Sexta-feira, 10 de Abril, 2009


Velvet Revolver, Psycho Killer
(Sim, esse clássico dos Talking Heads, como se tivesse sido atropelado pelo George Thorogood)

Apagar ou não apagar, eis a questão

Casa, Cama, Mesa, Carro e Roupa Lavada

MARKETS VERSUS MONOPOLIES IN EDUCATION

MYTHCONCEPTIONS ABOUT SCHOOL CHOICE

Theories of Educational Management

(…)
The multiplicity of competing models means that no single theory is sufficient to guide practice. Rather, managers need to develop “conceptual pluralism” (Bolman & Deal, 1984, p. 4) to be able to select the most appropriate approach to particular issues and avoid a unidimensional stance: “Managers in all organizations . . . can increase their effectiveness and their freedom through the use of multiple vantage points. To be locked into a single path is likely to produce error and self-imprisonment” (p. 4).

Conceptual pluralism is similar to the notion of contingent leadership. Both recognize the diverse nature of educational contexts and the advantages of adapting leadership styles to the particular situation rather than adopting a “one size fits all” stance. Appreciation of the various models is the starting point for effective action. It provides a “conceptual tool-kit” for the manager to deploy as appropriate in addressing problems and developing strategy.

Para bom entendedor, isto basta para perceber que o modelo único imposto pel decreto.ei 75/2008 vai ao arrepio de todo o bom senso e da investigação nesta área.

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Única, 10 de Abril de 2009

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Teachers face pupil attacks on their homes

Teachers are being intimidated in their own homes and their property damaged by unruly pupils, a union has claimed.

One teacher returned from work to find the word ‘bitch’ painted across her garden wall. Another found his car had been ‘keyed’. A third had 17 windows smashed at her home, while a fourth received a string of late night obscene calls.

These events are just a snapshot of a much bigger picture of intimidation and damage to property endured by teachers on a daily basis, members of the Association of Teachers and Lecturers (ATL) heard at their annual conference in Liverpool.

Even when they are on school premises, teachers cannot be sure that their property is safe. In the last year the union has received 146 claims regarding malicious damage to property and 69 claims of damage to vehicles.

Verdade se diga que um recente comentador andou por aqui a incitar ao ataque a professores, em especial a um da sua desafeição particular.

Mas o interessante é que em Inglaterra 146 queixas são motivo de alarme. Por cá, mesmo depurados, números maiores do que estes, com uma população muito menor, são considerados «casos dramáticos individuais».

Procurador: “país do respeitinho” condiciona opinião

(…)
“A jurisprudência nacional, no solucionamento entre o direito à honra e o direito à liberdade de expressão, tem-se maioritariamente inclinado a favor do primeiro”, escreveu Euclides Dâmaso Simões, num dos últimos números da Revista do Ministério Público.

O director do DIAP de Coimbra questiona se tal “inclinação” se deve à lógica do “país do respeitinho, confundido com a intolerância à crítica e ao dissenso, cultivado ao longo dos séculos”.

è verdade que o vocabulário está um bocadinho datado, mas esperemos pela reacção do ministro Santos Silva, que o ministro Silva Pereira ainda não tem pergaminhos para este campeonato:

Socialistas assinam texto crítico sobre situação do país

O “sistema capitalista” parece “ter entrado em ruptura”. Há “direitos conquistados durante gerações, pelos trabalhadores” que foram “gradualmente postos em causa”. O retrato, do mundo e de Portugal, é tudo menos risonho e é assinado pelo PS, o partido do Governo, e por alguns dirigentes da chamada “ala esquerda”, a começar por Manuel Alegre, e pelo fundador do partido Mário Soares.

Outros subscritores são o PCP, Bloco de Esquerda, Verdes, as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, JS e JCP, entre outros.

Segundo os subscritores, a crise económica mundial está a ter consequências em Portugal, onde os seus efeitos se somam às “vicissitudes de antigos desequilíbrios estruturais que vêm de muito longe e persistem” e não pode justificar “violências contra os trabalhadores”. “O desemprego e a precariedade alastraram.”

