Caro Paulo Guinote,
Junto envio o comunicado que vamos distribuir aos Encarregados de Educação na EB 2,3 Martim de Freitas, Coimbra. Em dia de greve vamos marcar presença… no exterior da escola numa acção de protesto. Temos que marcar a diferença também na greve. Talvez mais escolas possam adoptar este modelo de luta.
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Miguel Dias
EB 2,3 Martim de Freitas, Coimbra
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Exm(os) Srs. Encarregados de Educação,

Ao fim de três anos de sucessivos atropelos às nossas condições de trabalho e de uma atitude sistemática de menorização e desrespeito por parte desta equipa ministerial, chegou o momento de dizer BASTA!

Porque há momentos em que trabalhar, de qualquer forma e a qualquer preço, é mais indigno do que parar, hoje fazemos greve por nós, por vós e pelos Vossos filhos.

Assim, exigimos:

– a revogação deste Estatuto da Carreira Docente, aprovado apenas pela maioria parlamentar que suporta este governo, numa lógica meramente economicista e que agrava seriamente as nossas condições de trabalho, divide a carreira docente, artificialmente, em professores titulares e professores não -titulares num concurso ferido de ilegalidades e injustiças insanáveis, cria uma prova de ingresso na carreira sem sentido, e impede dois terços dos professores de atingir o topo da carreira, independentemente do seu mérito profissional.

– a suspensão imediata deste modelo de avaliação que é inexequível, injusto, pouco transparente e extremamente burocratizante, que nos está já a roubar tempo precioso para a preparação das nossas aulas. O regime simplificado que o governo agora nos propõe é, apenas, um regime de excepção para este ano lectivo, pois aplicar-se-á na íntegra no próximo ano, ou seja, a responsabilização dos professores pelo abandono escolar e a avaliação do professor baseado no desempenho escolar dos seus alunos mantém-se.

horários condignos de trabalho que evitem jornadas de trabalho contínuo de doze horas na escola, acrescidas do trabalho que o professor inevitavelmente tem de realizar em casa.

acesso a formação gratuita de qualidade na nossa área de docência, a que somos obrigados por lei, e que estamos, muitas vezes, a suportar na íntegra.

– um modelo de gestão democrático das escolas oposto ao modelo do Director omnipotente, proposto pelo ME.

– mais recursos humanos nas escolas (professores, auxiliares e técnicos especializados) para podermos prestar um auxílio real aos nossos alunos com mais dificuldades, sobretudo todos os que necessitem de Educação Especial, para cumprir efectivamente o desígnio da Escola Inclusiva.

turmas mais pequenas, para garantir um ensino de qualidade e mais individualizado.

Em defesa da Escola Pública!

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