Domingo, 15 de Março, 2009


U2, The Fly

o-deserto-da-educacao010-2009

(c) Luís Cruz Guerreiro e Paulo Guinote

  • De que adianta bater palmas ao Manuel Alegre e aos que consideram corajosos por se erguerem contra as nomenklaturas organizacionais originais, se não suportamos sequer que alguém exterior nos critique e às suas nóveis organizações?
  • De que adianta fundar um movimento para renovar o associativismo docente e reclamar o direito a criticar os sindicatos, se queremos vedar as críticas que nos são dirigidas?
  • De que adianta reclamar o meu direito à opinião livre, se depois achar que ninguém tem o direito de me criticar?

Já me chegaram as críticas em off por me reunir para jantar com grupos de amigos e não ter problemas em mostrar as imagens desses encontros. Aliás, o Gui Fon até pode ficar a saber em on que espero ir à Póvoa do Varzim no dia 4, assim chegue lá inteiro.

É que acho muito estranho quando quem desalinha acha que só há uma forma de desalinhar.

E, claro está, a culpa é sempre da comunicação social, essa matilha malandra que cheira os cordeiros ingénuos como as abelhinhas cheiram o pólen das florzinhas.

Vão-me desculpar, mas a unidade dos docentes só se pode construir a partir da noção da diversidade de posições e da sua discussão clara e aberta. Para discussões em circuito fechado já tínhamos os outros que tanto criticámos.

Este meu post parece ter irritado sobremaneira parte dos dirigentes da APEDE. O Mário dirige-me um longo comentário que revela a fermentação de um imenso mal-estar quanto ao facto de eu me manter desalinhado e não militante de nenhuma organização e não comparecer às chamadas, enquanto o Francisco me chama, sem grande subtileza, mentiroso.

Compreendo o vosso incómodo.

Só que eu não sou nenhum movimento, nem quero fundar nenhum.

Apenas gosto de dar a minha opinião, quando me apetece, em liberdade, sem que me apontem o dedo em riste, acusando-me de heresia, heterodoxia e tudo o mais.

Mas se apontam tudo bem. Aguento-me. Já levei dos confapianos-tendência-alva, dos socialistas-da-silva, dos sindicalistas-com-muitos-pergaminhos-na-luta e agora faltava levar no toutiço do pessoal dos movimentos, por quem tenho estima pessoal, com quem teria e tenho todo o gosto em tomar um café ou confraternizar, mas que preferem fazer encontros com os quais não me identifico desde pequenino, não é de agora.

Algo que sempre lhes disse, mas que parece ser novidade. No post em causa escrevi o seguinte:

Há muito que acho que os chamados «movimentos independentes» devem lutar pela Educação com ideias próprias e não apenas contra alguém. Sabem disso, já lhes disse.

Os movimentos deveriam funcionar como massa crítica ou uma espécie de think-tank e não se deixarem enveredar pela estratégia do «eu sou mais radical que tu».

Quanto ao resto, é compreensível o desejo de pressionar os sindicatos para serem mais activos. Mas nesse caso lembrem-se das velhas questiúnculas de sempre em relação a quem define a agenda da «luta».

Não me parece que isto seja ofensivo para ninguém, muito menos para quem acha que há quem tenha «cus de cristal». Afinal sempre os há. Curiosamente, ou talvez não, a pessoa que se poderia sentir mais directamente visada – o Ilídio – soube manter a conversa em torno disto num registo privado.

Poderia recuar a Janeiro de 2008 e relembrar o que então o Mário, o Francisco, eu e também o António falámos sobre isto, que ideias existiam, que planos de acção se achavam ser os melhores.

Disso tudo, em consciência, acham que fui que me afastei mais?

E acham que estou obrigado a ficar calado quanto àquilo de que discordo?

Em nome de quê?

Não sou é hipócrita e não estou disponível para andar a fazer pontes entre margens estreitas, quando não se sabe qual é o caminho certo ou se pede aos outros para o desbravarem. C0mo se pode ler aqui, já há a quem cheire a aliados no tiro ao boneco chato.

doraemon

Magalhães tem um clone em Taiwan

O portátil Magalhães, uma das apostas de José Sócrates, tem um clone em Taiwan, o netbook KuroKids Doraemon. Apesar de à primeira vista parecer o mesmo computador, os dois portáteis têm várias diferenças, a começar pela «capa».

kurokids

rosazulrosazul1

prima1

ccbNão se deixem desmotivar pelo subtítulo da exposição. Nem por ser no Museu Berardo/CCB. Vale a pena.

courier1courier2

Courrier International, nº 957 (de há duas semans, estava soterrado…)

pub15mar09

Não vou acrescentar muito mais ao que já escrevi em outras ocasiões sobre este assunto: o trabalho em causa não justificava a encomenda e muito menos o preço.

O facto de agora se saber que o que foi feito não ultrapassará muito aquilo que existe há muito nos arquivos do ME (e para os séculos XVIII, XIX e boa parte do século XX já existem colectâneas de legislação publicadas), ou que se poderá fazer em alguns dias de pesquisa em bases de dados bibliográficas, apenas prova que tudo isto foi outra coisa.

untitled-108

Eu acho injusto que se critique o líder da Confap por querer que as escolas estejam abertas, mesmo que seja 25 horas por dia, 8 dias por semana.

Muito menos que se coloque em causa a sinceridade das suas posições que, de outra maneira, poderiam ser consideradas terceiro-mundistas e completamente a despropósito em comparação com a prática dos países mais desenvolvidos do centro e norte da Europa.

