Domingo, 29 de Março, 2009


Elbow, One Day Like This

O inicio… do fim?

(…)
Eles acham que haver 12 telemóveis onde o gasto médio mensal é de 150 € por cada um é uma mordomia…

Acham que haver despesas de representação mensais a rondar os 4.000€ é uma mordomia….

Que querem? Manias? Eu não acho nada disso…. Acompanhar a excelentíssima e digníssima Ministra fica caríssimo! Ainda para mais como patroa, a gente não pode dizer que não!

Atitudes e comportamento dos alunos podem determinar subida de notas

Agora já com link e direito a destaque na edição online, pode ler-se o artigo de Bárbara Wong em que se procura analisar como são atribuídas as classificações, em especial no Ensino Básico, em função do peso relativo entre – e vou simplificar –  Conhecimentos/Competências e Atitudes/Valores.

Mais do que tomar partido por uma das posições, gostaria de destacar as duas principais perspectivas sobre este assunto, sendo que uma é considerada conservadora e rígida, tendo perdido apoio pelo menos de forma explícita, e a outra mais moderna, tolerante e flexível, sendo largamente dominante nos tempos que correm.

E gostaria de sublinhar que este debate mesmo que tenha interesse e desperte curiosidade aos leigos, é algo razoavelmente ultrapassado no quotidiano das escolas, pelo menos da larguíssima maioria das públicas.

Vejamos pois as duas perspectivas em confronto:

  • A teoria tida como tradicional considera que a classificação de um aluno numa dada disciplina deve decorrer naturalmente do seu desempenho académico e dos seus resultados. Com avaliação contínua ou não, considera-se que a avaliação deve incidir exclusivamente (ou quase) na demonstração do domínio dos conhecimentos específicos da disciplina e das competência para os aplicar. Em última instância um aluno poderia ter nota máxima aparecendo apenas nos dias definidos para a avaliação e tirando o seu 100% ou 20. Ao contrário, quem estivesse sempre nas aulas, atento e cooperante, bastaria ter 45% ou 9 valores para chumbar. Claro que isto nunca foi assim na prática, pelo menos com alunos em zonas de fronteira em escalas de classificação curtas como a de 1 a 5, em que há sempre factores não quantificáveis ou subjectivos a influenciar a decisão do docente quando se trata de fazer uma opção definitiva.
  • A teoria que se foi tornando dominante é a que considera que o aluno não deve ser apenas classificado em função do seu desempenho em momentos de avaliação, tidos como mais facilmente quantificáveis e objectivos, mas igualmente pela sua atitude e participação nas tarefas lectivas, pela forma como interage com colegas e docente, se traz sempre os materiais, como se comporta, etc, etc. Considera-se que a avaliação deve ser sobre o aluno enquanto presença integral nas aulas e não como mero gerador de resultados em fichas e testes. É uma perspectiva tida como mais ponderada e flexível. Pela minha experiência sei que muitas vezes é, efectivamente, apenas um pretexto para o coitadinho ele até é bom rapaz e porta-se bem, não merece chumbar. Mas isto também pode funcionar na inversa, embora com mais dificuldade: um aluno na linha de fronteira que se porta mal, não é pontual, perturba as aulas, irrita colegas e docente, pode ser penalizado e a sua média “académica” descer.

O peso relativo pode variar de escola para escola. Já conheci de 50& a 80% para os Conhecimentos e o resto para as Atitudes. Já trabalhei mesmo com uma escala em que existiam 11 parâmetros com valor equivalente , seis para as Atitudes e apenas cinco para os Conhecimentos.

E depois há uma variação muito gira, uma espécie de híbrido em que se pretende combater a objectividade redutora da avaliação quantitativa através da quantificação até à medula de todo o mais pequeno quesito (3% para a pontualidade, 5% para a assiduidade, 5% para a participação na aula, 3% para a ajuda aos colegas, etc, etc), tudo para servir em grelha apropriada, a preencher e esperar que o Excel faça as contas e sirva o nível final.

Vivi com todos estes sistemas e nunca deixei de dar a um(a) aluno(a) a nota que achei globalmente justa. Aqui que ninguém nos ouve ou lê, não encontrei nenhum sistema que conseguisse transformar uma mau aluno em bom ou vice-versa. Quanto muito pode fazer decidir para que lado salta quem está em cima do muro a balançar.

Por isso mesmo quase arrumo na categoria da bizantinice o debate em torno da consideração – e com que peso relativo – das Atitudes e Valores na classificação final de um aluno numa disciplina. Há quem ache essencial, há quem ache acessório. Eu nem acho, nem desacho. Apenas me digam quais são as regras, para saber com com que linhas me coso.

Já agora, e para rematar, no modelo de avaliação do desempenho docente o que achariam os defensores do maior peso das Atitudes na avaliação dos alunos em relação à introdução desse tipo de critérios na avaliação dos professores?

Porque, e digam-me se estou muito errado, encontro muita gente compreensiva e modernaça em relação à avaliação dos alunos do lado mais truliteiro e positivista no caso da avaliação dos docentes…

o-deserto-da-educacao012-2009

(c) Luís Cruz Guerreiro (que finalmente teve oportunidade para desenhar o homem-escorpião) e Paulo Guinote

Adenda: Mas ao que parece, por lá a tostadeira pedagógica não agradou.

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quadro

Já está na sala, apenas esperando que eu tenha a coragem de recorrer às minhas por demaisescassas competências bricolentas para o colocar no ponto certo da parede. Sei que é fácil, mas eu estou entre actas e balanços de contreúdos leccionados, pelo que vou ali e já venho.

Entretanto, aproveito para agradecer a todos os envolvidos, com destaque para o autor (Antero) e o transportador e empacotador (Teodoro).

Há fotos comprovativas dos momentos da entrega mas, por diversas razões, circulam apenas em privado.

Elbow, The Loneliness of a Tower Crane Driver

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