Caros colegas

Anexo o doc. que irá sair no dia 19 do corrente (2ª feira) no Diário do Minho.
Ainda não sei exactamente o nº de subscritores mas será elevado.

Divulguem, por favor.

A. Azevedo

LIBERTAR A DIGNIDADE, ZELAR PELA QUALIDADE

Manifesto dos Professores da Escola Carlos Amarante (Braga)

A Escola Carlos Amarante é uma das escolas de Braga com tradição de qualidade e todos os que nela hoje trabalham têm como objectivo manter e melhorar essa imagem de qualidade, para que ela não seja apenas uma saudade de tempos já passados.

Os sucessivos rankings das escolas, baseados nos exames nacionais, provam que a Carlos Amarante continua a ser uma escola de excelência a nível concelhio e distrital e uma escola de referência nacional entre aquelas que não estão sedeadas nos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra.

Além do sucesso nos exames e na taxa de colocação nas Universidades, a qualidade do ensino e da aprendizagem na Escola Carlos Amarante é também comprovada por outros factos: participação meritória de alunos em concursos escolares nacionais e internacionais da Física e da Matemática, séria formação contínua e pós-graduada dos docentes, projectos inovadores nas áreas das tecnologias educativas, intercâmbios internacionais de reconhecida qualidade, prémios conquistados por trabalhos de professores, de alunos ou pelos atletas do Desporto Escolar.

Por último, mas não menos importante, a Escola Carlos Amarante tem feito tudo isto sem trair a sua vocação de escola pública: acolhe alunos de todas as condições e consegue ainda ser uma escola de referência na educação de alunos portadores de deficiência, abraçar decididamente o desafio do ensino profissional e apostar na educação e formação de adultos.

Um corpo docente estável e a dedicação e colaboração de professores, alunos e funcionários são a chave deste sucesso: há a preocupação em cumprir com zelo as tarefas escolares mas também de formar os alunos, de preencher e alargar as suas expectativas e de lhes dar as condições para que se sintam bem na escola e na sociedade.

Herdeiros e co-autores deste património agradável aos alunos e às suas famílias, os professores da Carlos Amarante não temem ser avaliados, mas também não deixam que o espírito do saber autêntico e do humanismo libertador ou a sua dignidade pessoal e profissional fiquem reféns do autoritarismo político ou do calculismo individualista.

Simplificar a avaliação não foi um progresso, só tornou menos visível a mediocridade essencial de um modelo transformado em Lei:

1.      Cria procedimentos sem rigor, competência, imparcialidade ou equidade;

2.      Ameaça tornar conflituoso o clima na escola, em vez de estimular a cooperação entre professores para se criar uma escola mais estimulante;

3.      Rouba tempo precioso para o que é essencial: ensinar e aprender;

4.      Não resulta, na prática, em melhorias do ensino, das aprendizagens ou da formação da maioria dos professores;

5.      É um modelo incoerente: promove a mediania e é incapaz de distinguir bons e fracos desempenhos;

6.      É um modelo preconceituoso e pessimista: encara o professor em geral como alguém negligente que só muda se tiver prémios ou castigos.

A tradição, o presente e o futuro da Carlos Amarante nascem de um realismo com ideais e alimentam-se de objectivos pessoais e colectivos incompatíveis com este modelo de avaliação medíocre, pois ele confunde ensinar e aprender com embelezar estatísticas, reduz educar a fabricar mão-de-obra, resume tudo à actuação individual do professor, ignorando que, desta forma, sacrifica o bem maior dos alunos e das alunas e o futuro técnico e cultural do país a critérios economicistas ou ao egoísmo político.

No absoluto respeito pela liberdade de decisão de todos os colegas e conscientes da eventual perda de vantagens pessoais a curto prazo, é por imperativo de consciência que recusamos submeter os nossos objectivos a este modelo – seria uma aceitação implícita de um Estatuto da Carreira Docente e de um modelo de Avaliação de Desempenho iníquos, contra os quais temos lutado e continuaremos a lutar.

Renovamos, finalmente, a nossa inteira disponibilidade para colaborar institucionalmente com todos os interessados no desenvolvimento de um modelo verdadeiramente alternativo: fiável, justo, imparcial e capaz de estimular as mudanças necessárias para fazer mais e melhor, para promover a excelência na qualidade do ensino e da aprendizagem.

Manifesto subscrito em 13 de Janeiro de 2009

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