O mérito do próprio e as circunstâncias da vida fizeram de Rui Ramos professor universitário. Ainda bem que assim foi, pois percebe-se que desentende claramente os professorzecos menores, que analisa num molho igualitário e anónimo – para usar os seus próprios termos – e que aproveita para os desancar, misturando factos com opiniões ou mesmo inventando os ditos factos.
De acordo com ele:
Como já toda a gente compreendeu, porque os representantes dos professores fizeram questão de explicar, a questão não é esta avaliação, mas qualquer avaliação, seja qual for o modelo, que tenha como princípio diferenciar os professores. Os líderes da resistência à avaliação têm uma ideia do que deve ser a classe profissional que dizem representar: uma massa igualitária e anónima, onde ninguém se distingue e ninguém é responsabilizado pelo resultado do seu trabalho.
Não sei a que «representantes» Rui Ramos se refere, nem sei a que declarações ele se estará a reportar. Apenas percebo que Rui Ramos – de quem não tive a paciência necessária para ler a monumental resenha sobre a I República feita para o Círculo de Leitores, mas de quem li pelo menos um bom artigo sobre a alfabetização em Portugal – se deixou tentar pela tirada de fôlego demagógico e voluntariamente mistificador. Algo que fica giro nas conversas da tertúlia com os outros ex-putos-maravilha de uma Nova Direita que inexiste fora de três blogues, uma revista e a cabeça dos próprios.
Conheço a postura de Rui Ramos e a atitude com que analisa e escreve sobre este assunto. Já a encontrei em muitos outros antigos colegas que, pelo mérito e circunstâncias da vida, se tornaram «algo» e se sentem «alguém», acima da massa «igualitária e anónima» que trata da seguinte forma:
Os nossos licenciados, porém, só ultimamente começaram a rimar com desempregados. É que, durante muito tempo, o Estado lá os foi encaixando: a uma parte, aliás, como professores. A classe docente, numerosa e relativamente bem paga, é provavelmente ela própria o principal produto do investimento na educação em Portugal: antigos estudantes dos cursos de apontamentos e fotocópias, que o engenho nacional fez multiplicar, e a quem por via do Orçamento do Estado se deu um lugar à mesa da classe média.
Devia ser nesta altura que eu, que até fiz o mesmo curso que Rui Ramos, com poucos anos de diferença e que, inclusivamente – salvo erro – me especializei no mesmo período histórico, que conheço perfeitamente bem o seu percurso, incidências e dissidências, poderia ripostar no mesmo tom e ser injusto e mal educado para com a classe dos professores universitários, tantos deles colocados nas universidades por filiações partidárias, afinidades ideológicas e jeitos académicos.
Porque os conheci em primeira mão, não em segunda, e sei perfeitamente o húmus de desdém de que se alimentam a postura e atitude de Rui Ramos, notável historiador, aspirante a ideólogo de uma direita bem pensante e letrada, mas infelizmente um fraco aspirante a snob.
Eu gostaria imenso de saber o que pensam desta prosa os seus antigos colegas de turma, professores agora, outrora licenciados dos «cursos de apontamentos e fotocópias» que Rui Ramos já não deverá reconhecer quando se cruza com eles na rua. Também eu tive colegas assim, gente que ao elevar-se um pouco acima dos lugares à «mesa da classe média» porque um dia receberam uns bons milhares de contos com um bom negócio editorial, surgido de oportuna subserviência a um grupo de interesses, passa a dispensar aos professorzecos um olhar de comiseração.
Mais do que a truculência de um Ribeiro Ferreira, dos disparates de Emídio Rangel, dos desamores de Sousa Tavares, este tipo de prosa, formalmente elegante, aparentemente instruída, é a que revela pior educação para com a classe docente.
Porque não é uma postura de confronto ou sequer de luta contra… É uma postura que olha de cima para baixo, que se sente num pedestal qualquer, feito de mérito do próprio e circunstâncias da vida, a que outros não acederam, os que ele qualifica como tribo ancestral.
