Quinta-feira, 26 de Março, 2009


PROFESSORES INFORMADORES

Nós por cá, que não entregamos OI, mesmo com notificação, fomos chamados à sala oval para o presidente da CAP nos informar que ia definir os OI dos 45 resistentes (eram 66 antes das notificações), ao contrário do que tinha escrito na notificação, o que justificou com a falta de solidariedade do ME para com os executivos. Enfim, ainda teve a lata de chamar os assustados pelas notificações para lhes perguntar se queriam aulas assistidas. O pior é que alguns aceitaram, uma vergonha.

Mas o que me fez largar os testes e os portofolhos foram algumas novidades das recentes reuniões de DT e departamento:

1º- A secção de Avaliação deste rebanho para (cito) operacionalizar a recolha de informação objectiva a ser utilizada no processo de avaliação docente elaborou uma ficha, que anexo, referente ao ponto C3- Participação nas estruturas de orient. educativa. Assim, na reunião de DT fomos informados que a ficha será distribuída a todos os docentes de cada CT, que farão a avaliação dos restantes colegas, durante a mesma reunião, designados por 1,2,3,..e a sua própria, com as classificações 1-para nunca,..4-para sempre, no que respeita quer ao cumprimento de prazos, tarefas, etc. Em todos os Conselhos (turma, departamento, pedagógico) há lugar a igual preenchimento. É fácil, explicaram: eu avalio-te a ti e tu avalias-me a mim. Nos relambórios relatórios finais dos coordenadores serão anexadas as referidas fichas.

Tendo surgido algumas dúvidas acerca de tal metodologia, alguém questionou:

-Então agora somos todos avaliadores?

Resposta de colega supostamente mais esclarecida:

-Não, colega, apenas vamos ser todos informadores!!!

Imagine-se a confusão. Mas diz que está tudo bem.

2º- A mesma secção de avaliação- taditos, uns moiros do trabalho- também informaram que têm uma ficha a ser utilizada no processo de observação de aulas, só que se esqueceram de referir que já há montes de aulas assistidas, pelo que há colegas que já foram avaliados com outras grelhas. Além disso o seminário sobre “Observação de aulas” de 5h oferecido pela DGRHE aos avaliadores com AA só foi ontem, depois de já terem assistido às aulas. Mas isso não interessa nada. Isto é só para atestar da falta de seriedade de todo este processo.

3º- Também gostaria de partilhar que fomos informados que, a despeito de toda a discussão política acerca do ajuste directo, no âmbito de Plano Tecnológico da Educação a nossa humilde escola, por ser sede do CF, vai centralizar as várias fases que constituem a instalação das redes locais o que inclui aquisição de serviços de Auditoria a Plano de Obra, Acompanhamento e Fiscalização de redes, e será enviado um convite a uma única empresa para realizar as várias fases. Se calhar estão a poupar papel nos convites, só pode ser. Também escusam de ter dúvidas que a resposta é que não nada da nossa competência, nós só estamos ali para ouvir as informações.

Colegas: estas coisas não acontecem só aos outros, previnam-se!

Adivinha:

Qual é a escola, qual é ela?

Tem o nome de um Poeta Algarvio

Dá-se bem com o poder

A sua máxima é: “Se queres conhecer o vilão põe-lhe uma vara na mão”

aaleixo1mar091

Segue-se a parte introdutória do parecer acima referido, em que são expostas 4 das 5 questões abordadas pelo parecer, apenas faltando a última, com a resposta ainda em elaboração sobre a questão da duração dos mandatos dos órgãos de gestão em exercício.

A Consulta

As questões colocadas pelo Grupo de Professores que nos consultou podem, no essencial, sintetizar-se da seguinte forma:

1ª Como é que uma “eleição” (do novo órgão “Director”) pode decorrer de, ou com, um processo dito “concursal” com análise curricular?

2ª Até que ponto quem participa nessa escolha pode ser alguém “exterior” aos elementos definidos no nº 4 do artigo 48º da LBSE?

3ª Até que ponto quem, de entre os docentes, escolhe o Director não tem afinal um interesse directo nessa escolha, visto que o futuro Director será o avaliador supremo na Escola/Agrupamento, logo dos próprios elementos do Conselho Geral Transitório?

4ª Sendo o futuro Director alguém não necessariamente professor titular, como se compatibiliza isso com o modelo de avaliação em que ele será o avaliador de todos os elementos da escola, quando é exigido que os avaliadores sejam necessariamente docentes com mais tempo de carreira do que os avaliados?

Ao longo do dia de amanhã serão divulgados alguns excertos deste novo parecer, ao mesmo tempo que serão transmitidos para a comunicação social.

