Uma das estratégias mais insidiosas da máquina de propaganda governamental é a tentativa de instilar, sem concretizar com clareza no discurso oficial, o medo de procedimentos disciplinares nos professores que não estendam a patinha quando a tutela manda.

É a nova forma de comentar do Trabalhador José da Silva e mesmo do(a) Maria Campos.

Mas que é desmentida pelo(a)s DRE nas reuniões com os órgãos de gestão. Sem papel passado, é claro. Mas é isso que corre de Norte a Sul, descontando o SE Pedreira.

É uma escola que funciona razoavelmente num país que ainda não mudou a mentalidade que o fez suportar uma das mais longas ditaduras da história contemporânea ocidental.

O medo, o medo, o medo.

O que é mais grave é que esta mentalidade do medo, o medo, o medo, surge por vezes irmanada com a retórica da luta, a luta, a luta.

A coisa irrita-me um bocadinho. Não muito. Apenas na proporção que me incomoda a indigência mental argumentativa, desculpem-me lá a arrogância.

Venho de uma reunião onde as palavras que mais ouvi foram luta e medo. E felizmente cheguei atrasado.

Pois. Quem vai à luta deve saber os riscos e deve ter medo para saber sobreviver, porque um «herói morto» pode ter utilidade, mas poucas vezes para o próprio.

Mas a apagada e vil tristeza do calculozinho da penalizaçãozinha (como se lê hoje em declarações atribuídas a uma vice-presidente de um CE numa peça do Expresso) é algo que me incomoda um pouco os fígados e os bofes.

Assim como os Silvas encobertos, escondidos na sua falta de coragem, agarradinhos à citação inane do autor anónimo ou do indigente aparelhista.

E já agora: é mesmo necessário uma moção votada unanimemente de bracinho no ar para se saber o que fazer? Não há consciência que dite a necessidade de coerência individual?

Porque, confesso, compreendo mais os adesivos inflamados, de peito enfunado, desejosos de avaliar e não ser avaliados, do que os meias-tintas, que só fazem se os outros fizerem, que só dão um passo á frente se os outros derem e estão sempre a olhar por sobre o ombro para verem o que faz o parceiro do lado.

Se fizermos todos isso, ficamos todos no mesmo sítio, qual rebanho á espera de ser lavado para o redil.

Desculpem-me lá a diatribe pouco habitual, mas hoje não tomei das pastilhas que humanizam uma certa nossa comentadora e fiquei assim como que descomposto.

Mas vou jantar com gente sem medo-medo-medo e que vai ter o bom gosto de nãio falar apenas na luta-luta-luta.