A tribo, como é compreensível, saiu à rua para zelar pelas suas prerrogativas ancestrais.
Tribo essa a que ele não pertence, sublinho, por mérito do próprio, mas também por muitas circunstâncias da vida, as mesmas circunstâncias que levaram muitos medíocres conformados ao lugar de assistentes universitários. Não o caso de Rui Ramos, claro, que ele nunca pertenceu à tribo. À dos ancestrais ou à dos medíocres. Sei disso. Lembro-me da aura.
Julgo mesmo que nunca foi licenciado, nunca tirou apontamentos e nunca leu uma fotocópia.
Ele foi directamente para doutor em modos de comer à mesa da classe acima da média. Pena que, quando nos cruzámos lá pelo quartel da Nova, não lhe termos afinfado uma bela canelada, que ao menos desse razão para tanta prosápia e pesporrência. Só que acho que Rui Ramos não deveria jogar futebol, ou então jogava mas agora já se esqueceu. Porque, ao que me consta, Rui Ramos até terá sido excelente quando estudante de «curso de apontamentos e fotocópias». Só que, como muitos outros, esquece-se do seu próprio passado e circunstâncias da vida.
E é pena que, em vez de argumentar com base nos factos sem os deturpar e assumindo como generalizada a atitude de uns quantos seus conhecidos, tenha optado pelo achincalhamento de toda a classe docente, de todos os professores minúsculos, de que ele não se sente parte porque, afinal, ele é Professor maiúsculo, instalado, não mero professor, de meia idade. Como os outros. Os do submundo não-superior.
Tal atitude mereceria resposta mais curta e grossa mas, lá está, depois acusar-me-iam de estar a fulanizar esta réplica.

Dezembro 10, 2008 at 5:55 pm
Infelizmente não consegui ler o artigo todo, porém do que consegui ler, parece-me que ao Rui Ramos lhe faltou na sua tão brilhante carreira uns anitos a dar aulas no ensino não superior. Pelo menos assim, uma vez na vida, podia saber do que está a falar…
Dezembro 10, 2008 at 6:04 pm
Mais um adepto da psicofoda. Um triste, uma besta no melhor retrato.
Dezembro 10, 2008 at 6:23 pm
Eu gostava de saber se o Sr. Rui Ramos conhece os processos que correm nos tribunais administrativos e fiscais sobre concursos de ingresso na carreira universitária e politécnica?
Conhecendo casos pessoais, diria que é o maior escândalo escondido das nossas universidades!
O tráfico de influências abunda no ingresso à carreira universitária.
Conheci um caso de uma docente que ingressou na carreira universitária que até foi moça de recados de uma professora catedrática, chegando a tratar de assuntos domésticos da referida senhora.
Já agora porque razão as provas de ingresso às universidades não passam a ser elaboradas e corrigidas por professores universitários?
Eu sei que já fizeram esse trabalho mas bastou uma greve para o trabalho passar para os professores “mal formados” do ensino não superior!
Snob noj..to!
Dezembro 10, 2008 at 6:28 pm
O senhor faz lembrar o mister Bean
Dezembro 10, 2008 at 6:31 pm
Todos os animais são iguais mas alguns animais são mais iguais que os outros.
Dezembro 10, 2008 at 6:56 pm
Dos meus tempos de estudante os professores que mais me marcaram foram os professores do ensino básico. Alguns muito bons e outros maus , como em todas as profissões.Foi na Faculdade que encontrei os piores professores,alguns maus mesmo muito maus. Consideram-se excelentes, uns aos outros, em função do seu trabalho individual, porque pedagogicamente são uma nulidade. A análise dos ambientes das Universidades não é muito diferente da corrupção que existe em termos politicos: conhecer as pessoas certas, engolir muitos sapos e capacidade de serem capachos, são os ingredientes para uma carreira no ensino superior.
