Segunda-feira, 16 de Março, 2009


Deixando para depois a forma agradável como o jornalista coloca algumas perguntas, estendendo um tapete rosa para a resposta desejada e desejável, fixemo-nos agora na questão da avaliação, em particular dos objectivos individuais:

Para si é claro que os professores têm a obrigação de entregar os OI?

A entrega dos OI é um dever. Sem objectivos não há processo de avaliação.

Haverá mesmo penalização para quem não entregar os OI?

Pode haver ou não. Não é o ME que tem esse poder disciplinar sobre os professores.

E os presidentes dos conselhos executivos (PCE) devem substituir-se aos docentes mais renitentes?

Essa decisão deve ser ponderada em função de cada estabelecimento. As escolas são muito diferentes e o estatuto dos professores dentro das instituições também. O ME não pode substituir os CE. Os CE devem ter margem para decidir sobre a sua escola.

Tomem lá atenção a estes três detalhes, em que MLR ou escapa à verdade dos factos ou procura sacudir todas as responsabilidades pelo que decorra nas escolas, ao mesmo tempo que – inadvertidamente – abre a porta para algo diferente da sua resposta á Comissão de Educação do Parlamento:

  • A entrega dos Objectivos Individuais é um «dever» e sem ele não pode existir avaliação? Como? Então MLR não conhece o artigo 44º do ECD, no qual estão definidas as fases do processo de avaliação? Ou será que MLR fez aprovar um ECD errado?

art44

  • Afinal pode haver ou não penalização de quem não entregar os OI, porque o ME não tem poder disciplinar sobre os professores. A responsabilidade é atirada directamente para os órgãos de gestão. O que tem a sua parte boa, porque agora, com estas declarações, não há PCE que se possa escudar na tutela, dizendo que a culpa é de cima. Claro que sabemos que a avaliação com base no SIADAP é um problema, mas a partir de hoje a Ministra deixou o(a)s PCE completamente desprotegidos.
  • O que é que significa que «o estatuto dos professores é diferente dentro das instituições»? Que cada escola decide à sua maneira e fé em Hórus que depois logo se vê? Acaso reparam os caríssimos observadores mais ou menos interessados que Maria de Lurdes Pilatos lava completamente as mãos quanto à decisão de crucificação – ou não – dos professores «mais renitentes» (este entrevistador é um pândego… terá comido bolachinhas como o outro?)

Adenda: Ao que parece a resposta dada à Comissão de Educação e de que hoje houve notícia, não é confirmada pelo que se lê nesta entrevista, o que é confuso. Muito.

Na maior parte das entrevistas da Ministra da Educação encontram-se numerosos erros factuais, dificilmente explicáveis – ao fim de 4 anos no cargo – por desconhecimento. Entrevistadores pouco informados ou demasiado acomodados à situação deixam-nos passar sem contraditório, sendo necessário – apesar de aborrecido e repetitivo – andarmos por aqui a repescá-los.

Mas a bem do rigor há que o fazer.

Vamos ao primeiro da entrevista publicada hoje no JN avivando-o para melhor se notar:

Durante 10 anos, tivemos sempre menos alunos e mais professores. Duplicámos o orçamento e os resultados escolares não denotavam qualquer recuperação, sobretudo no Secundário. Estávamos a distanciar-nos cada vez mais dos outros países europeus. Era urgente resolver o problema da rede escolar. As reacções às mudanças são muitas vezes proporcionais à perplexidade causada pela própria mudança.

A duplicação do Orçamento, mesmo não especificando (habilmente) os anos a que se refere (1996-2005?, 1999-2008?) é um mito. Basta espreitar os orçamentos disponíveis no site do Gabinete de Gestão Financeira para se perceber que esta afirmação é completamente infundada, para não dizer coisa pior.

Aliás, entre 1999/2000 (menos de 1.20o milhões de contos) e 2004/05 (menos de 6.000 milhões de euros) o que se verificou foi a quase completa estagnação da despesa consolidada. Se alargarmos o período até 2007/08, pouco se altera.

Embora já não surjam disponíveis no site, lembro-me perfeitamente de ter consultado orçamentos anteriores, de meados dos anos 90, e nada do que é afirmado (duplicação do Orçamento do ME) tem qualquer fundamento para os últimos 10-15 anos.

Adepto iraquiano mata jogador adversário que poderia empatar jogo

Um adepto iraquiano matou, domingo, a tiro um futebolista da equipa adversária, numa altura em que este estava isolado frente ao guarda-redes e tinha a possibilidade de marcar um golo que empataria o desafio.

