OS DEUSES DEVEM ESTAR MOUCOS

O estertor das bombas que vão explodindo aqui e ali neste país de vampiros encapotados em túnicas negras de falsos heróis, são vozes de burro que emudecem a caminho do céu. E consta que, mesmo em Belém , o celestial inquilino Cavaco apenas ouve ruídos surdos de histórias pouco edificantes que vai ignorando para não ter de corar de vergonha.
No BPN jazia há anos, envolta em espessos maços de notas, uma bomba-relógio cujo alcance global dos seus estilhaços persiste guardado no segredo dos deuses. E o seu potencial poder de morte e destruição foi pateticamente ignorado pelo Banqueiro-Mor, Víctor Constâncio, que foi incapaz de a desmantelar em devido tempo. Essa bomba continua com forte potencial explosivo, mas os “deuses” teimam em evitar mais explosões.
No Porto, em Gondomar e no Bessa ouviram-se estalar as bombas cuja pressão destruidora , em vez de deflagrar no Carmo ou na Trindade, feriu de morte o Estádio do Boavista. E há mais Estádios e mais Boavistas por esse país além. Mas os “deuses”, de ouvidos tapados, vão dizendo que não.
Em Lisboa, na mal frequentada 5 de Outubro, a ministra que os nossos senadores( Soares, Cavaco,…) tanto admiram ( menos pela inteligência que pela falsa coragem) contratou, a peso de ouro, na zona franca das amizades, um eis-juíz que, em vez de trabalho sério e competente, lhe deixou ficar, algures num gabinete abandonado, uma bomba-relógio por baixo de resmas de fotocópias. E seguramente haverá mais disto por lá! Mas os “deuses”, de ouvidos entupidos, vão achando que não.
Em Oeiras, uma bomba artesanal, mas de longo e devastador alcance, ecoou agora por todo o país e até na Suíça. Mas as mais altas instâncias, mais preocupadas em manter o status quo da podridão, mantêm os ouvidos tapados, e assobiam pr`ó tecto. .
Em Alcochete a bomba que já detonou parece apenas ter implodido, tardando em explodir deveras. Em Alcochete nada se perde, mas tudo se esconde e se transforma. Há evidências que se negam; velas acesas que se apagam; favores que se revelam primeiro e se negam depois. Espantosas escamoteações da verdade. Investigações que se fingem céleres, mas em contínua desaceleração até ao almejado esquecimento. E o deus de Belém, mudo e quedo, de ouvidos teimosamente ensurdecidos, teima em não ouvir coisa nenhuma.
Em Braga, o Sr. Corrupto Braga Parques acrescentou ao currículo um crime de corrupção activa e tornou-se presidente de uma empresa municipal, com a extraordinária aprovação e complacência do pseudo-socialista Mesquita Machado. E os deuses do Olimpo lisboeta persistem, com teimoso cinismo, na sua “divina” surdez.
E neste absurdo mar de falsos detonadores, em que o ruído é geral e quotidiano só me resta pasmar e dizer : “os deuses devem estar moucos”.

C.R.