Não fiz nenhum mestrado por opção. Quando saí da Faculdade, jurei não contribuir para o ambiente pantanoso e asqueroso que observei e presenciei na Faculdade. E sei do que estou a falar!
Dezembro 10, 2008 at 6:58 pm
Dos meus tempos de estudante os professores que mais me marcaram foram os professores do ensino básico. Alguns muito bons e outros maus , como em todas as profissões.Foi na Faculdade que encontrei os piores professores,alguns maus mesmo muito maus. Consideram-se excelentes, uns aos outros, em função do seu trabalho individual, porque pedagogicamente são uma nulidade. A análise dos ambientes das Universidades não é muito diferente da corrupção que existe em termos politicos: conhecer as pessoas certas, engolir muitos sapos e capacidade de serem capachos, são os ingredientes para uma carreira no ensino superior.
Não fiz nenhum mestrado por opção. Quando saí da Faculdade, jurei não contribuir para o ambiente pantanoso e asqueroso que observei e presenciei na Faculdade. E sei do que estou a falar!
Dezembro 10, 2008 at 7:29 pm
Caramba, há uma coisa que ainda não percebi!Tenho oito anos , como aluna, no ensino superior mas nunca recebi nenhum papelote ou grelha para avaliar os professores que me derem aulas.Afinal…como são avaliados estes profs?Eu sei…porque sou amiga de muitos!Se fossem avaliados pelos alunos, muitos deles iam arrumar carros!Já agora…como conseguem ir dar aula para o ES?Por convites ou por concursos falseados!Estejam calados!
Dezembro 10, 2008 at 7:30 pm
Este nem faz uma pequena ideia do que seja, this days, uma escola e para o que serve. Lá lhe parece que o que devia ser era… e só não é por causa dos holligans.
Não tem ideia da razão pela qual acontecem histórias com telemóveis e meninos caprichosos e mal educados, apenas espera para que lhe caia em cima o que vai pela Grécia, para então fazer um real esforço de aprofundar a realidade que lhe passa ao lado, bem vistas as coisas.
O resto são mais lugares comuns e vulgaridades sem expressão que atira ao calhas.
Saudações
Elias
Dezembro 10, 2008 at 7:38 pm
Excelente post Paulo…. dá gosto ler que venha o livro…
Dezembro 10, 2008 at 7:47 pm
Pode ser que lhe calhe brevemente, uns alunos que o ME( quer à força que tenham sucesso) e que lhe atirem à cara os telemóveis. Não tarda esta sede cega de reforma vai chegar à faculdade e estes senhores arrogantes vã ter que engolir uns bons sapos. Se eles se queixam da qualidade dos seus alunos deveriam ver as causas do fenómeno-e nem precisam de procurar muito: ” ILUMINADOS DA 5 DE OUTUBRO”
Dezembro 10, 2008 at 7:48 pm
EXCELENTE!
Dezembro 10, 2008 at 7:49 pm
Esta “coisa” nem merece ser lida, quanto mais comentada.
Quem é que lhe faz uma “espera”, e lhe dá uma valente coça para o dito cujo aprender a ser homenzinho?
Muitas vezes, admito, apetecia-me desabafar com ex-alunos meus, daqueles que nem a polícia, à data, tinha mão neles… Estão a imaginar, o que me apetecia pedir-lhes?
Pois é. Eu sei. Não posso fazê-lo.
