Terça-feira, 24 de Março, 2009


Hard-Fi, Can’t Get Along (Without You)

É a resposta do Presidente da Comissão Executiva Instaladora da EB 2/3 de Macedo de Cavaleiros ao pedido de Certidão de Teor motivado pela notificação, com o anúncio das penalizações, dirigida a 70 docentes, por não terem entregue os Objectivos Individuais.

Note-se que esta resposta é de calibre bem superior às dadas pelo Ministério da Educação, mesmo se alega como base da sua fundamentação o nº 4 do artigo 40º do ECD para justificar a introdução dos OI no simplex, o que é de duvidosa validade.

Este exemplo serve ainda para demonstrar como, pelo país, há muito bom órgão de gestão pronto para sacrificar os colegas a troco do sossego da tutela.

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Ou seja o despacho 8065/2009: despacho_8065_2009_teip2_listagem_escolas_prioritarias.

Portaria valteriana (nº 303/2009) para tentar desenrascar o problema das habilitações para leccionar castelhano, a que alguns chamam espanhol.

Mas afinal sempre havia algum problema?

Se puder divulgar, agradecia.

http://www.peticao.com.pt/responsabilizacao

Creio que será difícil os professores não concordarem com isto.

L.

Olá Paulo,
Um amigo meu, historiador (Julião Soares Sousa – http://juliaosousa.blogspot.com), iniciou uma petição para a

Candidatura de Henrique Rosa à presidência da República da  Guiné-Bissau http://www.peticao.com.pt/henrique-rosa.

Se puderes divulgar, agradecia.

G.

Não percebo, muito sinceramente, o sentido desta queixa num Orçamento de milhares de milhões de euros:

Ministério da Educação estima gastar 600 mil euros com horas extraordinárias irregulares e horários mal atribuídos

Lembremo-nos que isto significa, para todo o país, menos do quintuplo do valor do famoso contrato com João Pedroso.

Ainda se estivessem preocupados com isto (já antigo), ou isto, ou mesmo isto, ou ainda isto, para não falar na mais recente derrapagem  em matéria de Obras Públicas:

Ministro minimiza derrapagem de 11 milhões nos molhes

Não se deve ignorar que este é o ministro-jamé que tem a seu cargo parte da responsabilidade na distribuição dos Magalhães, outro negócio cujos contornos financeiros ninguém parece conhecer.

E estão preocupados com um gasto adicional, num universo de 140.000 horários, com um valor inferior a 3 apartamentos ali na esquina da moda, ao preço antigo, que agora nem deve dar para 2?

Brincamos, não?

PS só leva a votos Jorge Miranda se tiver garantia prévia de aprovação

O PS só levará a votos no Parlamento o nome do constitucionalista Jorge Miranda depois de ter a garantia de que o seu candidato obterá os dois terços necessários para ser eleito provedor de Justiça.

Chet Atkins e Mark Knopfler

Isto era para ter entrado há 8 horas. Et tu, WordPress?

Pelas 9 da manhã tocam-me à campaínha.

Pensei para comigo: É desta!!!

É desta que a encomenda que espero há 2 semanas e teve duas entregas falhadas por motivos que desconvém comentar me vai chegar!

Afinal não!

Era um jovem técnico da PT que me vinha instalar o MEO em casa, sendo que eu tenho o MEO instalado há ano e meio.

Adivinhei logo a razão do erro: lá veio ele bater-me à porta de casa porque confundiu a rua onde moro com a praceta com o mesmo nome.

Isto acontece pela milentésima vez nos últimos anos. Eu bem posso tentar explicar que uma rua é uma rua e uma praceta uma praceta. Que se distinguem bem pela morfologia. Para não dizer pelas placas respectivas, sendo que a da minha rua está bem visível a cerca de 50 metros da minha casa em painel de azulejos.

Lá fui eu muito gestual, explicando que minha rua é bem recta e dificilmente se confunde com uma praceta que, por definição, terá uma forma arrendondada, oval, quadrada, rectangular, sei lá.

Desta vez o rapaz abespinhou-se com o meu protesto e alegou que não sei quê as pracetas têm formas estranhas e que só seguiu o GPS.

Pois claro.

O GPS.

Quais mapas!

Quais placas toponímicas!

O GPS com vozinha a dar recomendações, para evitar usar o cérebro e os olhos.

Cheguei à porta e apontei-lhe a placa com o nome da rua e perguntei-lhe se não sabia ler, ou apenas olhar em busca de indicações, em vez de apenas seguir cegamente o gadgetzinho.

Acho que se foi embora aborrecido.

Mas não se deve voltar a enganar.Pelo menos por estas bandas.

(Já agora, a minha última encomenda na Amazon está com 2 semanas de atraso, não fazendo ideia sobre o local onde terá ido parar. O mais certo é alguém ter ficado feliz com 90 euros de livros novinhos em folha.)

Ontem comecei a via sacra das auto e heteroavaliações. Eu sei que devem ser feitas por todas as razões que estarão a pensar, mais ou menos algumas.

Mas tem as suas compensações.

Na primeira turma em que as fiz, houve 100% de acerto na autoavaliação quanto às classificações que pretendo atribuir no final do período.

Há momentos em que chego a acreditar que as coisas quando são claras, são claras (e aqui não vai qualquer comentário subreptício de natureza étnico-cultural, ok?).

