O MITO SOCRÁTICO

Na sua persistente casmurrice de não alavancar das cadeiras inutilmente ocupadas na 5 de Outubro pelo trio mais inócuo que por lá já passou, Sócrates está obviamente a utilizar o orçamento e o povo com o exclusivo e maquiavélico intuito de se grudar ao poder.

O povo, em geral, deixa-se ir facilmente na onda das percepções ou das aparências. Só assim se explicam os milhões gastos em fantasias publicitárias. Só assim se entende o elevadíssimo número de telespectadores que vêem telenovela. Só assim se percebe a elevada saída que têm os jornais desportivos.

Ora, ao povo, em geral, parece que Sócrates é um bom governante. E parece porquê?

Em primeiro lugar, porque Sócrates parece saber de tudo o que a língua lhe solta. E o que lhe sai da língua jorra de tal maneira que parece jorrar a essência e a verdade de tudo. Não se procura por entre a quantidade da “parra ” a qualidade da “uva”. Não se questiona se sob a capa do vasto e fresco “batatal” não jazem escondidos pequenos e leves “tubérculos”.

É verdade que Sócrates é um bom parlamentar. Mas já devíamos estar fartos de perceber que o bom parlamentar é um péssimo governante. Fala bem, tem um bom discurso. Certo. E a felicidade de todos alcança-se com a verve fácil e fluente de Sócrates?

Em segundo lugar, porque Sócrates parece um governante corajoso e persistente. E o povo gosta de governantes assim. Mas a verdade é bem outra: Sócrates não é corajoso nem persistente. Sócrates é apenas teimoso. E é teimoso porque exagera na ambição e na cobiça. Sócrates não tem um miligrama que seja de humildade política. O que anima o Primeiro Ministro é a chama dos falsos heróis. Dos mitos escondidos na espessura dos nevoeiros. Sócrates não passa de um adolescente a fazer de monarca. Sócrates é um D. Sebastião sem trono. Vive obcecado pela própria grandeza esquecendo o sacrifício dos outros. Sócrates sabe que o que tem feito à Educação deste país é um patético erro para o futuro de Portugal. Mas Sócrates prefere perseverar no erro por pura estratégia política., por mero impulso de sobrevivência e continuidade no poder.

Sócrates vive de aparências. E enquanto o povo o olhar por fora Sócrates continuará a ser um bom governante e um bom candidato. O pior é quando o povo acordar, e vir o que Sócrates tem dentro de si para lhes oferecer. Pena que esse dia chegue tarde demais.

C.R.