Isto é apenas uma espécie de desabafo, que tem um relativo interesse em ser público.

Todos os que andam nestas andanças têm os seus momentos de cansaço, têm momentos em que erram na apreciação, em que estão mais reactivos a críticas, em que apetece bater com a porta, tratar da vidinha e os outros que se lixem.

Nos últimos dias parece que desagradei a vários sectores apenas porque dei a minha opinião sobre algumas situações. Em on e off recebi diversas críticas quanto à minha postura «altaneira» e pouco solidária para quem acha que merece essa solidariedade.

Não chegou ainda o momento certo para fazer a estória pequena de alguns equívocos, muitos egos (que não só o meu) em choque e diversas discordâncias estratégicas.

Chegou apenas o tempo para dizer que estou cansado e que, ao contrário de outros, daqui a um ano devo estar a fazer o mesmo que estou a fazer agora, provavelmente só não estarei às 8 da manha a escrever aqui, porque estarei a preparar-me calmamente para ir para as aulas.

Talvez por saber tanto do que se passa nos bastidores desta imensa encenação com diversos palcos e muitos actores comece a ficar mesmo entediado e enjoado com muita coisa.

Quem me conhece bem e comigo priva há mais tempos sabe que eu não tenho muito mais paciência para isto. Não é falta de capacidade de resistência e de reacção. É apenas uma incalculável inadequação para este tipo de coisa. Em que cada um cuida de si, quantas vezes ao abrigo de uma capa de altruísmo.

Embora exista muita gente boa que dá o litro ou que, mesmo com medo, vai resistindo por aqui e ali, procurando um apoio e uma palavra de coragem para continuar.

São esses que me (pre)ocupam a maior parte das 3 horas diárias que passei a perder/ganhar com o blogue.

Há muita gente irritada comigo, muita gente a dar-me conselhos, a querer apontar o caminho certo, a dar-me exemplos de quem faz bem as coisas. Pela manhã li uns quantos mails com esse tipo de registo, algo condescendente e paternalista, acusando-me daquilo que seria melhor encontrarem em si mesmos.

Por uma vez não me apetece nomear as autorias, até porque foram trocas privadas.

Mas apeteceu-me deixar aqui registado que começo a ficar mesmo farto, fartinho de me quererem apontar o caminho certo.

Hoje ainda vou até ao Parlamento, porque prometi à Reb. Mas quer-me parecer que para este tipo de peditórios, de exposição pública, vou deixar de dar. E nunca me forçarei a fazer aquilo que não me apetece ou para que acho não ter vocação.

Porque eu conheço as minhas limitações.

Também tenho direito a tratar da minha vidinha.