Quarta-feira, 15 de Abril, 2009


Naturalmente valterianos pela argúcia da concepção e pela extensão dos prolegómenos.

  • O despacho 9744/2009 dedica-se ao tema das reduções da componente lectiva por via da ocupação de cargos. Tenta ser uma espécie de docinho, mas tem sabor agridoce. Ora vejamos: o coordenador de um Departamento Curricular com 15 ou menos membros tem 6 horas de redução, enquanto com mais de 30 tem 8 horas. Ou seja, um coordenador de um departamento com, suponhamos, 8 elementos tem 6 horas de redução enquanto o coordenador de um Departamento com 50 elementos tem apenas mais duas horas de redução. Brilhante!
  • Já o despacho 9745/2009 (o link é o mesmo) faz a distribuição do número de adjuntos por director de agrupamento ou escola não agrupada. Como excelente exemplo da legislação educativa portuguesa dos tempos que correm tem 9 considerandos e 4 artigos. Faz-me lembrar os artigos eruditos de um antigo colega de curso que tinha 23 notas de rodapé em cada linha com 12 palavras.

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(c) Jorge Delmar

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(c) Antero Valério

Terá sido certamente por acaso que o passeio de MLR e do senhor PM pelas escolas do Porto foi em período de pausa lectiva…

O blogue que não abandona as tropas

A Educação do Meu Umbigo continua a ser actualizado todos os dias com contributos originais e textos inéditos. O livro, que reúne três anos de vida deste blogue, é lançado já no próximo dia 18 de Abril.
Assume-se como uma “gaveta aberta de textos e memórias a pretexto da Educação que vamos tendo”. A frase apresenta um dos blogues mais procurados da área educativa do nosso país, A Educação do Meu Umbigo, e ocupa uma parte do cabeçalho da página da Internet. O seu autor, o professor Paulo Guinote, docente de Língua Portuguesa, História e Geografia de Portugal e Iniciação à Informática na Baixa da Banheira, explica como tudo começou, quais os assuntos mais delicados, os critérios para a publicação dos textos, as pressões que vai sentido. E há um elogio que o marcou de forma especial. “O de um comentador muito crítico dos professores e de mim em particular que, a dado momento e usando umas metáforas muito militaristas, afirmou que eu seria o último a abandonar as tropas no campo de combate.”

Estou a abusar, eu sei, mas estou congelado há não sei quanto tempo, preciso de vender a banha da cobra. O comentador citado é o saudoso Professor Xibanga. Só para verem como eu estimo os trolls.

Andam por aqui três videos com o essencial das minhas declarações ao jornalista Filipe Caetano da TVI24. É achá-los. O livro amarelo é da Enyd Blyton. Passa um destes dias na televisão, acho que no fim de semana. Assim, com uma boa edição, até pareço ter um discurso lógico e articulado. Desta vez, a gata não interferiu.

Boa tarde!

Depois de 4 300 000 de visitas, distribuídas por mais de 6600 posts e 120 000 comentários, eis que o blogue-bandeira dos professores – e não só – ultrapassa as fronteiras da Internet e ganha forma de livro. Um livro que, honrando o espírito do blogue, promete incomodar ministros e mobilizar os professores.

A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote, será apresentado no próximo sábado, dia 18 de Abril, pelas 16:30, na Biblioteca Nacional. Desde já faz-se o convite para esta sessão, sendo que o autor está disponível para entrevista.

A nota de imprensa em anexo disponibiliza mais informações sobre o livro e o autor, e sugerimos vivamente a leitura do excerto que disponibilizamos em anexo.

Antecipadamente gratos pela atenção dispensada, com os melhores cumprimentos

Paulo Gonçalves

Gabinete de Comunicação e Imagem

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Tutela quer promover Matemática e diz que maus resultados não são normais

(…)
Para a responsável pela pasta da Educação, é necessário inverter esta atitude e dizer: “Não é normal ter maus resultados a Matemática. Normal é ter bons resultados como às outras disciplinas”. “Este processo de desnaturalização dos maus resultados tem de envolver todos, até os meios de comunicação, até as telenovelas, até os anúncios. Devíamos ter uma espécie de campanha que chamasse a atenção para várias coisas”, defendeu.

Eu ainda não me esqueci de muitos dados estatísticos descontextualizados que o ME costuma lançar para a comunicação social.

Quanto à campanha, eu ia jurar que existia um Plano de Acção para a Matemática, mas, pam, parece que não há!

Ministra da Educação na Moita

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, desloca-se hoje à Moita para participar na inauguração do Auditório Novas Oportunidades da Escola Técnica Profissional da Moita, a partir das 16:30 horas.

O caso desta escola profissional é divertido porque, estando no seu direito de concorrer no mercado do ensino para fazer negócio, nasceu graças a uma série de protocolos com o ME e as autarquias locais (Câmara e Juntas de Freguesia), que levaram à saída de alunos do ensino público, em especial da minha velha escola-mater :D, para frequentarem os tais cursos profissionais.

Isto não seria problema do outro mundo, caso o ME e as autarquias em causa – dirigidas no caso da Câmara por um ex-professor da dita escola – pudessem alegar falta de oferta educativa no concelho, o que não é o caso.