Alegre e Soares são duas das mais de 600 personalidades de esquerda que assinam o “apelo à participação” na manifestação do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, organizada anualmente pela Associação 25 de Abril.

The Cribs, Men’s Needs

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Acho que o dedico a mim mesmo, porque estou asssim a modos que.

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Expresso, 10 de Abril de 2009.

Principal correcção de pormenor: foram quase 2500 os contribuintes para os pareceres. Quanto ao resto, não me (a)parece nada «descontextualizado». E sim, o antro até estava mais arrumado do que o costume.

Obrigado ao M.J.Matos pela rapidez. Já tenho a edição em papel, mas estou a tentar desesperadamente cumprir um contrato assinado e certificado pelo que ainda não fiz a digitalização.

OQEQT a síndrome dos políticos gafanhotos

O que é que tem? Lançado assim, na mais pura inocência, produz em nós um silêncio de morte. Gera um nó na garganta. Um jovenzito, com pouco mais de seis anos, salta em cima de uma tampa de contentor do lixo sob o olhar embevecido dos companheiros espigadotes que, por perto, lhe admiram a ousadia e, num quase êxtase, lhe veneram as qualidades de líder “vencedor”. Há gente fingindo não ver e a passar adiante, evitando chatices com o pequeno bando de miúdos de rua. O contentor há muito que não abre e fecha com a destreza requerida, mas, surpreendentemente, vai resistindo, com garbo, ao teste de resistência de materiais do pequeno gafanhoto. O metal, amassado de façanhas várias, limita-se a soltar, a espaços, roncos de dor, infernizando os ouvidos da vizinhança. De uma varanda, um adulto intima-o: “Sai já daí! Não vês que isso não se faz?!”. E o pequeno, indiferente a meio de um pinote, dispara desarmante o desafio: “O que é que tem?”. Noutra janela, um velho de pijama ainda balbucia qualquer coisa, mas, vencido, desiste de pôr fim à chinfrineira e regressa pacatamente ao “vale de lençóis”. Há-de cansar-se!
Foi a primeira vez que me confrontei com a doença. E não me esquecerei da carita provocante em desalinho. Podem não acreditar, mas nada há mais inibidor (e estranhamente intimidador…) na comunicação entre dois seres humanos do que constatar, no interlocutor, este alarmante grau de incompreensão do nosso discurso.
Estamos preparados para explicar o complexo, mas não para legitimar a dúvida que temos como óbvia. “O que é que tem?” Lançado assim, na mais pura inocência, produz em nós um silêncio de morte. Gera um nó na garganta. Faz-nos pensar se efectivamente o que dissemos faz sentido ou se a razão não estará no microdelinquente destruidor do mobiliário urbano que, desta forma, esbanja (achamos nós!) ou usufrui (imagina ele!) dos nossos impostos.
Estou em crer que, fossemos nós suecos, finlandeses (vide a quase total ausência do fenómeno de corrupção), e nem um só adulto teria passado indiferente. Que os bens comuns são de todos e o civismo serve-se em biberon. Mas, por cá, é diferente.
“O que é que tem?” Martela-nos nos neurónios. Somos inconscientemente levados a pensar que, se calhar, “não tem nada!”. A interpelação que, segundos antes, nos parecia de uma clareza meridiana pode, afinal, dever-se, em rigor, apenas ao nosso mau feitio, ao nosso irredutível conservadorismo social, que nos impele a coarctar a liberdade de movimentos do interlocutor, precipitando-nos em julgamentos de carácter. Ora, em Portugal, como se sabe, todos julgamos tudo, mas há uma coisa sagrada que ninguém, em caso algum, pretende julgar: o carácter. Seja ele de quem for.
O carácter é, aliás, visto como uma qualidade absolutamente indiferente para o exercício de qualquer tipo de funções: administradores, banqueiros, ministros, presidentes de câmaras, dos governos regionais, do Conselho ou da República. Se há coisa que não interessa nada são avaliações de carácter. Interessa-nos o que lêem, o que vestem, o que comem, mas jamais nos interessa o respectivo carácter.
