Este é um tema que já passou por diversos textos deste blogue e muitos mais comentários.

Até que ponto o que é incómodo deve ser discutido abertamente ou deve ser reservado para fóruns de iniciados, a que só devem aceder os detentores de pergaminhos de antiguidade e autoridade?

A resposta maioritária é quase sempre a mesma: sim, tudo deve ser discutido com abertura e transparência. Mas a verdade é que, na prática, há vacas sagradas espalhadas pelo caminho, uma das quais é a análise da conduta das organizações sindicais.

É só tocar na (in)coerência de algumas atitudes e metemo-nos em trabalhos. Lembro-me logo do Jorge Coelho a dizer que quem se metesse com o PS levava logo. O mesmo se passa com o movimento sindical e, há que chamar os bichos pelos nomes, com a Fenprof que, por muito serviços que tenha prestado aos docentes, não pode arrogar-se do direito da infalibilidade e intocabilidade.

Mal se lhes toca numa pontinha das vestes, logo salta alguém de dedo acusador em riste, afirmando que só quem esteve na luta x e y, no cordão e na marcha w e z, para não falar na vigília de mil oitocentos e quarenta e três é que tem direito a pronunciar-se. E, claro, dizem logo que os críticos não passam de oportunistas que beneficiam das conquistas e quem em nada contribuíram para elas.

Como se criticar, discutir, fosse atacar e pretender o extermínio da espécie.

Ok. Pronto. Não se fala nisso, Finge-se que nada existiu, façamos de conta, como naquela crónica que tantos gostam de citar do Mário Crespo.

  • Façamos de conta que não houve gente que incitou a lutar contra a ADD mas que, mal os ventos se tornaram mais agrestes, correram a entregar os Objectivos Individuais.
  • Façamos de conta que, perante isso, ninguém afirmou que os delegados são escolhidos pelos associados de base e que as cúpulas sindicais não têm responsabilidades por nada.
  • Façamos de conta que isso só aconteceu em alguns sindicatos e não em todos.
  • Façamos de conta que, por estes últimos dias, a presença dos sindicatos nas escolas não tem sido quase em exclusivo por via de algum papel, visto que há gente de carne e osso que ainda se embaraça com o seu papel nesta estória.
  • E, para não incomodar mais, façamos de conta que é melhor não discutir nada disto, em nome de uma série de valores, o primeiro dos quais é a Unidade da e na Luta e tal, que alguns foram dos primeiros a quebrar.

E, já agora, façamos ainda de conta que não há matérias da dita Luta que estiveram a cair quase no olvido, como algumas já parecem ter caído, desde logo o novo modelo de gestão escolar.

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Adenda: Este texto diz o que diz, não dirá aquilo que alguns gostariam que dissesse, para comodidade das suas reacções. De qualquer maneira mais vale ofenderem em on do que em off, entre quatro paredes. Eu não tenho a pretensão e certamente que não o dom da infalibilidade.