jn1dez08

O artigo vem no JN e o Telmo Bértolo já lhe dedicou algumas linhas no Partilha do Saber. Eu  vou ser mais caridoso, ou talvez não.

A ida de Maria do Céu Roldão ao Prós & Contras para mim não está em causa, pois ela assumiu claramente a sua posição pró-modelo de avaliação do desempenho docente, mesmo se expressou alguns matizes na sua apreciação. Tal como já ssumiu a sua anuência a diversas medidas de gestão curricular deste Governo, nomeadamente as AEC.

O que está em causa é a forma como MCR opta, neste seu artigo, por obliterar completamente as opiniões divergentes em nome do direito á opinião divergente.

Vejamos: MCR queixa-se que a massa dos professores, em virtude de uma cultura sedimentada de décadas se opõe a qualquer modelo de avaliação e que, por isso mesmo, não produz ou abafa qualquer tentativa de pensamento divergente. Esta posição, de sobranceria, em relação aos professores de que se diz «formadora» está de acordo com alguns dos seus pressupostos, pois em trabalho recente parece alinhar com aqueles que a consideram uma «semi-profissão».

Não sei bem por onde andará MCR a fazer a suas leituras quanto ao que pensam os professores. Suponho que se limitará a ver telejornais. E por isso mesmo parece só conhecer a negação ou pedido de suspensão deste modelo de avaliação do desempenho. Ou só lerá revistas académicas.

Mas mais grave é MCR defender neste momento este modelo, do qual estão ausentes os elementos que ela considera nucleares para que a docência se assuma como profissão plena, ou seja, a «investigação» e a «reflexividade». Eu gostaria que MCR demonstrasse o peso que estes dois elementos têm no modelo de avaliação legislado pelo ME ou – tão ou mais importante – que condições oferece o M$E aos docentes para que desenvolvam esses mesmos dois aspectos da sua actividade, quando limitou seriamente a participação de educadores e professores em actividades como colóquios, congressos ou seminários que não ocorram em horário pós-laboral ou ao fim de semana.

MCR tem razão quando afirma que a identidade docente em Portugal é marcada por um percurso socio-histórico muito específico. Por isso mesmo é que exige medidas muito específicas para a avaliação do desempenho docente. Para além disso é estranho que quem afirma formar professores há décadas, depois se queixe do resultado dessa mesma formação. Mas então a formação para a «excelência profissional» tem corrido assim tão mal? A ser verdade, de quem será a culpa? Dos formados dos seus formadores?