Este meu post parece ter irritado sobremaneira parte dos dirigentes da APEDE. O Mário dirige-me um longo comentário que revela a fermentação de um imenso mal-estar quanto ao facto de eu me manter desalinhado e não militante de nenhuma organização e não comparecer às chamadas, enquanto o Francisco me chama, sem grande subtileza, mentiroso.

Compreendo o vosso incómodo.

Só que eu não sou nenhum movimento, nem quero fundar nenhum.

Apenas gosto de dar a minha opinião, quando me apetece, em liberdade, sem que me apontem o dedo em riste, acusando-me de heresia, heterodoxia e tudo o mais.

Mas se apontam tudo bem. Aguento-me. Já levei dos confapianos-tendência-alva, dos socialistas-da-silva, dos sindicalistas-com-muitos-pergaminhos-na-luta e agora faltava levar no toutiço do pessoal dos movimentos, por quem tenho estima pessoal, com quem teria e tenho todo o gosto em tomar um café ou confraternizar, mas que preferem fazer encontros com os quais não me identifico desde pequenino, não é de agora.

Algo que sempre lhes disse, mas que parece ser novidade. No post em causa escrevi o seguinte:

Há muito que acho que os chamados «movimentos independentes» devem lutar pela Educação com ideias próprias e não apenas contra alguém. Sabem disso, já lhes disse.

Os movimentos deveriam funcionar como massa crítica ou uma espécie de think-tank e não se deixarem enveredar pela estratégia do «eu sou mais radical que tu».

Quanto ao resto, é compreensível o desejo de pressionar os sindicatos para serem mais activos. Mas nesse caso lembrem-se das velhas questiúnculas de sempre em relação a quem define a agenda da «luta».

Não me parece que isto seja ofensivo para ninguém, muito menos para quem acha que há quem tenha «cus de cristal». Afinal sempre os há. Curiosamente, ou talvez não, a pessoa que se poderia sentir mais directamente visada – o Ilídio – soube manter a conversa em torno disto num registo privado.

Poderia recuar a Janeiro de 2008 e relembrar o que então o Mário, o Francisco, eu e também o António falámos sobre isto, que ideias existiam, que planos de acção se achavam ser os melhores.

Disso tudo, em consciência, acham que fui que me afastei mais?

E acham que estou obrigado a ficar calado quanto àquilo de que discordo?

Em nome de quê?

Não sou é hipócrita e não estou disponível para andar a fazer pontes entre margens estreitas, quando não se sabe qual é o caminho certo ou se pede aos outros para o desbravarem. C0mo se pode ler aqui, já há a quem cheire a aliados no tiro ao boneco chato.

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