dar argumentos ao ME.

Em Novembro discutiu-se a doer e a bem doer a manifestação ou manifestações e a verdade é que foi a maior de todas.

Discutir a sério, meus caros, nunca é sinal de fraqueza ou divisão. Discutir a sério é sinal de força e vitalidade. Não discutir ou evitar o confronto público é que é sinal de fraqueza. Aprendam com o passado recente alguma coisa.

Mas espero – com toda a sinceridade – estar errado e a consulta de 20 a 24 de Abril me demonstrar que tudo está em aberto.

Nesse caso, darei a mão à palmatória. Nem que marquem a manifestação para dia 15 ou 23, só para mostrar imensa abertura à opinião dos professores.

… da Carreira, com fotos sobre a sessão de ontem. O problema é que alguns posts só têm uma foto, o que dá trabalho a linkar. Eu escolho a evocação do Antero e a principal galeria de apanhados.

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Paulo Guinote lança hoje livro sobre blogue

O blogue A Educação do Meu Umbigo (blogue convidado do PÚBLICO) é agora um livro. Paulo Guinote, professor de História e de Português do 2.º ciclo do ensino básico, é o autor que começou a escrever na Internet no final de 2005. Hoje, o seu blogue tem uma média de 15 mil visitas diárias e que não se resumem apenas aos professores. O livro, editado pela Porto Editora, é hoje lançado, em Lisboa.

O blogue teve início formal a 30 de Novembro de 2005, mas Paulo Guinote só começou a escrever regularmente no final de Maio do ano seguinte. O crescimento foi gradual e os picos de leitura acontecem sempre nos períodos mais “conturbados do confronto entre os docentes e o Ministério da Educação”, explica o autor. Por exemplo, nos dias antes e depois da manifestação de oito de Março, as visualizações registadas atingiram uma média diária de 20 mil leitores. Em Novembro, quando se deram mais duas manifestações em Lisboa, os números subiram para quase 25 mil diários. No mês seguinte, no dia da greve dos professores, as visualizações ultrapassaram as 38.500.

Também os comentários que chegam ao blogue não param de aumentar, variam entre os 400 e os 600 diários. Quando há debates televisivos sobre educação, os comentários são feitos em tempo real e rondam um milhar. Diariamente, Guinote recebe entre 120 a 150 mensagens por correio electrónico, “nos dias mais movimentados cerca de 200”. Por vezes, surgem mensagens menos simpáticas, algumas até agressivas, mas o professor não lhes dá importância.

Por tudo isto, não é de estranhar que Paulo Guinote dedique cerca de três horas diárias ao blogue. Paralelamente continua a dar aulas, com horário completo e com turmas de Projectos Curriculares Alternativos e alunos com necessidades educativas especiais, ou seja, turmas que exigem um trabalho específico de acompanhamento, “felizmente com bons resultados”. Como é que concilia tudo? Passou a dormir menos duas horas, a ver menos televisão e a ler menos. “No dia em que não tiver tempo e disponibilidade para me dedicar aos alunos, deixo de ser professor”, conclui.

Snow Patrol, Chocolate

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Vinde a mim os leitores…

Tive hoje a oportunidade de assistir em directo, via internet, à Mesa-redonada & Debate sobre “A Luta dos Professores e a Defesa da Escola Pública” que decorreu no Teatro Comuna em Lisboa., que contou com a participação de um conjunto de professores de movimentos independentes e do SPGL.

E posso dizer que fiquei bastante satisfeito, uma vez que tornou-se claro que existe uma grande sintonia entre os movimentos independentes e os sindicatos de professores, relativamente à sua luta em torno quer do modelo de avaliação quer do modelo de gestão das escolas. E é exactamente nesse sentido que deve ser reforçada a cooperação entre os movimentos independentes dos professores e os sindicatos; ambos se completam e prosseguem os objectivos por uma escola pública de qualidade, dentro dos valores construídos em 30 anos de democracia da escola pública portuguesa.

E assim proponho mesmo que ambos, sindicatos e movimentos independentes de professores, comecem a trabalhar também em conjunto, definindo estratégias e planificando acções de luta em conjunto, reforçando a luta dos professores neste terceiro período – o espaço de actuação é amplo e não está em causa qualquer perda de identidade quer de uns quer de outros.

Seria um tónico para a classe docente ver reforçada a unidade dos professores e ver tanto os sindicatos como os movimentos independentes dos professores em cooperação nas escolas de todo o país nesta semana de reflexão e que irá marcar a luta dos professores neste terceiro período. Porque existe um vasto leque de estratégias que os professores podem vir a desencadear; afinal, não há tempo a perder e precisamos de mostrar que continuaremos a nossa luta em defesa da escola pública portuguesa.

Ludgero Brioa

Estou insuportável de narcisismo. Mas assim percebem-se as perguntas que deram origem às respostas.