Sexta-feira, 17 de Abril, 2009


Pais exigem encerramento da escola onde caiu o tecto

“Não vou trabalhar descansado e deixar a minha filha aqui, quando a qualquer momento pode sofrer um acidente gravíssimo”, diz o pai de uma das alunas da Escola Básica 1/Jardim de Infância de Monte Abraão.

Se fossem as professoras a quem o tecto caiu em cima, seria dito que não passavam de casos isolados ou de casos dramáticos individuais.

Cavaco acha que o Governo não escutou os seus avisos

O alerta que Cavaco Silva fez esta semana, à margem do Roteiro da Ciência, sobre a crise económica e financeira, tem implícita uma violenta crítica à falta de ‘cooperação estratégica’ por parte do Governo.

Andou iludido.
Enquanto foi útil, sorriram-lhe.
Depois…
Cá se fazem…

Acontece-me de tempos a tempos. Fico com a corda, a língua e a tecla soltas. Gosto. Depois passa. Nunca por completo. Felizmente. Deve ser da humidade no ar.

Este blogue não existe para evitar questões incómodas ou evitar abordar certas questões, atitudes e personalidades, só porque pode quebrar um falso unanimismo.

Há quem, infelizmente, confunda unidade com indiferenciação de opiniões e posições. Ou pior, quem ache que a crítica aos seus posicionamentos, alinhamentos e lideranças é motivo para o lançamento de anátemas sobre os hereges.

Há quem ache que contestar, discutir, debater, quando lhes toca, é ilegítimo. Só é bom quando o vento sopra a favor.

Não é uma atitude muito diferente da de Sócrates, quando fala em campanhas negras e coisas assim. Sempre qu alguém quer limitar o direito à expressão de opiniões só porque lhes tocam nos cristais, é complicado.

Há quem ache estranho porque não limito comentários e aceito mesmo, sem qualquer reacção para além da réplica mais ou menos ácida ou humorada, que apareçam no blogue vozes muito críticas dos professores, em geral, e de mim, em particular. Porque divulgo posições dissonantes do cómodo mainstream opinativo. Faço isso porque acho que é mesmo assim.

Não quer dizer que não me defenda e contra-ataque. Mas nunca direi que criticar-me não é legítimo neste espaço ou que revela um complexo ou não sei o quê sobre o quê.

Vem isto a propósito da celeuma que se levanta sempre que eu abordo temas relacionados com o sindicalismo docente, tendência Fenprof-Mário Nogueira. Raramente alguém se queixa se eu criticar a tendências Dias da Silva-FNE ou outra.

Vamos lá a ver se nos entendemos. A Fenprof (assim como qualquer outro sindicato) tem um site para divulgar as suas posições, quadros para produzir os seus documentos, vias consolidadas de contacto com a comunicação social. Eu tenho um blogue. Ponto final. Bem, também tenho a língua afiada e uma casca grossa. Mas mais nada Ponto final, parágrafo.

Não sou obrigado a veicular posições institucionais ou organizacionais para além do que eu próprio achar útil ou interessante. Este blogue nunca foi, nunca será, porta-voz de mais do que da pluralidade de perspectivas existentes entre a classe docente, assim como da minha visão pessoal sobre as coisas.

Por isso, não me parece honesto do ponto de vista intelectual – mas é uma estratégia velha, com barbas de Matusalém, que já deveriam saber que começa a falhar cada vez mais – sacarem logo do anátema do meu pretenso preconceito «anti-sindical» sempre que não digo ámen à última tirada seja de quem for.

A verdade é que acho o seguinte, sem problemas de quebrar falsos consensos, e não me parece que alguém tenha o direito de me mandar calar acerca disso ou acusar-me de me estar a inclinar para o lado do Governo:

  • À saída de umas negociações as declarações devem estar previamente preparadas e não saírem como se fossem o resultado de uma irritação momentânea. Isto aplica-se a todos, mas em particular a quem tem como missão – e dever – conquistar a opinião pública.
  • Estou cansado, como muitos, de estarem sempre a acusar a comunicação social de «descontextualização» das declarações, em especial quando há registo sonoro ou é feita transcrição em discurso directo.
  • Considero que uma consulta aos professores sobre formas de luta deve ser algo aberto e não condicionado a priori com declarações públicas a inclinarem a discussão para o desfecho que se pretende.
  • Não tenho nada contra uma nova manifestação de professores, mas tenho neste momento algumas dúvidas sobre se essa é a iniciativa que terá maior impacto ou efeito político.
  • Gostava de saber se na semana de 20 a 24 estarão sobre a mesa outras propostas ou se a ideia é pedir alternativas e depois, perante uma profusão de sugestões, dizer que a manifestação é a proposta mais consensual.
  • Acho que seria mais interessante, como sempre, que os sindicatos trabalhassem estreitamente com os professores na produção de alternativas à apresentação da ficha ministerial de auto-avaliação. Também gostaria que o chamado Livro Negro das Políticas Educativas não tivesse sido elaborado sem que ninguém desse por isso nas escolas.
  • Considero muito importante que os sindicatos – todos e não apenas um – clarifiquem de vez a sua posição quando à fase da entrega da ficha de auto-avaliação e ao novo modelo de gestão escolar, pois me parece que se estão a acomodar muito rapidamente ao novo status quo.

