Surgiram hoje na imprensa algumas reacções ao facto da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos ter declarado que os documentos relativos à avaliação docente não podem ser confidenciais e que deverão ser de acesso público.

Para mim esta é a posição certa na defesa da transparência do processo, no sentido de o colocar acima de jogos de interesses, clientelismo e favorecimento.

Não me incomoda nada que isso aumente o nível de conflitualidade nas escolas. Nada mesmo. se essa conflitualidade impedir atropelos e abusos de poder.

Incomoda-me mais que quem defende a transparência e o acesso público a documentos muito mais sensíveis em outras áreas da administração agora tenha dúvidas sobre a bondade desta publicidade do processo de ADD.

Estranho ainda que exista quem usando a conflitualidade como forma de «luta» preferencial, depois se interrogue sobre a sua utilidade em outros planos.

Ou que considere serem os efeitos desta decisão potencialmente mais negativos do que positivos, como parece entender António Avelãs em declarações ao DN e JN, conforme se pode ler aqui.

“É uma decisão ambivalente. Poderá trazer mais transparência ao processo, já que o modelo de avaliação deixa aos conselhos executivos um poder excessivo que se pode transformar numa atitude discricionária ou arbitrária, mas ao mesmo tempo ameaça tornar ainda mais conflitual o ambiente nas escolas”, disse ontem António Avelãs. O dirigente sindical sublinhou que, no entanto, teme que “sejam mais os efeitos negativos do que os positivos”.

Mas mais perturbador ainda é perceber como, de forma implícita, boa parte do movimento sindical parece ter interiorizado que a questão da ADD está resolvida e que só há que estar preocupado com a «conflitualidade».

Ora, entre a garantia de transparência e a hipótese de  conflitualidade, para mais num processo que se afirma querer suspenso,  não me parece que possam existir grandes hesitações

Já sei, já sei, as declarações estarão «descontextualizadas».

Ou eu estarei a lê-las com «segundas intenções»…

Mas também sei que, por vontade de muito boa gente, este dossiê já devia ter ficado fechado em final de Janeiro. Era esse o plano, certo?

É que eu já ando muito confuso com isto tudo.  Sinto-me «descontextualizado».

E devo ser naturalmente conflituoso.

Mas nada «ambivalente».