O reino do arbítrio

Ministra e secretários de Estado da Educação não foram capazes, na AR, de dizer em que lei consta a obrigatoriedade da entrega de objectivos individuais pelos professores ou a possibilidade de os conselhos executivos se lhes substituírem ou lhes instaurarem processos disciplinares. O mais que conseguiram titubear foi: “Está na lei…”. Percebe-se porque contratou Lurdes Rodrigues o eminente jurista Pedroso e lhe pagou 290 mil euros para fotocopiar “Diários da República”, trabalho de tal “exigência técnica” e “complexidade” que ele não foi capaz de o completar.

Os números dizem tudo: entre 1820 e 1900, o ME produziu 29 diplomas; de 1900 e 1974 cerca de 500; de 1974 a 1986 mais 900. De 1986 para cá tem sido o Dilúvio: são tantas as leis, decretos, portarias e regulamentos que o pobre eminente jurista, prestes a afogar-se, fugiu a sete pés com o cheque no bolso, deixando para trás um monte de 44 pastas a abarrotar de fotocópias. Diz-se em Direito que “muitas leis, lei nenhuma”. Quem se admira que o ME seja o reino do arbítrio? Ali pode fazer-se tudo, que há-de sempre haver uma lei que o permita…

Boa tarde

Sou jornalista da revista Sábado e estava a contactá-lo para saber se porventura conhece alguém que preencha este perfil para um trabalho que estou a preparar: A propósito da fase de candidaturas para os colégios mais consagrados do País (por ex. St. Julian’s, Mira Rio, Salesianos, Maristas, etc.), com processos de selecção cada vez mais exigentes e demorados, procuro depoimentos de pais que tenham ficado bastante aborrecidos com o facto de os filhos não terem sido admitidos nestas instituições de ensino privadas. Pretendo que me expliquem toda a fase de selecção, as entrevistas a que foram sujeitos, o tempo que perderam e como se sentiram depois de passarem horas sem fim à espera de uma candidatura que, afinal, foi chumbada. Em suma, a angústia e desespero que este processo gera nos encarregados de educação. Aguardo uma resposta com a maior brevidade possível até amanhã à tarde, dia 26, visto que tenho de fazer entrevistas a partir do dia seguinte. Já agora, acha que era possível divulgar este pedido no seu blogue?

Atentamente

Raquel Lito
raquellito@sabado.cofina.pt

Talking Heads, Burning Down the House

… está quase a chegar.

QUEM TEM MEDO DOS PROFESSORES?

Nos últimos tempos o país tem assistido a um verdadeiro turbilhão no mundo da educação. Nesta reflexão prendo-me apenas com as diversas medidas que o governo socratista (e nada socrático) tem tomado relativamente aos professores. Criou- se um novo Estatuto da Carreira Docente, cindindo a carreira a meio para que apenas um terço dos professores possam ascender ao topo da carreira, independentemente do facto de muitos outros terem qualidade para lá chegar; desautorizaram-se os professores resultando num crescendo de casos de violência escolar de alunos e pais contra os docentes; ultrajou-se de forma vil e nunca vista na comunicação social a classe docente, assacando-lhe inteira responsabilidade pela decadência do sistema de educação, quando esse peso impende totalmente sobre os vários governantes que têm ao longo destes últimos 30 anos campeado pela 5 de Outubro; encarou-se a escola como um lugar onde os
pais depositam os filhos, com a escola a tempo inteiro; por fim, tenta-se impor um modelo de avaliação de desempenho dos professores made in Chile, modelo que, esclareça-se, nunca viu os resultados da sua aplicação serem avaliados no próprio Chile, até porque nunca foi executado de forma ortodoxa, como agora se tenta em Portugal, e porque rapidamente foi substituído por outro, certamente menos delirante do que o anterior.

Acresce ainda a alteração do regime de administração das escolas, surgindo agora os directores, que a curto prazo, resultarão de nomeação política, sim porque ainda há muitos boys em demanda voraz dos seus jobs. Destes directores dependerá em boa parte a avaliação dos
docentes e, em perspectiva, o seu recrutamento.

Olhando para esta tempestade legislativa, tenho para mim que tudo isto faz muito sentido. Afinal, o poder político receia os professores. Não que inundem as ruas de Lisboa em manifestações; não que parem as escolas com greves, não que suspendam a avaliação dos alunos como forma de luta. Não! O Medo é outro, bem mais rebuscado, o da luta pela sobrevivência. Diz uma campanha inglesa promovida, não por sindicados, mas pelo próprio Ministério da Educação inglês,
que OS PROFESSORES SÃO A DIFERENÇA ENTRE A BARBÁRIE E A CIVILIZAÇÃO.

Num país civilizado valorizam-se social e profissionalmente os professores; mostra-se consideração por eles como agentes primordiais de civilização, de fomento do espírito crítico e da liberdade de pensamento junto dos seus alunos; num país civilizado favorece-se a qualidade de ensino, estimula-se a exigência, que é diferente de sucesso estatístico; incentiva-se a qualificação científica e contínua dos professores. Num país civilizado, a escola pública é um espaço
privilegiado, mesmo único, de promoção social daqueles que à partida provêm de meios mais desfavorecidos. Num país civilizado, as famílias e a sociedade convivem numa cultura de valorização da escola como espaço de aprendizagem, de exigência, e de garantia de um melhor futuro.