É certo que o povo continua, na sua simplicidade, a distinguir os homens entre os que são “bons” ou “maus carácteres”. Mas isso é coisa de gente iletrada.
A cena que descrevi passou-se, vai para vinte anos, nos subúrbios da cidade. Num bairro tranquilo, onde a frequência dos caixotes do lixo mostrava à exaustão que haveria de mostrar-se problemático. Já é. Fugi a tempo para o centro da cidade e perdi-lhe o rasto. Voltei lá há semanas. Os meninos gafanhotos cresceram. Metem medo. Vagueiam, em pequenos grupos ao acaso. Espreitam-nos das esquinas.
Dizem-me que o cenário é igual à semana. Os media relatam os confrontos frequentes entre grupos rivais. A estação, onde antes apanhava o comboio para Lisboa, é agora palco quase diário de desacatos.
Durante anos, achei que a síndrome (OQEQT) era uma espécie de vírus social. Desagregador, mas limitado às chamadas populações de risco. Mas não é. Lembro-me desta cena real sempre que me confronto com o estado da actual da nossa política. Valeria a pena estudar os mecanismos de disseminação do vírus e os seus efeitos de contágio. Hoje ataca todas as classes sociais, grupos profissionais, estruturas partidárias, magistraturas. A crise internacional mostra, aliás, que não se trata de uma simples epidemia nacional, mas há risco de verdadeira pandemia. Há mesmo já toda uma geração de políticos nacionais e estrangeiros afectados.
Berlusconi, por exemplo, teve ainda esta semana uma crise pública da doença na sua variante mais perigosa NVQEOM (não vejo qual é o mal?) quando o alertaram para o facto de a população de L’Aquila se ter sentido indignada com a comparação, feita horas antes, do campo de desalojados a um camping de fim-de-semana, onde haveria de desfrutar do facto de se ter “tudo o que é possível disponível: abrigo, assistência médica, refeições quentes, etc…”.
Mas, por cá, os exemplos são de uma frequência alucinante. Tente-se perguntar aos autarcas de Braga, que por unanimidade votaram a nomeação de Domingos Névoa, condenado por corrupção, para presidente de uma empresa municipal, como foi possível a nomeação, e a probabilidade de assistirmos à mesma unanimidade na resposta “o que é que tem?” será de 100 por cento.
Lopes da Mota? Almoços e conversas que talvez fosse razoável não ter? NVQEOM.
Para quem não conheça a doença, o QEQT é um vírus. O principal sintoma é de, perante uma pergunta óbvia para o interlocutor, o doente não conseguir balbuciar mais do que uma variante simples da expressão “o que é que tem?”, por incapacidade de descodificar o porquê do respectivo conteúdo. A doença é genuína e nunca o perguntador falseia o seu espanto. Quem sofre do QEQT, não é um falsário a fazer-se de ingénuo. Não é um tratante a fingir-se de sonso. É simplesmente alguém que, no pico da doença, não é genuinamente capaz de discernir o cerne da questão. Não entende o ponto. De tal forma lhe é estranha a lógica mais corrente, o raciocínio mais normal. E ainda que a pergunta lhe seja colocada, por todo o mundo, e em uníssono, ele não conseguirá ver nela mais do que uma gigantesca ameaça, uma cabala de todos contra si. Nestes casos, o povo comenta que o doente “deixa de ter vergonha na cara!”, porque é comum ouvi-los dizer, com desfaçatez, em público o que não seria suposto assumirem sequer em privado. Mas a verdade é que a vergonha não lhes abandona apenas a cara, pode subitamente esvair-se do corpo todo, da toga, do uniforme, do fato e gravata, da própria gravata. É por isso que há tantos crimes cometidos por colarinhos brancos em que só o colarinho vai preso.

Público, 10 de Abril de 2009

A polícia dos costumes, arrancada ao adormecimento do Estado Novo, atacou de novo:

Funcionárias da Loja do Cidadão de Faro proibidas de usar saias curtas e decotes

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