Muito menos que se lhe aponte que este modelo visa tornar o Estado como guardião das crianças do povo, em detrimento das sacrossantas «famílias», Deus nos livre e guarde que façamos alguma coisa contra elas, nomeadamente as que se acoitam sob a asa protectora do seu grande farol.

Porque Albino Pinto de Almeira faz a defesa destas posições de forma que se sabe pessoalmente desinteressada.

Vejamos:

  • APA, que saibamos, afirma-se consultor, logo é mais que certo que não é proletário globalizado, sujeito a horários de trabalho deprimentes, pois se considera que terá compromissos laborais libertos de constrangimentos muito rigídos, o que lhe permitirá recolher a sua prole em devido tempo, sem necessidade de a deixar doze horas entregue a outrem.
  • APA, que saibamos, não tem crianças em idade de ser recolhidas obrigatoriamente pelos progenitores, pelo que a sua defesa de uma escola aberta de par em par à espera que os pais possam cumprir 10 horas ou mais de trabalho diários (sem contar com deslocações) é perfeitamente altruísta e apenas a pensar nos outros.
  • APA, que saibamos, já não tem educando(a)s no sistema público de ensino básico pelo que este seu denodo constante pelo aprimoramento do dito sistema lhe é ditado pelo mais nobre desejo de, aperfeiçoando a Escola, aperfeiçoar a Sociedade e o País, elevando todos a patamares de excelência só imagináveis em utopias ridentes.

Fosse eu, reles zeco, com criança em trânsito entre o pré-escolar e o 1º CEB em agrupamento já a rebentar pelas costuras de tão bem planeado e metade do casal sem saber onde ficará a trabalhar e em que termos no próximo ano lectivo, seria motivo para se pensar que estava a pensar em interesses próprios.

No caso de APA, nunca, por nunca ser, pois tudo é em defesa dos interesses de outros que não os seus, como acima se demonstrou em três tempos.

É, pois, injusto, que lhe tenham colocado uma setinha virada para baixo.

untitled-109

SÍNTESE DO ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES EM LUTA
LEIRIA, 14 DE MARÇO DE 2009

O Encontro Nacional de Professores em Luta reuniu, neste dia 14 de Março, cerca de 200 professores em Leiria oriundos das mais diversas regiões do país, de Barcelos, de Vila Real, das Caldas da Rainha, da Grande Lisboa, de Almada, de Setúbal, de Faro, etc.

Os movimentos promotores da iniciativa levaram diversas moções e propostas, às quais se acrescentaram outras dos colegas presentes. O debate em torno das propostas foi vivo e intenso, tendo-se centrado nos tópicos maiores que hoje preocupam os professores: como reunificar a classe docente? Que iniciativas desenvolver para resgatar a luta dos professores do impasse actual? Quais as formas de luta mais eficazes para fazer recuar o Governo e para o forçar a ceder no essencial das nossas reivindicações?

Do debate gerado entre os participantes no Encontro resultaram três grandes propostas:

  • Realizar uma manifestação nacional, que propicie a desejável reunificação dos professores acima referida, e um outro tipo de iniciativa agregadora, como um Fórum ou uma Conferência Nacional, que articule sindicatos, movimentos e outros agentes do sistema educativo no combate por uma escola pública democrática e pela salvaguarda dos direitos de quem nela trabalha.
  • Propor aos sindicatos que auscultem os professores, em todos os agrupamentos e escolas não agrupadas, sobre as formas de luta que tencionam desenvolver ao longo do 3.º período e que, nessa auscultação, os professores sejam chamados a pronunciar-se sobre três ideias, apresentadas em alternativa ou de forma complementar:
  1. – Uma greve de três dias de todos os trabalhadores da Função Pública.
  2. – Greves sectoriais dos professores, que culminariam num dia final de greve geral acompanhada de uma manifestação nacional.
  3. – Greve às avaliações do 3.º período que, a ser aprovada pelos professores, se deverá pautar pelas seguintes recomendações: ser entendida como um último recurso no caso de as negociações com o Ministério da Educação não conseguirem responder aos principais anseios dos professores; assentar numa preparação cuidada e criteriosa, com sessões de esclarecimento organizadas pelos sindicatos em todas as escolas e uma campanha de informação junto das associações de pais e da opinião pública em geral.
  • Substituição da ficha final de auto-avaliação por um relatório crítico no qual os professores deixarão claro que assumem a relevância da avaliação do desempenho, mas que rejeitam liminarmente este modelo, relatório esse que deverá também incluir uma crítica das condições actuais do exercício da profissão docente e um reflexo da luta que os professores têm estado a travar.

O Conselho Geral Transitório tem, segundo a Lei, que aprovar o Regulamento Interno até dia 31 de Março. Este órgão, último reduto da Democracia na Comunidade Escolar e Educativa, pode, se assim o entender,  promovê-la: Aqui fica pois, uma sugestão relativa ao processo de eleição do Director Executivo:

As candidaturas a Director Executivo, depois de aceites pela comissão, serão divulgadas e submetidas à apreciação da Comunidade Educativa, através de voto secreto.

No Processo de eleição do Director, o Conselho Geral, ponderará, de entre os demais elementos contemplados na lei, o resultado daquela consulta.

Não há nada na lei que impeça o Conselho Geral de auscultar quem directamente intervém no processo educativo, pais, professores e funcionários. O será que há? Que vos parece?

A. A.

Nota minha: Teoricamente os elementos do C. G. T. deveriam representar os corpos que representam, certo? É para isso que estão lá, correcto? Eu acharia interessante que, depois da análise curricular, os representantes auscultassem os seus representados. Seria uma boa prática, dentro da lógica do 75/2008, sendo que eu discordo, como se sabe, da sua legalidade, mas isso são outras conversas…