Quinta-feira, 2 de Abril, 2009


Este mail chegou-me há uma semana. Relata a situação vivida numa escola onde quem cozinhou as regras vai beneficiar delas:

Estou numa escola, onde o presidente do conselho geral transitório pediu a demissão há cerca de uma semana com a intenção de concorrer a director. Toda a lista é composta por amigos chegados. Um desses amigos “redigiu os critérios” para a selecção do próximo director e pediu a demissão, pois foi convidado para ser vice do amigo. Esta semana houve reunião do conselho geral onde tomaram posse 2 elementos que eram suplentes dessa lista, para ocuparem os lugares deixados em aberto.
Claro que   moralmente isto é incorrecto, pois este processo não demonstra transparência nem lisura. Queria lhe perguntar se estes actos não serão ilegais.
Obrigado

A resposta parece-me simples. É deixá-lo concorrer e deixá-los tomar posse e depois… escolher aleatoriamente esta escola para impugnar todo o processo.

Conselho executivo demitido por «fugir» à avaliação

«Nesta escola não se cumpriu uma lei e houve uma recusa à participação», explicou a ministra da Educação.

Mas então o problema não foi a não existência de Conselho Geral Transitório?

E já agora, seria possível traçarem o perfil do escolhido para encabeçar esta tomada de poder? É que os elementos que tenho sobre o seu currículo recente perturbam-me um pouco…

Mais um detalhe: se o prazo para despoletar o processo de escolha do Director era dia 31 de Março porque será que antes já andavam a ser feitos convites por Peniche?

A resposta, em especial a parte em que afirma que «a comunidade local não quer tomar conta da escola nos termos que a lei exige» é algo surreal.

… que os representantes sindicais e dos movimentos que ontem se reuniram tenham abordado este assunto – que então já era actualidade – e que agora demonstrem toda a necessária solidariedade para com os órgãos de gestão demitidos e comunidade educativa do Agrupamento de Santo Onofre (Caldas da Rainha).

Era bonita uma manifestação comum…

Postado às 20.19 de hoje, dia 2 de Abril, para memória futura.

Acho espantoso que seja possível fazer este tipo de cálculos:

Maioria dos docentes já entregou objectivos individuais, diz Valter Lemos

(…)
Durante a interpelação do Partido Ecologista “Os Verdes” ao Governo sobre Educação, Valter Lemos anunciou que a maioria dos professores já cumpriu um do passos mais importantes do polémico processo de avaliação – a entrega dos objectivos individuais.

«A esmagadora maioria dos professores – mais de 75 por cento -entregou os objectivos individuais, demonstrando a responsabilidade que os docentes têm no exercício da sua actividade», assegurou Valter Lemos no Parlamento.

De qualquer modo, se 25% não entregaram, isso significa que cerca de 35.000 docentes os não entregaram. Bem acima do que eu esperava, que sempre pensei em 20-25.000 nos dias bons. Deveremos ser os «irresponsáveis» do sistema, os causadores de todos os males, os coitadinhos nas palavras do SE Jorge Pedreira, o outro gémeo do ME em matéria de abusos verbais para com os professores.

Quanto a quem entregou, em especial aos que são professores dos quadros, espero que tenham ficado felizes com o elogio de Valter Lemos.

Vejam lá, não venham um destes dias a ser elogiados pelo major Valentim pela vossa responsabilidade. Ou mesmo por aquele senhor Névoa que, condenado por corrupção, acaba nomeado para uma empresa intermunicipal.

Usados como carne para canhão no combate político já foram. Entreguem a fichinha de auto-avaliação e serão um dos maiores trunfos eleitorais no arranque do próximo ano lectivo.

Depois não vale a pena dizerem que andaram de crachá ao peito e não votaram…

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Conselho Executivo de Agrupamento de Santo Onofre destituído

O Conselho Executivo (CE) do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, foi hoje destituído e substituído por uma Comissão Administrativa Provisória (CAP). As alterações foram comunicadas pelo Director Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, que se deslocou à sede do agrupamento para dar conta da decisão aos elementos do CE, cujo mandato terminava no final do próximo ano lectivo.

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Este caso é formalmente o primeiro em que o ME toma de assalto uma escola, a coberto de uma legalidade duvidosa (afinal as leis do estado Novo, enquanto leis, também eram todas legais).

Não me parece que vá ser caso único.

Mas vai ser, certamente, um momento simbólico de todo este processo.

Repescando alguém sem qualquer experiência de gestao escolar, trazido de fora e sem qualquer ligação À Escola, o Director-Regional de Educação de Lisboa deu o primeiro passo num processo de tomada anti-democrática do poder nas Escolas onde nem todos os seus desejos são ordens imediatas.

A norte também se desenham situações similares.

Mas neste momento foi o Agrupamento de Santo Onofre, nas Caldas Rainha, o escolhido para servir de exemplo aos desobedientes.

Mas isto pode funcionar para os dois lados: pode intimidar, mas também pode acicatar.

É verdade que tudo isto acontece em período de interrupção lectiva e com um a capacidade de mobilização dos docentes, a nível local mas não só, mais reduzida.

Mas, de qualquer modo, este é o primeiro sinal do ME quanto ao uso da força bruta para dominar focos de incómodo. E perante isto impõe-se resistir.

E aconteceu no exacto momento em que MLR se foi auto-elogiar ao Parlamento.

Faz lembrar outro tipo de  episódios.

Não é de hoje que acho que a aceitação tácita da abertura a tomadas de poder deste tipo nas Escolas começou com a aceitação da constituição dos Conselhos Gerais Transitórios.

Neste momento, atacar um, duas, dez escolas ainda é possível ou viável.

Atacar 100 ou 200 teria sido impossível.

Resta saber o que pensam fazer todos aqueles que afirmam estar contra este modelo de gestão, mas estão a aceitá-lo tacitamente. Até com as melhores razões. Mas de boas intenções…

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