Como é possível que um governo escudado na chamada “legitimidade democrática” altere todo o quadro legal em que se estruturava a Escola Pública Democrática Portuguesa, cujos princípios estão consignados na Constituição da República, instituindo um quadro que faz da Escola uma empresa, operando, deste modo, um verdadeiro “golpe de estado” na Educação?

Não haverá mecanismos legais que processem um governo que tendo apresentado ao Povo Português um programa leve a cabo outro?

Como é possível continuar impune um governante que recorre a mecanismo de chantagem e intimidação para obrigar que se cumpra pela força, o que pela razão e justiça os professores se recusam a fazer?

Chantagem e intimidação não são crimes?

Nenhum professor consciente teve dúvidas, ou tem, que a chamada “avaliação” dos professores, instituída pelo actual governo absoluto nunca teve como objectivo aferir o mérito de um professor, mas tão só , promover mais um mecanismo ao serviço de arbitrariedades. Como se compreenderá que, quem consiga estômago bastante para participar nesta embrulhada legal e neste processo de “avaliação” sinuoso e subjectivo, possa ser um bom, muito bom, excelente professor e os milhares, cuja consciência cívica e moral não o permita, sejam professores medíocres, lançados no fundo da tabela dos concursos?

A máscara caiu: Eis para que serve a avaliação deste governo: Medir o grau de subserviência de um professor.

A excelência de um professor não se mede em formas, made in Chile, a excelência de um professor constrói-se todos os dias, dando-lhe condições materiais para ter acesso à cultural e não, como fizeram, reduzindo-os à indigência; a excelência de um professor constrói-se, exigindo-lhe formação científica e pedagógica, e não, como fizeram, retirando-lhe a formação; a excelência de um professor constrói-se, promovendo a sua liberdade e dimensão humana e não, como fazem, sujeitando-o a comportamentos desviantes da sua dignidade.

Eis o governo que temos: Até o partido que os levou ao Poder hipotecaram!: É este o partido que Mário Soares fundou? É este o partido que ajudou a construir a democracia portuguesa?

Não.

Os professores portugueses têm o dever cívico de dizer: Não. Os professores têm o dever cívico de defender a Democracia que Abril fez nascer.

Anabela Almeida