Não segui o Congresso do PS com a mínima das atenções. Em termos televisivos estive lá menos de 5 minutos, os necessários para ouvir o Ricardo Costa – com um sorriso de orelha a orelha – dizer que os críticos só falavam fora do recnto e nenhum ousava sequer ir discursar no evento.

Sorri quando ouvi dizer que Vital Moreira tinha recebido a Comenda do Parlamento Europeu e quase ri quando soube do apagão.

Quanto ao resto fiquei com a sensação de estar a passar-se algo entre uma espécie de convenção americana e congresso cubano em que só se ouvem laudas e nada se discute. Muito menos a infalibilidade do Grande Líder.

Como escreve hoje José Manuel Fernandes há mais debate num Congresso do PC. E eu acrescentaria do próprio PC norte-coreano ou do chinês (do qual existiram delegados de alto nível em Espinho).

No entanto, algo veio confirmar o que eu já antevi há quase um ano: a área da Educação, a par com algumas medidas de tipo social para consumo à esquerda, vai tornar-se a principal arena da propaganda eleitoral de José Sócrates.

As distribuições do Magalhães continuam e os atrasos até dão jeito. As Novas Oportunidades têm imensos diplomas para oferecer ainda. E agora fazem-se promessas que visam satisfazer as «famílias» mais fáceis de convencer, desde uma anunciada obrigatoriedade do ensino pré-escolar (alguém me explique como se pode fazer uma promessa destas que depende de obras em grande parte da responsabilidade das autarquias…) a um maná de bolsas para o ensino secundário, quando se sabe que as do ensino superior andam atrasadas, e bem atrasadas (aqui, mas não só), devido ao aumento dos pedidos decorrentes das dificuldades existentes.

A verdade é que o Governo considera que, através de medidas na Educação, consegue aliciar um maior número de eleitores do que em outras áreas, pois são iniciativas que atingem um maior número de «famílias». E basta ver como o Pai da Nação está de volta aos ecrãs e às declarações a torto e a direito.

E a isto também não deve ser estranho um qualquer calculismo acerca do rendimento eleitoral da manutenção do conflito com a classe docente, que se mostra uma espécie de irredutível aldeia gaulesa, encarada como útil enquanto bandeira da luta contra os «interesses corporativos» (embora sejam deixados incólumes aqueles que mais danos têm provocado ao país).

Por isso, Sócrates vai usar a Educação como arena privilegiada para o combate político na campanha eleitoral e estará enganado quem acha que será com acções de tipo tradicional que o Governo recuará nesta área da governação, pois é por aí que procura aliar a conquista de votos à esquerda (com as prendas do costume e promessas mil) com a sedução do eleitorado mais conservador (que se assusta com os bichos-papões sindicais e o «poder da rua»).

Disso é exemplo claro a forma como parecem ir voltar à estaca zero as negociações para a revisão do ECD. E é muito provável que nem a apressada abertura da FNE colha grandes proveitos.

Preparem-se, portanto, para seis meses muito complicados de gerir nas escolas, com todo o tipo de pressões e truques a serem usados para demonstrar como os docentes acabaram por ser vergados perante a firmeza do Governo.

Contra isso há que saber usar a inteligência e a demonstração da nossa razão perante o assalto de demagogia populista que se aproxima.

E tanto quanto força há que ter resistência e firmeza.