Embora possamos considerar que é apenas fruto da ignorância ou incapacidade para compreender o que lê, o que é habitual em muitos editoriais do DN, como o de hoje. Afirma-se por lá o seguinte:

As coisas ficaram claras na educação. A plataforma sindical, apoiada numa base radicalizada, começa a revelar o que se adivinhava: exige a suspensão do modelo actual, por inexequível; propõe um outro (ainda não revelado) que tem de incluir a eliminação da separação da classe em duas categorias (os professores e os titulares); tudo deverá ser negociado a partir de Janeiro; assim, no ano lectivo 2008/09 não pode haver avaliação, só no próximo ano lectivo; logicamente, para que 2008/09 não conte contra quem tudo isto propõe, a progressão, de todos os professores por igual, terá de ser automática.
O ministério parte de outros pressupostos: atendeu às queixas no plano operacional; simplificou o modelo; cada professor avaliador terá de classificar, apenas, três colegas num processo mais rápido (…).

São várias as incorrecções factuais, as opiniões apresentadas como informações fidedignas e as ilações especulativas sem fundamento.

Vamos lá:

A que base radicalizada dos sindicatos se refere o articulista? Aos professores? Mas então os sindicatos estariam a representar correctamente as aspirações dos representados. Se o editorialista se refere a algo diverso, seria bom que o explicasse. Serão 85% dos docentes uma camabada de saudosistas do PREC? Eu tinha 10 anos, pá, não tenho saudades desses tempos, que andava de calção e soquete branco.

Pode ser fraquinho, mas o modelo de avaliação da Plataforma, para o período transitório, foi apresentado ao ME e existe outro desenvolvido no âmbito do SPGL, que o DN, por alguma razão, nunca noticiou.

É falso que, suspendendo este modelo, não possa existir avaliação em 2008/09. O ano passado a avaliação simplificada foi desenvolvida apenas a partir de Maio. De qualquer modo, desconhecerá o articulista aquilo que o SE Pedreira se tem cansado a propagandear, ou seja, que neste ciclo de avaliação não existirão efeitos negativos para ninguém? Então, qual o problema? Ou apenas querem distinguir o mérito dos 15% de oprimidos, chantageados e intimidados, representados hoje no ME por uma delegação de notáveis?

– É falso que todos os professores possam, mesmo não existindo avaliação, progredir automaticamente, pois pelas novas regras (e pelas antigas já todos deveriam ter progredido há anos), nem todos poderão progredir este ano, por não terem o módulo de tempo de serviço completo. Eu sei, este tipo de conhecimento é demasiado técnico, o editorialista desconhece. Nem se incomodou em informar-se, tão certo se sentiu da sua razão fulminante.

Em que parte do novo despacho de delegação de competências, ou no sedução dos avaliadores se lê que cada avaliador só terá três avaliados? Não terá o editorialista confundido que, por cada três avaliados, os avaliadores têm uma hora semanal de crédito horário? Neste caso, só se colocam duas hipóteses: o editorialista não saber ler ou então é objectivamente desonesto. Qualquer das hipóteses conduziria, num mundo que privilegia o mérito, a uma avaliação negativa do impante prosador, tão firme nas suas posições quanto vazias de fundamento e verdade elas são.

Para a próxima, caro editorialista (e sei que quase por certo estas linhas lhe chegarão…) informe-se, aprenda a ler ou, pelo menos, opte pela seriedade.

Ficar-lhe-ia bem, para variar…

Mesmo para jornalismo de combate, alinhadinho com o poder, há que manter padrões mínimos de qualidade.

Eu sei que a avaliação não depende do rigor, mas não há uma coisa, tipo código deontológico, livro de estilo, sei lá?

Ahhh, o editorial é apenas uma opinião. Inimputável, claro.