O caso de Santo Onofre, e sabê-lo-emos por certo quando o terceiro período se instalar e os prazos do 75/2008 começarem a escoar-se, não será único a nível do país.

Muito pelo contrário.

Aliás, só questões de reserva impedem que se conheçam desde já outros casos de assalto a escolas e agrupamentos onde os órgãos legalmente eleitos estão aser brutalmente pressionados para aceitarem o final do seu mandato ou para despoletarem o processo de escolha do Director.

Ficando a cargo das DRE, este assalto consiste na monitorização apertada do processo, seja com telefonemas, visitas ou mais raramente (quando se torna impossível evitá-las) com respostas escritas a ameaçar com a demissão os refractários às ordens da tutela.

Não interessa se essas ordens estão feridas de manifesta ilegalidade. O que interessa é mandar avançar a todo o custo para, chegando ao final do ano lectivo, se estender uma alcatifa propagandística com não sei quantos novos Directores escolhidos e/ou nomeados. Caso contrário, repescam-se uns colaboradores a jeito e nomeiam-se umas Comissões Provisórias que, nesse caso, já poderão estar em funções para além dos prazos considerados invioláveis.

  • Perante isto já houve a demissão de órgãos de gestão que preferiram não colaborar com o processo mas, ao mesmo tempo, optaram por não publicitar o seu acto fora de muros.
  • Em outros casos têm existido pedidos formais para que se fundamente a cessação dos mandatos em decurso, de modo a que os do 75/2008 se sobreponham a tudo o mais. O que motivou respostas claramente ameaçadoras.
  • Ainda outra situação é, como em Santo Onofre, a inexistência de candidatos ao cargo. Nesse caso promovem-se soluções alternativas, seduzindo aquele(a)s que se prestam a ser seduzido(a)s.

Mas talvez mais grave do que isso, em termos práticos, podem vir a ser situações em que, com a justificação de estarem por dentro do processo e assim o tentarem controlar, alguns colegas bem intencionados se vêem ultrapassados pelos acontecimentos e por coligações oportunistas para tomar o poder nas escolas a partir de fora ou de dentro.

O erro foi, em minha opinião e que me desculpem muito(a)s amigo(a)s que escolheram essa via, ter-se viabilizado a constituição de muitos Conselhos Gerais Transitórios. A verdade é que teria sido mais fácil conseguir isso do que a não existência de candidatos a directores.

Ninguém era obrigado a passar da Assembleia de Escola para o Conselho Geral Transitório.

Essa forma de adesão implícita ao novo modelo correspondeu, e lamento desagradar a muito, repito, à entrega dos OI no caso do processo de avaliação. Pode não parecer mas, em qualquer dos casos, corresponde a uma aceitação tácita do modelo proposto. A menos que exista alguma(s) carta(s) na manga. E que até as pode haver. Não sei é se haverá muita gente com a coragem para a(s) jogar em tempo útil.

Que cada vez é menos…