Dezembro 10, 2008 at 8:12 pm
O texto da pessoa (Rui Ramos – é quem, mesmo?) enferma de uma debilidade lógica que faz suspeitar da sua capacidade de análise, mesmo para questões bem mais simples do que esta. Note-se que, apesar da introdução (primeiro parágrafo) tentar sistematizar as “culpas” dos professores, o segundo parágrafo aponta inexoravelmente a proveniência da culpa: “Os alunos não respeitam os professores porque sabem que, numa escola que se quer «inclusiva» a todo o custo, nada de sério lhes pode acontecer, por pior que seja o seu comportamento. Os professores, pelo seu lado, não respeitam o ministério porque percebem que o objectivo da actual equipa governamental não é transformar o sistema, mas apenas obter mais com o mesmo”. A partir destes postulados, já não se percebe a conclusão: ” que portanto lhes basta não preencher as fichas, (que faz aqui esta vírgula?) para tudo parar”. O resto do texto é um chorrilho de distorsões e omissões – quem, por exemplo, entre “os delegados da classe docente”, alguma vez afirmou, que o insucesso “nada tem a ver com as escolas e com os professores, mas com a «sociedade»? O chorrilho destina-se apenas a conduzir à conclusão de que os professores não querem ser avaliados, mas, ai!, acto falhado talvez, a verdade surge em lugar de destaque no texto que pretendia ser outro; está dito, Sr. (como é mesmo o seu nome?)Rui Qualquer Coisa, e em lugar público para que não possa negá-lo.
Se quer continuar a escrever coisas nos jornais, o Sr. Rui devia aprender a escrever – e, obviamente e antes disso, para que não lhe volte a acontecer uma destas, aprender a pensar.
Dezembro 10, 2008 at 8:19 pm
Rui Ramos, aliás, professor Noé:
Não avances muito mais, olha que o terreno onde andas com os pés é pantanoso.
E não nos faças falar demasiado sobre professores das universidades e Poli, que nós conhecemos muitos. E até sabemos os nomes deles. E se a gente, assim de repente, se lembra de escrever aqui coisas com nomes?
Dezembro 10, 2008 at 8:34 pm
Paulo G.,
Excelente resposta.
Parabéns!
Dezembro 10, 2008 at 9:04 pm
Quando vejo, ouço ou leio pessoas com este tipo de discurso fico sempre desconfiada. Já tenho idade para ter aprendido a conhecer o tipo de pessoa que assim sente. Já nem digo que assim pensa, porque isto não é pensamento, é sentimento e aí é que está o mal…
Dezembro 10, 2008 at 9:25 pm
O Mr. Bean ainda consegue ter piada… tamanho azedume até leva a suspeitar de algo de pessoal e inconfessável, no caso do outro opinador, o MST, sabe-se que sim, mas aqui poderá ser um caso de deslumbramento, um sintoma próprio de uma crise mais acentuada de “academite aguda” .
😯
Dezembro 10, 2008 at 9:30 pm
Quem gosta de só fazer currículo…é para isso que só serve! nem para opinião publicada deveria dar…mas enfim à falta de melhor vão buscar o que mais barato leva…daqui a uns tempos…e se não houver…”mão amiga”…mais um doutor do superior cairá…..
Dezembro 10, 2008 at 9:33 pm
Paula Lago,
Currículo do Rui Ramos:
”que portanto lhes basta não preencher as fichas, (que faz aqui esta vírgula?) para tudo parar”
Li a Biografia do D.Carlos, o Rui Ramos usa muito a vírgula.
Dezembro 10, 2008 at 9:37 pm
Sobre o recrutamento de professores é verdade que ele está minado pelos critérios usados. Não permite contratar os melhores.
Um sistema de recrutamento mais exigente, que eu defendo, ajudaria a evitar estes escritos.
Dezembro 10, 2008 at 9:39 pm
Nas universidades é o maior regabofe que existe…ao papers tÊM TANTA GENTE QUE ATÉ O PORTEIRO DO DEPARTAMENTO E TEM LÁ O NOME…os jùris são escolhidos a dedo…a endogamia é tanta que nem que more a 300 metros da universidade não entra ..só da casa…os chumbos são tantos que ultrapassam os 50 por cento,,,enfim é falar do púlpito sem olhar para a plebe…
Dezembro 10, 2008 at 10:14 pm
Rui Ramos, se estiveres a ler isto, fica sabendo que me metes não raiva nem nojo, mas dó. Porque medes os outros pelos teus valores. Nunca me passou pela cabeça concorrer ao Ensino Superior. Por outras razões que não a falta de habilitações ou de capacidade para tal. Mas isso é comigo.
