Segunda-feira, 23 de Março, 2009


Tubeway Army, Are Friends Electric?

A partir do post abaixo é possível contactar com duas ideias ou conceitos que vão ganhando terreno em matéria de avaliação dos docentes nos países onde as medidas que agora queremos (ou melhor, quer o ME e papagueiam alguns dos seus próceres) adoptar se revelaram brutalmente falíveis.

Claro que a aplicação de qualquer dessas ideias implica um conjunto de condições envolventes e de preparação que nem sempre se coadunam com calendários eleitorais.

  • Avaliação, ou recompensa, com base no valor acrescentado observável ou quantificável nos alunos por parte de um professor. Ou seja, valorizar a evolução do aluno ao longo do tempo, mais do que o resultado final. Isto implica continuidade pedagógica e avaliação externa constante e coerente nos seus princípios, de maneira a ser possível ver a evolução do desempenho do grupo de alunos de um dado professor ao longo do tempo (2, 3, 4 anos). O estímulo estaria tanto ou mais na melhoria do alunos e não apenas na obtenção de bons resultados, o que poderia levar mais facilmente a ser reconhecido o trabalho de quem consegue elevar maus resultados para satisfatórios e não apenas de quem os consegue manter elevados. Mantém-se o inconveniente, obviamente, de se estar condicionado pelos resultados, mas esse ser um condicionamento relativo.
  • Avaliação, ou recompensa, com base no trabalho de um grupo (disciplinar, conselho de turma, escola) e não apenas dos indivíduos, no sentido de fomentar o trabalho em equipa e não uma competição que leva, muitas vezes, a climas de não partilha de experiências e soluções. Desta maneira, os resultados  considerados não o são apenas numa base individual e atomizada, mas no contexto de um grupo que trabalha em conjunto no sentido de elevar o desempenho dos alunos de uma dada turma, de uma dada disciplina ou de uma escola.

Estes conceitos são estranhos ao modelo de ADD legislado pelo ME porque são menos imediatos, não se implementam em dois anos, acarretam um trabalho preparatório de médio prazo  e implicam uma ideia diferente e menos linear de accountability do que aquela que se vulgarizou na discurso híbrido de economês e sociologês que tomou conta de alguns sectores – limitados é certo – das Ciências da Educação e da opinião publicada.

Acredito que também levantem reservas a quem considere que não deve existir qualquer tipo de avaliação do sistema de ensino, salvo para os alunos, ou nem mesmo para eles (e há quem o ache, inclusivamente como credo sincero).

Obama’s Grand Education Plan: Can It Really Work?

(…)
Realizing Obama’s grand vision would require intense discussion to hammer out a number of difficult and politically charged questions about what we value about teachers and learning–Which subjects are most important? What does good teaching look like? And while incentives for teachers who take on assignments in hard-to-staff subjects and schools are a good idea, any performance-pay plan should prioritize rewarding teachers for how much their students actually learn. The standard assumption is that teachers would be paid based solely on their students’ standardized test scores, but that doesn’t have to be the case. An 8th-grade student who enters a classroom reading on a 4th-grade level, and ends the year reading on a 6th-grade level won’t pass an 8th grade exit exam, but that student’s teacher has still done a remarkable job.

Merit pay should be based on multiple measures, like evidence of value-added student growth (such as the gains of that 8th-grader), fair evaluations of teacher performance, a teacher’s adoption of school leadership roles, and yes, even test scores and job seniority. Many experts recommend a combination of shared and individual performance incentives, meaning that part of a teacher’s compensation would be based not only on his or her individual performance but also on that of the school as a whole or of a team within the school. This helps address the concern expressed by some that merit pay would motivate teachers to compete against one another, rather than help each other out.

Head forced to quit by stress wins £400,000 payout

Council to pay negligence claim after breakdown forced teacher to quit
A primary school headteacher was awarded more than £400,000 in damages yesterday after suffering a nervous breakdown which forced her to give up her job.

Erica Connor, aged 57, was awarded the compensation against Surrey County Council for negligence in protecting her, following a campaign against her by governors during which she was accused of racism and Islamophobia. The payout is thought to be one of the biggest ever awarded to a headteacher.

Deputy High Court Judge John Leighton ruled she had been given insufficient support by the council after it became clear that she was suffering mental health problems.

Mrs Connor was head of New Monument primary school in Woking, Surrey, for seven years up until 2005 – and oversaw a big improvement in the school’s national curriculum test results for 11-year-olds in her first few years. The school serves a multi-ethnic community.

Professora agredida à dentada por avó

Adivinha-se avó ainda razoavelmente jovem e com dentição invejável ou então recomenda-se o seu dentista ou ortodontista ou protésico dentário, ou isso.

Alunos do CEF sentem-se enganados por Ministério

Quando se inscreveram, há dois anos, nos cursos de Educação e Formação (CEF), os cerca de 50 mil alunos afirmam que receberam a garantia de que teriam as mesmas condições que os estudantes dos cursos regulares para fazerem o exame nacional de acesso à universidade. O problema é que os alunos do CEF descobriram que as matérias que dão, nada têm nada a ver com o exame nacional.
(…)
No entanto, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desvaloriza esta preocupação referindo que «o professor não está lá para ser explicador dos alunos para os exames».
Valter Lemos recusa ainda responsabilidades e garante que as escolas sabiam que estes cursos tinham regras diferentes e deviam ter avisado os alunos.

Quem ouvisse hoje Valter Lemos no noticiário das 17.00 da TSF a desviar as culpas pelo «engano» de que os alunos se queixam julgaria, por certo, que foram as escolas a avançar voluntariamente para os cursos de CEF e EFA e que foram os seus órgãos de gestão e respectivos professores que apareceram a vangloriar-se pelo aumento do número de alunos neste tipo de cursos.

A verdade é bem diversa e uma das alunas que falou foi clara: esta opção foi-lhes apresentada como uma via rápida – mesmo sem usar fax – para concluir o Secundário, com notas mais altas e conteúdos programáticos mais acessíveis. Quem aprova tais cursos e tais conteúdos? Que os promoveu de forma activa, demagógica e propagandística?

Claro que muita gente foi fazer cursos pseudo-profissionalizantes de nível III apenas a cheirar uma forma mais fácil de chegar à Universidade e agora descobre que tudo foi um embuste.

Se as escolas têm culpa de alguma coisa é de terem sido demasiado macias e terem aceite de forma muitas vezes acrítica esta política do ME que, como as Novas Oportunidades, se descobrirá não passar de uma enorme manobra de diversão sem sustentação nenhuma e com escassos efeitos na melhoria efectiva da qualificação da população ou no seu nível de empregabilidade.

De qualquer maneira, este(a)s aluno(a)s não devem desesperar porque, logo que completem 23 anos, têm um outro programa fast-lane para o sucesso universitário.

Quanto a Valter lemos fez apenas a segunda parte daquilo em que é especialista: primeiro quer recolher os louros pelo lançamento de grandes ideias, mas depois está indisponível para arcar com as responsabilidades pelas suas 8esperadas) consequências.

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Visão, 19 de Março de 2009 (agradecendo ao Fin Deckard o envio)

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