“É ilegítimo” julgar pai que esqueceu bebé no carro

Constituído arguido homem que se esqueceu do bebé fechado no carro

Julgar o pai que esqueceu esta quinta-feira o filho dentro do carro, em Aveiro, mesmo tendo-lhe ceifado a vida, “é ilegítimo”. Especialistas ouvidos pelo JN defendem que a responsabilidade será “mais civilizacional e menos individual”.

Este assunto é muito delicado.
Não conheço mais do que aquilo que a imprensa escrita deu a conhecer sobre o caso.

A minha primeira reacção foi a de tentar saber se o pai teria ficado retido por um imprevisto que o impedisse de entregar a criança do jardim de infância que, ao que parece, ficava perto do local de trabalho.

Não quero sequer imaginar a dor sentida por ele com o sucedido.

Mas…

Não me venham dizer que o que aconteceu se deve a uma «responsabilidade civilizacional». Até percebo a raiz desta argumentação políticamente correcta ao ponto do enjoo. Que os ritmos da vida actual levam ao desnorte, à perda da noção das coisas, devido a uma aceleração dos ritmos de vida que está a desregular completamente a conduta de muita gente e a conduzi-los ao imprnesável.

Mas, desculpem-me lá, usar a desculpa civilizacional também serve para justificar outro tipo de crimes.

Estão preparados para assumir isso como argumento geral?

Não defendo a condenação do pai em Tribunal algum, mas justifiquem isso de outra forma. Assim não. É uma porta aberta para toda desresponsabilização individual pelos actos cometidos.