Em face do 2.º comentário feito no post “Assim Não Chega A Bastonário De Nada”, publicado no passado dia 30 de Novembro, em que é perguntado se eu sou também desta associação [Associação Sindical Pró-Ordem dos Professores], entendo que o melhor esclarecimento é prestado pela transcrição do meu artigo de opinião saído no Público, em 14 de Maio de 2008, intitulado “Já agora, a Ordem dos Professores”:

«Porque a rir se castigam os costumes, começo por dar os parabéns ao director adjunto do Público, Nuno Pacheco, pelo seu notável e bem humorado editorial com o título “Brincar às escolas”, sobre um seminário realizado pela “Pró-Ordem”, com o título de “Dicas para ser um melhor professor(a)”, publicado em 8 de Maio de 2005. Dele extraio um breve excerto:

“É espantoso como, em pleno século XXI, se promove um encontro para professores julgando colmatar com ‘dicas’ impensáveis a miséria do nosso ensino. É inacreditável como se fala de exercícios de relaxamento, de colocação da voz, de ‘marketing’, de cores, de energias e signos, e não se fale da única coisa que a escola devia fazer com a máxima competência e empenho; ensinar com sabedoria e não com truques de feira; transmitir conhecimento em condições como é apanágio das melhores escolas e colégios por esse mundo”.

Embora criado numa perspectiva meramente sindical, tem, desde 1992, o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados [de que fui presidente da Assembleia Geral durante 12 anos] lutado pela criação de uma Ordem dos Professores e a Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem igualmente, anos depois. Esta, portanto, uma possível razão para a confusão que se gera entre estes dois organismos sindicais, um deles acolitado pela denominação “Pró-Ordem” (há dias, falava-me um colega dando-me conta dessa confusão de que ele próprio fora vítima assistindo a um dos seus seminários por julgar tratar-se de uma organização do SNPL).

Curiosamente, segundo o respectivo presidente, Filipe do Paulo, determinam os respectivos estatutos que a Associação Sindical Pró-Ordem “será dissolvida quando for criada a Ordem dos Professores” (Público, 11 de Maio de 2005). Em contrapartida e de forma alguma, a criação da Ordem dos Professores implica a extinção do SNPL que continuará a perseguir os objectivos que presidiram à sua criação: um ensino de elevada qualidade servido por professores altamente qualificados. Isto porque as atribuições dos sindicatos e das ordens profissionais são (ou devem ser!) totalmente diferentes. Assim, aos sindicatos e associações sindicais estão atribuídas questões laborais, tout court: horários de trabalho, salários e quejandos. São competências das ordens profissionais, grosso modo, a atribuição do título profissional, sua dignificação e elaboração de um código deontológico específico.

Como eu deixei bem vincado no meu livro “Do Caos à Ordem dos Professores”, publicado em Janeiro do ano passado, ‘só com medidas concertadas (ou seja, através da criação de uma Ordem dos Professores) serão os docentes capazes de se libertarem do anátema de falta de capacidade para auto-regularem a sua actividade profissional, rejeitando, assim, a submissão a uma tutela estatal que parece não querer abdicar do papel de aferidora de tudo e de todos’.Aliás, pecha nacional que tem raízes em páginas da nossa história – em outras ocasiões e diversas situações!»

Post scriptum: Como já tenho lido, para evitar especulações com deturpação de intenções, desde já declaro que o facto de me encontrar aposentado me impede de poder ser bastonário da Ordem dos Professores ou, até, de nela me inscrever. Daí a isenção da luta que tenho desenvolvido em prol da sua criação ao longo dos anos e em que a vontade me não esmorece.