Hoje assisti comovido à felicidade da mãe de uma aluna mentalmente diminuída, a quem a “tribo reles” pacientemente ensinou a ler, a escrever, a contar, a entender um bocadinho do mundo, e a quem, após muito palmilhar, arranjou trabalho. Sem deitar contas a horas de trabalho, a portas fechadas na cara, e a calúnias como as tuas.
E isso, Rui Ramos, essa felicidade escondida, sem alarde, tu nunca experimentarás.
Dezembro 10, 2008 at 10:20 pm
Eu agora faço assim.
Li o texto do Paulo…fiquei a saber o tipo de texto que estará lá escrito.
Como não perco tempo com imbecis e ainda por cima teria de aumentar aquilo, NÃO LI!
Gasto o meu tempo com coisas mais úteis… Rangéis, Miguéis, TS e e mails do ME não me vão roubar mais tempo…não leio NADA!
Aconselho-vos a fazerem o mesmo!
Dezembro 10, 2008 at 10:24 pm
Hum!, e pensar que leccionei dez anos no “superior”.
Até que, entre outras coisas, me fartei de fazer investigação parva e publicar artigos científicos assinados por outros.
Parece que ainda lá têm uma máquina (16.000 contos em 1992 – 40.000 se fosse adquirida pela indústria) com a qual não sabem operar. Ligaram-me há três anos: help. Ri-me.
Dezembro 10, 2008 at 10:38 pm
Rui Ramos despreza a massa igualitária e anónima que vive do Orçamento de Estado, do mesmo modo que o H5n1 está farto de fazer aqui neste espaço,com a diferença que só o primeiro é levado a sério.
Dezembro 10, 2008 at 10:40 pm
Ultimamente tenho-me divertido com um jogo para o qual convido a selecta bancada desta verdadeira tertúlia que é o Umbigo. Serve como variante aos exercícios de Sudoku e não é, seguramente, menos formativo. Serve também para cimentar alguns conhecimentos das aulas de Filosofia.
Quando leio prosa semelhante à citada pelo Paulo, vou ao sítio das falácias, para escolher a medalha a que se candidata o pseudo-intelectual.
Vejamos:
Como já toda a gente compreendeu…
encaixa à maravilha num apelo à crença, não desmerecendo um apelo à popilaridade. No mínimo, configura um salto encarpado para não ter que lidar com demonstrações que suplantam, está bem de ver, a sua capacidade argumentativa. Pobre Rui Ramos…
Não quero retirar o prazer que os restantes leitores do Umbigo terão em apanhar em falso, digo as falácias de, este presumido intelectual.
A acrescentar à soberba do sujeitinho já evidenciada pelo Paulo Guinote.
Dezembro 10, 2008 at 10:41 pm
…popularidade…
Dezembro 10, 2008 at 10:41 pm
O senhor Rui Ramo(s) talvez devesse procurar um outro galho. Não vá dar-se um dilúvio no seu mundinho…
Ah, eu não sou massa igualitária e anónima!!
Sou, com certeza, outras coisas, mas isso não. Desculpem, mas cheirou-me a eufemismo, por parte do senhor, claro!
Dezembro 10, 2008 at 10:44 pm
Paulo: uma soberba resposta!
Paulo: Já agora, meteorologista… é que não! É uma área que me é muito querida e por favor não a insulte! Vidente, adivinho, bruxo… qualquer coisa deste género é mais aplicável!
O direito que este senhor tem de se sentar à mesa tem-lhe vindo exactamente do mesmo que ele indica para os professores: do Orçamento de Estado e não se esqueça que é FUNCIONÁRIO PÚBLICO! Claro que no exercício da mesa (com candelabro por cima e talheres, quiçá, revestidos de cobre) que o Estado lhe tem garantido, para ensinar alunos de lápis e papel, foi conhecendo outras influenciazitas que lhe aumentaram o cheque… tirem-lhe o privilegiado ordenado (do OE) que deverá usufrui dentro dum quadro privilegiado da função pública (por ora) … que seria dele???
