As posições que acabam por confirmar mais as teorias, para alguns fantasiosas, de muitos docentes são exactamente aqueles que, de forma canhestra, procuram desmontar essas mesmas teorias.

É o caso de Fernanda Câncio que, agarrando num mail que circula pela net, se dedica hoje a desmontar – na sua opinião – os argumentos dos professores, socorrendo-se dos dados de um relatório da OCDE que, ao que parece, atribui aos docentes portugueses uma situação privilegiada em alguns parâmetros.

Afirma Fernanda Câncio que a classe docente não é «mártir e explorada».

Isso é (ou era) mau?

Será que Fernanda Cãncio, na falta de confrontar opiniões assinadas, fica entretida na desmontagem de mails anónimos?

Estranha forma de vida. Resta saber se não é paga acima da média da OCDEe quantas horas acarreta de trabalho jornalístico.

De acordo com a lógica de Fernanda Cãncio, as posições de contestação dos docentes não devem ser tidos em consideração porque eles não são todos, afinal, mártires e explorados. A dedução implícita é que, sendo assim, está certo que passem a ser penalizados e sacrificados, em termos materiais e de condições de trabalho.

Mas isso, mesmo contestando a forma como alguns dados são lidos, sem cruzamento com outros (temos um ratio mais favorável de alunos por professor, porque, por exemplo, muitos de nós desempenham funções que em países civilizados são desempenhadas por outro pessoal técnico especializado), apenas confirma o que há muito dizemos: as políticas do ME visam atacar as condições materiais da classe docente, que consideram privilegiada. Mesmo que isso assim não seja.

Fernanda Cãncio acaba, pois, por confirmar que as opiniões contra a contestação dos dcocentes não são motivadas por qualquer preocupação com a excelência do seu desempenho, mas com as conveniências orçamentais.

Obrigado, Fernanda Câncio, pela explícita confissão.

Já sabíamos, sôtôra, mas agradecemos a douta e informada admissão.

Para a próxima, já agora, analise, a celeridade com que o Governo se preocupou em suavizar a crise para os accionistas do BPN e BPP.

Ou será pedir muito?

Porque para o erário público os custos nem têm comparação…

Ou será que não há relatório da OCDE que esteja à mão sobre o assunto.

Muit’agradecido…

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