Muthanna Khalid, responsável da polícia iraquiana, revelou que quando um jogador da equipa amadora de Buhairat estava isolado frente ao guarda-redes, durante um jogo de amadores em Hillah, um adepto da equipa de Sinjar atingiu-o com um tiro na cabeça, quando faltava um minuto para o jogo terminar.

A fonte policial indicou que o espectador foi detido.

B-52’s, Roam

Paulo

Eu participei na mobilização de várias escolas aqui no Norte para não entregarem os OI’s. Direi que até tivemos algum sucesso.

Mas com representantes sindicais destes, o que fazer?

O mail que te deixo em baixo é de uma colega da Escola cuja PCE é mais papista que a papisa. A maioria dos professores desta Escola não entregou os OI’s

Para espanto meu soube que um representante do SPN foi à dita Escola deixando-os completamente desorientados.

A confirmação veio a seguir com o e-mail deste colega.

Será que os sindicatos já se sentem derrotados deixando os professores que não entregaram os OI’s abandonados?

Se assim é de facto é triste!

Segue o mail do colega:

“Boa noite *******!

Desculpa estar nova/ a incomodar-te. Esteve presente na minha escola, esta semana, um representante do SPN para nos fazer um ponto da situação. Eu compreendo, e até agradeci a sua sinceridade porém, deixou-nos completamente siderados. Começou por dizer-nos que 100 000 prof. entregaram os OI e 40 000 não o fizeram. Um colega perguntou-lhe se sabia o nº, desses 40 000, cujos PCE fizeram os OI por eles? Não soube responder, dizendo que podemos ser muito poucos os que realmente estamos sem OI. Perguntamos se as providências cautelares tinham resposta relativamente rápida, também nos disse que vai levar bastante tempo, e que até lá podemos ser sancionados pelo SIADAP (processo disciplinar, 90 dias de suspensão, período sem vencimento…), ou seja, sermos transformados nos bodes expiatórios. Praticamente nos disse que de nada servirá entregar a ficha de auto avaliação porque vai sair qualquer coisa nesse sentido.

Ora como a nossa PCE ainda não retomou as notificações, prometido via e-mail após abrir novo período de entrega de OI, (e que parece não acabar), colegas saíram da reunião com vontade de, a ser assim, e estando completamente desprotegidos, entregar-se o PDP. Provavelmente irá realizar-se uma nova reunião de prof. que não entregaram os Oi e que, já nem sabemos quantos somos, pois nesta escola tudo é pretexto para avançar com novas notícias que comprometem o futuro.

É uma escola onde tudo está controlado, eu diria um ME em miniatura.

Há ou não motivo para recear algo mais que o congelamento na progressão?
A equipa da CCAP vem à minha escola esta semana. A escala das pessoas que irão ser ouvidas (dizem que segundo constrangimentos de horários) foram escolhidas a dedo. Os resultados já sabemos antecipadamente, um verdadeiro “sucesso”.

Podes dizer-me algo de positivo no meio de tanta angústia?

Os sindicatos, também estão a levar por tabela. Reduziram o seu número e ficarão muito poucos para tantas escolas. Assim sendo como nos será dado o apoio?”

Lurdes Rodrigues: “Sindicatos fazem chantagem com pais”

Eu sou pai, mas não me senti chantageado, deve ser do meu feitio altaneiro.

A entrevista merecerá mais logo a devida atenção, pois deve marcar uma das últimas aparições mediáticas de MLR antes disto entrar tudo em colapso e a linguagem ultrapassar ainda mais estes excessos indesculpáveis numa ministra que se afirma ainda com alma de qualquer coisa-ista.

… e parece ter demorado mais de uma semana a fazer:

Estudo afirma que nova avaliação dos docentes prejudicou aluno

“Aumentar o enfoque na performance individual do professor causou um considerável e estatisticamente significativo declínio nos resultados dos estudantes.” A afirmação parece saída do discurso de um dirigente sindical. Mas não é. O seu autor é um português, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) de Bona, na Alemanha. E os dados em que se baseia foram divulgados pelo Júri Nacional de Exames, em Portugal.

Mas as conclusões do estudo “Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation”, de Pedro S. Martins, a que o DN teve acesso, não deixam ainda assim de se prestar a muita polémica.

Não só por o autor concluir que as medidas de “valorização” profissional dos professores introduzidas pelo actual Governo criaram um clima de “torneio” na classe, que conduziu à “inflação das notas internas” e a piores resultados nos exames nacionais. Mas, sobretudo, porque, apesar de o estudo remeter para dados entre 2002 e 2008, estas afirmações parecem ser sustentadas, apenas, pelos resultados escolares de 2006/07.

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