Dezembro 10, 2008 at 11:25 pm
A vingança é um prato que se serve frio…
Daqui a alguns anos este senhor Rui será professor (com maiúscula) dos alunos das Novas Oportunidades, Maiores de 23, visto que estes preferem os cursos da sua área. É que aí, nem “com apontamentos e fotocópias”. 🙂
Dezembro 10, 2008 at 11:41 pm
O que dizer de alguém que divulga um chorrilho de incongruências? Nada, está tudo dito.
Dezembro 11, 2008 at 12:14 am
Medina Carreira acabou de dizer umas boas verdades na Sic N: Bem podiam pôr professores universitários a dar aulas nas escolas públicas que o resultado seria o mesmo, senão pior, porque os professores universitários não têm pachorra para aturar isto.
O Exmo Sr. Superior Dr. Rui Ramos quererá vir dar aulas na escolinha pública destes professorzecos e mostrar-nos o seu mérito,neste contexto, ao vivo e a cores?
Sei dumas boas escolas que lhe posso recomendar… e dentro da “tribo” talvez se conseguisse arranjar alguém mais creditado que o “Senhor Superior Doutor”, mas caso não isso não fosse possível, o que não falta dentro da “tribo” são doutorados a serem avaliados por licenciados.
Paciência!
É a vida.
Dezembro 11, 2008 at 12:47 am
A biografia de D. Carlos que ele escreveu é um verbo de encher. Boa parte do que lá está foi pesquisado por um assistente de investigação cujo o produto ele alterou a seu belo prazer para fazer valer um vasto conjunto de teses coxas. A análise de conteúdo dos jornais de época raia a fraude historiográfica. Abre logo com frases como “ao desfolhar os jornais”, o que me leva a temer pela saúde da secção de periódicos da BNL. Etc. etc.,… fiquei mesmo com vontade de escrever uma recensão a arrasar-lhe o pretensiosismo oxbridge, bem como o elogio bacoco de VPV aquando da publicação da dita biografia. Até eu, republicano sempre, achei que D. Carlos merecia melhor.
Dezembro 11, 2008 at 1:10 am
Caro Paulo,
Quando hoje li a prosa do Rui Ramos, imaginei imediatamente a resposta que lhe irias dar. Não me desiludi. Penso que foste certeiro na caracterização do Rui. Como sabes, conheço-o pessoalmente, embora de forma episódica, graças a um amigo comum. Lamento que o Rui Ramos tenha posto a sua invulgar inteligência ao serviço de pastagens tão mal frequentadas, comprazendo-se na companhia de figurinhas carrapatosas que, nos seus tempos de juventude, lhe teriam merecido o maior desprezo. Os tempos mudam, as pessoas também, e não necessariamente para melhor. O engraçado é que, como adivinhaste, o Rui Ramos esteve à beira de se tornar um desses “professorzecos” do secundário, e isso só não aconteceu porque um acaso feliz o salvou de tão “ingrato” destino. Hoje, passados vários anos dos tais sapos engolidos e de um anonimato mal vivido, do qual só se livrou à conta da sua viragem à direita, o Rui Ramos pode finalmente instalar-se no conforto de um arrogância que, infelizmente, faz escola entre muito professor universitário, momentaneamente esquecido de toda a mediocridade que grassa nas nossas academias. Não vale a pena, de facto, discutir os “argumentos” que o Rui Ramos verte neste artigo, tão grande é a desonestidade intelectual dos mesmos. Conforme dizes, o essencial desse artigo é uma mera estratégia de afirmação identitária: “Eu estou cá em cima; vocês estão aí em baixo”. E, como todas as estratégias identitárias, não passa de um delírio.