Pior, a força política dominante no concelho clama contra tudo o que é iniciativa privada na Educação, mas depois os seus eleitos fazem este tipo de protocolos, ao mesmo tempo que gritam anos a fio contra o abandono e declínio a que estava votada a Secundária da terra. Mas nunca propôs a existência de tais cursos, nem nenhum protocolo à dita Escola Secundária, em especial quando o PCE era de outra cor partidária.

São coerências…

Estas conheço-as eu em primeira mão.

Por acaso, passei perto da dita escola mesmo à hora aprazada para a cerimónia. Não vi passar ninguém com ovos. A sul do Tejo, o povo é sereno. Até aposto que se puseram todos a jeito para a fotografia…

Caro Colega,

Envio aqui um excerto de uma carta que enviei para o Jornal Expresso (publicada a 21 de Fevereiro de 2009) e para os serviços centrais da DGRHE (estes, como era previsto, ignoraram-na(me)!), sobre a problemática da avaliação de professores, sugerindo nesta aquilo que penso ser a solução.
Relembro que o texto não pretende lançar qualquer tipo de dúvidas quanto ao profissionalismo e competência dos professores titulares ou outros, mas sim, insurgir-se contra a forma como toda esta trapalhada da avaliação está a ser feita.
Dada a sua visibilidade e do seu blogue, peço-lhe que, caso partilhe da minha opinião, que dê asas a esta ideia. Pode ser que a ideia se espalhe e dê frutos. Quem sabe possa chegar aos sindicatos, no sentido destes trabalharem e proporem a ideia ao ministério.
Vamos esquecer o que está mal e vamos lutar por esta solução!
Como? Espalhando-a, até que nos ouçam!
Quando? Agora!
Quem? Todos!
Porquê? É a única solução, a mais justa e dignificante!

Avaliação de professores: a solução!

Embora acredite que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita, entreguei os objectivos individuais para a avaliação de professores. Concordo em absoluto com o modelo de avaliação (não confundir com as grelhas de avaliação), bastante menos com a operacionalização e nada com a selecção dos avaliadores. Para a avaliação funcionar “saudavelmente” e de forma justa, tem que haver o reconhecimento da “autoridade” (leia-se: competência, sabedoria e mestria) do avaliador, e esta não é dada pela idade, remuneração ou dos cargos desempenhados nos últimos 7 anos – muito menos quando não se sabe se bem ou mal!
A solução: 1. criação da carreira de professor avaliador (só concorre quem se sente preparado, com perfil e, mais importante ainda, quem quer); 2. formação específica para professores avaliadores (séria, de qualidade e credível). Com estas 2 medidas passava a haver uma verdadeira hierarquia, a hierarquia da competência, e não a falsa hierarquia actual com os professores titulares ou os titulares em comissão de serviço.
Um professor cansado e desgastado com esta “trapalhada”, todavia continua a dar o melhor na busca de tornar melhores cidadãos os seus alunos.

Com os melhores cumprimentos,

Alberto Morais

Vou fazer uma excepção e comentar previamente este texto que termina de forma obviamente catastrófica, quiçá apocalíptica porque a Nação não precisa de ir tão fundo…

A BEM DA NAÇÃO

A bem do sossego da Nação, anunciemos ao país que pode dormir descansado. Ninguém lhe pode fazer mal. Porque todo o mal que havia a fazer, já foi (hélas!) feito.

A bem da tranquilidade da Nação, veio o “Dr. Más Notícias”, repisar que este  país está mais desgraçado do que julgava. E o país agradece ao distinto Dr. por ter zelado tão bem os negócios obscuros dos nossos banqueiros.

A bem da estabilidade da Nação, elogiemos a postura exemplar do Chefe da dita que tem visto o barco a afundar, sabe quem esburacou o casco, e não mexe uma palha contra a pirataria.

A bem do progresso da Nação, proclamemos o nosso reconhecimento pela reforma mais inaudita que Portugal já teve, transformando 150.000 docentes em quase tantos mil dementes.

A bem da Nação, ponhamos os “espertos” a andar em Setembro, e deixemos emergir os inteligentes!

A bem da Nação, Paulo Guinote para o Ministério da Educação!

C.R.

Badly Drawn Boy, Promises

Excelente e lúcido texto de Joaquim Azevedo contra a Escola como loja de conveni~encia aberta 24 horas por dia:

E24: a grande solução para a educação.

Quando ouvi a proposta dos pais, através da CONFAP, para que as escolas passassem a estar abertas 12 horas por dia e, de seguida, conheci a resposta positiva do Ministério da Educação, dei comigo a pensar que o melhor seria propor já, numa atitude politicamente muito mais arrojada, a escola aberta 24 horas por dia.

(continua)

Dia 18 há por onde escolher para passar uma tarde animada. No Teatro A Comuna, a partir das 15 horas,  encontram-se representamntes do SPGL e dos vários movimentos independentes de professores para discutir o(s) sentido(s) da luta dos professores no actual contexto.

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Dependendo do almoço, penso espreitar lá antes de seguir para a Biblioteca Nacional.

ceutinto

Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra José Sócrates

Quase tão maus quanto os blogueiros são estes rockalheiros malvados…

Descontextualizam, contra-informam, agitam…

E um processo já a esta malandragem?

Suede, Everything Will Flow