Estudantes saem hoje à rua para pedir o fim de Bolonha, das propinas e dos exames nacionais

Lamento se sou céptico, mas isto parece-me assim a modos que.

“Magalhães” em falta chegam antes da Páscoa

Os computadores Magalhães “encomendados até à semana passada” pelas escolas serão distribuídos “antes da Páscoa”.

O anúncio foi feito, na noite de segunda-feira, pela directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira. Falando num debate sobre Educação organizado pelo Núcleo Associações de Pais de Matosinhos, explicitou que foi essa a informação que lhe deu o “ministro Mário Lino”, responsável por este dossiê.

Só na Região Norte faltam ainda “cerca de 140 mil Magalhães”, indicou ainda a mesma responsável, em declarações feitas à Agência Lusa, referindo, porém, haver já várias escolas equipadas com este computador.

Margarida Moreira respondeu assim a uma observação feita pelo presidente da Federação das Associações de Pais da Trofa, que ali foi convidado pela organização do debate e aproveitou para notar que “os Magalhães ainda não chegaram às escolas”.

Mais 53 mil desempregados nos últimos dois meses

Mais fome leva Cáritas a criar refeitórios sociais

Isto é no DN, que no JN a parada sobe:

Mais 60 mil perdem trabalho num mês

Interessante por vir de quem vem, do sector que vem, mesmo se no final da leitura se fica sem se perceber bem se…

Revolutionary School

B. é professora numa escola secundária de Lisboa, bairro chique, a curta distância do centro de decisão política do País. Em trinta anos de carreira, conviveu com as mutações ideológicas do sistema educativo, com os voluntarismos e as experimentações pedagógicas no ensino público e com a deterioração dos valores de sociedade. “Eu, que pensava ser possível educar, de modo igual, o pobre como o rico, o rural como o urbano, o branco como o moreno, dou comigo a dar graças por cada dia que passa sem ser vítima de uma agressão” – afirma B., professora de português numa escola pública onde o Estado levou por diante mais uma bem intencionada experiência de integração sociocultural.

B. está cansada. Cansada de uma escola onde pululam gangues e a insegurança se entranha na pele e nos comportamentos de todos – estudantes, funcionários e professores. Cansada de gastar o seu tempo a proteger os alunos “normais” das investidas dos desordeiros, quando não de famílias inteiras de malfeitores. Cansada de não lhe sobrar tempo para ensinar. Cansada de assistir à capitulação do sistema perante a indisciplina e a sistemática desautorização dos professores. Cansada do desinteresse dos pais perante a sorte dos filhos. Cansada de guerra.

Dantes, relata B., a ideia da reforma era um tormento. Para a maioria dos professores, a sua vida era a sua escola. Hoje, sempre que alguém se aposenta há festa, onde não faltam lágrimas ao canto do olho dos que ficam, num misto de saudade e de amargura por não terem a mesma sorte. Diz-se, por graça, que o registo de bons serviços prestados à Educação se mede pelo número de equimoses contraídas em combate.

Não, não é a avaliação nem as carreiras que incomodam B. (encolhe os ombros, com enfado, às lógicas sindicais). É o sentimento de impotência perante a desordem reinante, os baixos índices de auto-estima e realização profissional e, sobretudo, a frustração de ver fenecer uma das mais belas causas de Abril – a escola inclusiva.

Devemos ficar surpreendidos com as taxas de aproveitamento e abandono escolar no ensino secundário? Com a pobreza de conhecimentos em disciplinas nucleares, como o Português ou a Matemática? Com a disseminação de uma matriz cultural assente no salve-se quem puder? Não. Uma árvore destas não pode dar bons frutos. Mas, como tratá-la?

Não escondo as perplexidades que a matéria me coloca. Entendo e apoio os princípios da universalidade e da integração, mas não aceito que impere a lei da canalha. As escolas não podem ser jaulas nem quartéis, é certo, mas têm a obrigação de fazer respeitar a disciplina e a ordem, sob pena de fracassarem na sua missão. Não é admissível que uma turma inteira veja os seus trabalhos escolares permanentemente prejudicados pela atitude selvagem de um(a) jovem a quem obrigam a ir a uma escola que odeia, à excepção dos intervalos onde se diverte a aterrorizar os colegas, e que provavelmente nunca completará.

Nos tempos da escola selectiva, o sistema educativo tratava dos casos de indisciplina com mão de ferro – suspensões e expulsões. Sendo raros os estudantes oriundos de minorias étnicas (a mais problemática, a cigana, não passava da instrução primária), a ordem era mais fácil de manter. Hoje, os conselhos directivos das escolas secundárias fogem das medidas disciplinares como o diabo da cruz. Sabem que à mais pequena sanção arriscam-se a ser agredidos ou a ver a escola invadida pela família do jovem-injustamente-perseguido, normalmente mais arruaceira do que o próprio jovem.

Recordo-me de uma reportagem realizada algures na Bósnia, onde se dava conta do primeiro caso de sucesso na integração escolar das duas principais comunidades. “As turmas são mistas?”, perguntou o repórter. “Isso não. Os miúdos sérvios têm aulas de manhã e os muçulmanos à tarde”, respondeu o director sem pestanejar. Será sistema?