Dezembro 11, 2008 at 1:53 am
Extrema – direita pura e dura.
Dezembro 11, 2008 at 7:33 am
e pergunto…o delírio dele não será um pouco tremuns??
Dezembro 11, 2008 at 9:32 am
Bem continuo o que comecei, sendo que agora já li tudo. Este rapaz precisava de passar uma semanita na minha escola com umas turmas de CEFs e profissionais, fechado à chave para não fugir, e depois íamos ver para onde lhe ia o dilúvio… se calhar pelas calças abaixo.
Enche-te de m.
Dezembro 11, 2008 at 9:44 am
Ó Careca
mas quem é que lhe atribuíu o cargo de meu avaliador-mor ? Tenho que lhe entregar algum portfólio no final do ano ?
Até aqui ainda só percebi que não gosta que a aura da superioridade moral de uma certa esquerda seja beliscada.
Mas em concreto ainda não pude observar nenhum rasgo de inteligência própria, ou sequer pensamento original, que tenha brotado da sua parte, contrariando com argumentos, que não palpites, o que para aqui vou debitando.
O ressentimento é coisa que abunda em Portugal e o texto de Rui Ramos é sobretudo isso: um grande espasmo de dor pela mediocridade em que nos especializámos, mas que o próprio utiliza para se auto-valorizar.
Mas se é certo que toca nalguns pontos críticos, nomeadamente o ethos que tem dominado nas nossas escolas e universidades, que subordinam o saber ao grau de curvatura da coluna vertebral e à execução de programas pouco exigentes, também é verdade que tudo se dilui numa perspectiva de desdém pela massa indiferenciada de docentes, que ele próprio re-constrói de uma forma forçada e desdenhosa.
Mas a resposta não deve ser dirigida contra o Rui Ramos, mas antes contra o caldo cultural em que todos estamos mergulhados, porque todos acabamos por ser afectados pela miséria intelectual, política e moral que infecta a nossa sociedade.
E a menos que façamos como aquela família neo-hippie de alemães que vive separada do resto do país (mas não do mundo), em Monção, todos ficamos tolhidos, de uma maneira ou de outra, nas malhas desta choldra nacional-socialista.
Dezembro 11, 2008 at 10:24 am
“Tal atitude mereceria resposta mais curta e grossa mas, lá está, depois acusar-me-iam de estar a fulanizar esta réplica.”
Realmente a réplica de Paulo Guinote foi tudo menos fulanizada…
Dezembro 11, 2008 at 10:52 am
Nota à margem e a despropósito.
Reinhold é o patriarca de uma família alemã vivendo desde a década de 1990 em Portugal, no Concelho do Marvão. A recente reportagem na SIC contrói um quadro idílico da vida desta família. Na verdade, alimentam-se de produtos da terra e dos poucos animais que criam, são principalmente agricultores. O patriarca é também o ideólogo, tendo escrito vários textos, alguns traduzidos para castelhano. Através dos textos, ficamos a saber que:
1) São radicalmente contra os alimentos cozinhados. A razão é do foro religioso: o fogo é associado ao inferno. Não obstante, usam, para a sua actividade normal, bastantes utensílios produzidos em altos-fornos, desde as ferramentas agrículas até uma viatura ligeira de mercadorias, além de moto-bombas a gasolina.
2) A reprodução é, na parte masculina, uma prerrogativa do patriarca. Na parte feminina, todas servem. É dito: quando uma mulher se relaciona sexualmente com um homem, a estrutura cromossomática das suas células altera-se, pelo que, mesmo após abandonar esse homem, transmitirá à sua progenitura a respectiva herança genética. O elemento masculino que aparece no filme, Detlev, é um autentico escravo do patriarca, apenas contando a sua força de trabalho (um criado, como dizem por lá). Os filhos do patriarca também são olhados como força de trabalho.
