Artigo publicado no Diário do Minho de ontem:

A família é uma grande solução para os problemas actuais da escola

A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) propôs o alargamento dos horários de permanência dos alunos na escola, entrando “ao raiar da aurora” e saindo no crepúsculo do dia, querendo entregar mais esta tarefa às instituições escolares, afastando, cada vez mais, as crianças dos seus ideais laços afectivos.

Daniel Sampaio, num artigo que escreveu no jornal “O Público”, refere que não consegue conceber “um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem (…) não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez…) que substituam a família?” O mesmo autor compreende a preocupação de alguns progenitores que trabalham o dia inteiro, preferindo deixar as crianças num local de maior confiança, mas é de acordo que se tentem outras soluções.

A escola não pode fazer mais. O professor, além das tarefas burocráticas, lecciona, educa e, em muitos casos, é o principal promotor de regras, querendo o bem-estar dos seus alunos, pretendendo dar-lhes uma formação o mais completa possível. Com todas essas horas na escola, onde está o papel da família? Criem-se condições para que os filhos possam estar algum tempo com os seus pais! Não façam da escola um autêntico “armazém”, fazendo com que as crianças a repudiem, com já está a acontecer! Haja equilíbrio e ponderação e não exageremos! A vida em família é muitíssimo importante, sendo o convívio, a interiorização de regras assimiladas, com o diálogo e o bom exemplo dos progenitores, fundamentais. A escola não pode substituir o papel da família, exceptuando-se alguns casos anómalos que poderão ter uma atenção especial da parte dos professores, como já vem acontecendo, mas haja moderação e arranjemos algum tempo para estarmos com os nossos filhos.

A indisciplina, o absentismo e o abandono escolar só poderão ter alguma solução com a responsabilização da família. Temos o exemplo de muitos alunos (ainda os há, felizmente) educados, estudiosos, responsáveis, respeitadores que chegam à escola com regras oriundas do seu seio familiar, sendo autênticos tesouros que se valorizam, sempre mais, com os diversos agentes educativos a convergirem para a sua verdadeira formação.

Uma petição, há dias na Internet, (www.peticao.com.pt/responsabilizacao) com o objectivo de “incitar a Assembleia da República a legislar no sentido de se criar mecanismos administrativos e judiciais, desburocratizados, efectivos e atempados, de responsabilização dos pais e encarregados de educação em casos de indisciplina escolar, absentismo e abandono” é uma óptima iniciativa para começarmos a pôr travão a tão grandes pesadelos que se vivem hoje nas escolas, sobretudo no desrespeito pelas regras escolares e falta de autoridade dos professores. Os nossos políticos têm que ser sensibilizados para essa questão geradora de grandes abusos em todo o ambiente escolar. Quando é que, noutros tempos, havia violência contra professores ou contra qualquer interveniente no processo educativo? De quem é a culpa? É urgente acabar com isso, tomando medidas capazes, legislando para o efeito e sem benevolência (nos casos de indisciplina, violência… é evidente!) pois sem disciplina, sem educação, sem autoridade dos professores, sem a exigência, sem ordem nas salas, sem gosto pelo estudo e pela escola não se vai a lado nenhum e os pais são a peça fundamental para que esta situação se inverta.

Quantas pessoas ainda hoje recordam aquele tempo em que a exigência e a autoridade dos professores eram factores preponderantes. Ainda, hoje, muitos dos que levaram bofetadas e até reguadas, porque eram malandros, comovem-se ao reencontrarem aquele professor que foi capaz de fazer deles verdadeiros cidadãos, caso contrário entrariam no mundo da ruína. Convençam-se, de uma vez por todas, é preciso tomar medidas para evitarmos uma situação caótica, cada vez mais acentuada, difícil de ser controlada. Os nossos políticos devem legislar e não é com a escola a tempo inteiro, em exagero, e com tanto facilitismo que o problema é solucionado.

Salvador de Sousa
(Professor da Escola Monsenhor Elísio de Araújo – Pico de Regalados – Vila Verde)