Em cima de tudo isto gostava, gostava mesmo, mas mesmo muito, que os serviços de aconselhamento jurídico de alguns sindicatos não desencorajassem activamente colegas e escolas de lutarem juridicamente contra o Ministério, com o argumento do resultado nos Tribunais «ser incerto». Porque a incerteza ainda nos permite ganhar. Fugir do confronto apenas nos garante que perdemos.

Não gostaria, por agora, de concretizar esta última parte, para não ser demasiado incómodo para com quem gosta de ficar nas fotografias, mas depois…

É pena, mas as negociações não podem continuar neste clima de desconfiança pessoal e institucional. Removida Maria de Lurdes Rodrigues do cenário, nada melhorou com Jorge Pedreira, em especial na sua relação com Mário Nogueira. Isto é o grau zero de bate-boca entre pessoas que deveriam perceber que, antes de mais estão como representantes do Estado, de um lado, e de uma larga proporção da classe docente, do outro.

No Correio da Manhã afirma Mário Nogueira:

Disse que, caso acabasse o limite de vagas, tinha de se criar antes da prova uma situação qualquer, porque senão podiam todos candidatar-se. E nós perguntámos: ‘Mas diga o que é, que situação seria essa?’ E ele respondeu que nem valia a pena falar nisso, porque nós, sindicatos, somos contra a divisão da carreira, e nunca aceitaríamos.

No Público acedemos às acusações de Jorge Pedreira e à resposta de Mário Nogueira, que me parece escassa.

O secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, acusou ontem Mário Nogueira de estar “a alimentar um clima de conflitualidade por interesses não sindicais”. E apontou como prova o facto de, segundo diz, o dirigente da Federação Nacional de Professores ter afirmado, horas antes, numa reunião no ministério, que “o objectivo da Fenprof é tirar a maioria absoluta ao PS”. Nogueira diz que não falou em partidos, mas admite ter dito que “já será positivo se a luta dos professores contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta”.

Em declarações ao PÚBLICO, Jorge Pedreira comentou a “extraordinária afirmação”, acrescentando que ela foi feita perante “umas oito pessoas”. Mário Nogueira respondeu que o secretário de Estado “só contou os representantes do Ministério da Educação” na reunião sobre o Estatuto da Carreira Docente e, por isso, juntou como testemunhas “mais seis ou sete” sindicalistas que, assegura, não o ouviram nomear o PS. “Mas eu sou parvo?! Ia lá falar no PS?”, reagiu, quando contactado.

Perante isto é difícil não termos a percepção de que à mesa das negociações não estão os interesses da Educação. E, pior que isso, percebe-se que há questiúnculas e desconfiuanças de ordem pessoal a poluir todo este processo. Tudo é mais grave, em minha opinião, por parte de quem deveria ter noção que representa o Estado e não apenas interesses partidários, Mas não iliba quem, ao que parece, deveria pensar duas vezes antes de falar sobre o sentido da luta dos professores.

Nesta matéria entrámos fase meninos rabinos.

Bolas!!!

sobro

Este ainda se ergue aqui por perto, defronte da pastelaria que nos faz as delícias, mas alguns irmãos mais velhos, mais que centenários, foram sacrificados em nome do Poguesso.

Professores titulares vão ganhar mais 800 euros

Salários baixos estão cada vez mais baixos

Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho apontam para um agravamento das diferenças salariais entre classes. Globalmente, os operários ganham quatro vezes menos do que os directores de empresas, e estão a afastar-se da média.

A explicação é simples: como são um grupo pequeno e endogâmico, os do topo nunca se sacrificam a si e as massas que paguem a crise. Miguel Gaspar ontem escreveu sobre isto no Público, com uma amarga ironia.

Portishead, Sour Times