No fim da adolescência, a filha mais velha fugiu para a Alemanha. A sua mãe já vive, entretanto, com outro alemão noutra povoação do Marvão, podendo visitar os restantes filhos.
Excepção feita aos filhos de Reinhold, os restantes membros do clã vêm, em geral, dos programas de desintoxicação da droga na Alemanha. Aparentemente, o governo alemão oferece algumas facilidades, mesmo aos que optem por sair do país.
Não se trata, portanto de uma emanência do movimento hippie, antes de uma forma de fundamentalismo religioso (católico). Honra lhes seja feita, no aspecto de saude estão blindados a toda a prova. Vivendo numa comunhão perfeita com a Natureza, desenvolvem naturalmente defesas imunitárias que fariam a inveja a qualquer consumidor compulsivo dos antibióticos da indústria farmaceutica.
Dezembro 11, 2008 at 11:20 am
Agradeço ao Ferrão a informação fornecida.
De qualquer maneira, a crença religiosa é um dos principais motivos que levam algumas comunidades e seitas a quererem romper com o sistema capitalista (ocidental) e a procurarem outras vias de salvação e conservação das sua vidas.
Se incorporam alguns conceitos de recusa da “inclusão” à força pelos aparelhos idológicos do Estado capitalista, a verdade é que acabam por soçobrar em delírios fundamentalistas e redutores, que conduzem os seus membros à patologia, geralmente a que é perfilhada pelos líderes que comandam as ditas seitas ou organizações .
Neste sentido, o estalinismo pode considerar-se como uma doença geriátrica do misticismo apocalíptico-religioso, em concorrência com o fundamentalismo islâmico, este sim, uma doença genuína dessa mesma patologia.
Dezembro 11, 2008 at 12:23 pm
(27),
este sítio das falácias é realmente interessante. O exercício é mais apelativo do que o sudoku ou as palavras cruzadas e ainda nos faz esboçar alguns sorrisos.
😆
Dezembro 11, 2008 at 12:37 pm
Lamento os “novos ventos” que se poderão avizinhar, à semelhança do sucedido em tantos outros países relativamente ao ensino superior.
Talvez Rui Ramos num futuro próximo mude de discurso, dado que a nova tendência é a de a cúpula directiva das universidades se encontrar distante do seu corpo docente (em que níveis de escolaridade já estamos a ver isto?), diferindo a figura dos gestores da existente no passado.
Reitores com o prestígio de um Unamuno em Salamanca parecem já começarem a passar à História.
O novo modelo de gestão contempla um grupo que cessa funções académicas e começa a dirigir, desligando-se da cultura de estabelecimento, convertendo-se estes gestores em homens e mulheres de negócios. Este modelo a tempo inteiro afigura-se deveras preocupante para o futuro das universidades.
A accountability já começa a minar as instituições, passando-se a contabilizar o número de artigos por docente, independentemente da importância do trabalho produzido.
Refiro-o com apreensão e não com intenções menos claras relativamente ao texto de Rui Ramos.
Dezembro 11, 2008 at 2:33 pm
[…] deixo a recomendação de leitura do texto de Rui Ramos, que já teve réplica do Paulo Guinote. O cronista exagera em alguns termos e pontos, mas nota-se sobretudo a falta de abertura ao […]
Dezembro 11, 2008 at 3:14 pm
#40,
Poderia ser muito mais, quereria eu certamente dizer.
Dezembro 11, 2008 at 7:00 pm
Paulo antigamente dizia-se palavras loucas orelhas moucas,mas penso que os nossos antepassados de certeza não tiveram tantas palavras loucas como as que ouvimos agora,pr isso o lema e porque estamos em época natalicia é DAR A DOBRAR…parabéns
Dezembro 14, 2008 at 7:12 pm
Paulo desculpe….
é apenas um teste.
Dezembro 14, 2008 at 7:13 pm
Outro teste!
desculpe
Dezembro 14, 2008 at 7:14 pm
Alguém a brincar comigo!
Só pode!!!