a8f59e3cNa edição de hoje do Expresso temos direito a uma análise razoavelmente detalhada do festival de erros de alguns dos materiais ditos pedagógicos que, em nome do software livre e à borlex, povoam o Magalhães.

O que se percebe é que quiseram colocar cá fora as tostadeiras azuis o mais depressa possível, sem qualquer controlo de qualidade dos conteúdos aceitando tudo o que pudesse embaratecer os custos, mesmo se à custa da falta de qualidade.

O festival de asneiras do “Magalhães”

Há frases mal construídas, outras que começam na segunda pessoa do singular e continuam na terceira (tratam o leitor por tu e por você), expressões absurdas e frases que simplesmente não fazem sentido.

Como é notícia de jornal, depois da denúncia de um deputado, é capaz de ser levado a sério. Se fossem professores a dizê-lo seria considerado uma «atávica» manifestação de conservadorismo e má língua.

Ortografia, sintaxe e gramática – nas instruções dos jogos do computador portátil Magalhães nada resiste às inovações do “magalhanês”. Há palavras repetidamente mal escritas, outras inventadas, verbos mal conjugados, vírgulas semeadas onde calha, acentos que aparecem onde não devem e não estão onde deviam.

Há frases mal construídas, outras que começam na segunda pessoa do singular e continuam na terceira (tratam o leitor por tu e por você), expressões absurdas e frases que simplesmente não fazem sentido.

Nalguns casos, as instruções que deviam ajudar a utilizar os jogos complicam de tal maneira que não há quem perceba o que está em causa.

Lê-se e não se acredita. “Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde”, lê-se nas instruções do processador de texto – isso mesmo: “gravar-lo e continuar-lo”. “Dirije o guindaste e copía o modelo”, explicam as intruções de um puzzle – assim: “dirije” com “j” e “copía” com acento no “i”. “Quando acabas-te, carrega no botão OK” – “acabas-te”, em vez de “acabaste”.

Tudo isto se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem no computador Magalhães, conforme descobriu o deputado José Paulo Carvalho, depois de navegar na área lúdica do computador.

Ontem, depois de ter sido confrontado pelo Expresso com a existência de mais de 80 erros destes no portátil que já foi distribuído a 200 mil crianças, o Ministério da Educação informou que vai pedir a todas as escolas que retirem esse software dos computadores dos seus alunos. E vai ser solicitado à JP Sá Couto, empresa fabricante do Magalhães, que não inclua esses jogos nos computadores que ainda vai produzir.