Não é caso singular sempre que se trata de Educação, mas hoje o editorial do Diário de Notícias de hoje tem alguns contornos estranhos para quem não saiba que sombras se movem nos bastidores.

Com o título «Uma quinzena crucial para claricar a Educação» escrevem-se algumas coisas maravilhosas, dão-se a entender outras e demonstram-se estranhas ignorâncias.

Vejamos:

  • Anuncia-se uma possível queda do Governo se a proposta de suspensão da avaliação de desempenho dos docentes for aprovada. O Governo, nesse caso, não cairia por causa da violenta mensagem do Presidente da República por causa do Estatuto dos açores, não cairia por uma sucessão de greves e manifestações sem equiparação no sector, não cairia por ser incapaz de fazer um Orçamento que se mostrasse correcto no primeiro dia da sua entrada em vigor, mas sim por perder uma votação sobre um aspecto de uma política sectorial. Interessante praxis, anunciada e tida como boa pelo editorialista do DN.
  • Em seguida analisa-se a reunião de Santarém no sábado passado, interrogando-se se os 139 PCE seriam de escolas ou agrupamentos, pois isso significa algo muito diferente. Por acaso, passados dois dias, estranha-se que um jornal como o DN ainda não tenha conseguido a lista de presenças de modo a determinar isso. Seria trabalho jornalístico básico antes de escrever sobre o assunto, mas parece que custa muito. Eu poderia ajudar o editorialista em causa, acaso fosse esse o trabalho para que me pagam, mas não é.
  • Por fim, escreve-se sobre uma eventual radicalização da luta dos professores (apresentada a partir de tomadas de posiçao de partes das bases como se fossem do todo) que «resta saber se a grande massa de professores (mais propriamente, professoras) está disposta a seguir por essa via». Resta, no meu caso saber se o editorialista (será o ou a editorialista) considera a questão do género determinante nas formas de contestação dos docentes e que diferenças infere dessa sua posição de grande perspicácia antropo-sociológica.

Será que as professoras são mais cordatas? É isso que o (a?) editorialista insinua? Ou o inverso? Fico curioso quanto a esta questão e, muito em especial, ao que a jornalista Fernanda Cãncio, tão célere prosadora sobre questões deste tipo, achará de tão precoceituosa prosa.