Comparemos com o que se passa entre nós: em Portugal, os professores são insistente e publicamente achincalhados por aqueles a quem cabe a maior responsabilidade em os valorizar; em Portugal, os professores são reduzidos à categoria de, guardiões de crianças, entretainers e meros estimuladores de competências; em Portugal, não se incentiva a qualidade das aprendizagens, nem a exigência, antes corrompem-se os professores para que promovam o falso
sucesso, para a OCDE ver; em Portugal, atribuem-se diplomas a granel através das Novas Oportunidades, como se a idade fosse condição exclusiva para a aquisição de conhecimentos; em Portugal, não se valoriza a competência científica dos professores: aplica-se um modelo de avaliação que na sua versão original permitia que os docentes fossem avaliados por outros de áreas científicas diferentes; nesse modelo, e no agora simplificado, não consta qualquer item de apreciação sobre a qualidade científica dos professores; em Portugal arremessa-se a escola com uma torrente de legislação desconexa, que nem vários Joões Pedrosos, contratados a peso de ouro, conseguem articular, semeando consciente e propositadamente o caos na escola pública e obrigando muitos pais a colocarem os seus filhos em escolas privadas; em Portugal, não se
promove a cultura de escola como veículo de valorização no futuro; equipara-se a escola unicamente a um depósito, sem exigência nem excelência, entretendo os alunos com uma nova modalidade de circensis: Magalhães e quejandos; em Portugal, o governo de Sócrates tem-se esforçado com denodo por funcionalizar os docentes, proletarizando-os, fragilizando-os social, profissional e economicamente, para que sejam reduzidos a um mero braço do regime.

De um regime que quer alfabetizar, ensinar o básico, mas non troppo e se esmera em dotar os seus futuros cidadãos de algumas habilitações académicas que mascaram uma alarmante iliteracia, vazia que qualidade científica, despida de espírito crítico e civicamente apática. Uma sociedade acéfala, sem capacidade de julgar, de questionar e de reivindicar. Para tal, é imperioso que se domestiquem os professores, classe que neste país inundado pela ignorância se destaca
intelectual e cientificamente. É imperativo que os docentes, que desde Abril sempre foram livres de ensinar, de ensinar a pensar e de formar, não estimulem os alunos e futuros cidadãos para a interrogação e a crítica, não vão eles perceber a tibieza intelectual, técnica e o deserto de capacidade científica que são apanágio daqueles que ora nos governam.

Futuramente não deverão surgir alunos como aquele do 9º Ano que, na aula de História após o congresso do PS, ao analisarmos um cartaz do manual relativo ao Estado Novo que incentivava à
votação na Constituição de 1933, utilizando uma linguagem maniqueísta –  “Quereis a desordem e a indisciplina, ou a disciplina e a ordem?” -, constatava que entre este discurso e o fatalismo de “ou a maioria ou o caos!” de José Sócrates, iam mais de 70 anos de distância, mas uma inquietante proximidade demagógica.

Questionámo-nos se essa demagogia frutificaria em todos os países ou só nos que ainda não foram devidamente civilizados, e a resposta foi óbvia. Ainda estamos longe dos níveis de civilização intelectual e moral da maioria dos países ocidentais, e este governo, tende disso plena consciência orquestrou uma campanha sem precedentes contra os professores alimentando-a de
um discurso eticamente primário, populista e nada civilizado: o discurso da inveja (Os “professorzecos”, os coitadinhos, como ainda recentemente foram alcunhados por Jorge Pedreira no Parlamento, lugar de suposta elevação política, são uns privilegiados: têm sido uns verdadeiros malandros que trabalham pouco e recebem muito, facto pelo qual a Ministra pediu cinicamente desculpa também no tal Parlamento.

Ainda por cima nunca foram avaliados!). Que melhor argumento do que este para colher numa sociedade onde pontifica largamente a cobiça, a incultura e, mesmo, a boçalidade?! Os que desta forma agem sobre aqueles que fazem a diferença entre a civilização e a barbárie, hipotecando o futuro de toda uma sociedade para alimentar os seus interesses e se perenizar no poder, não são apenas irresponsáveis. Mais do que isso, cometem um crime de lesa-democracia e de lesa-República. São os que se arrogam no direito de achar que

“É só porque toda a gente é tão estúpida/Que há necessidade de alguns tão inteligentes./“Será que governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira/São coisas que custam a aprender?”.
(Bertold Brecht, Dificuldade de Governar).

Lia Ribeiro

Escola Secundária do Entroncamento

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