Caro Paulo:

Venho informá-lo, visto estar a recolher no seu blog informações de várias escolas, que a Esc. Sec. c/ 3º ciclo Padre António Vieira, em Lisboa, suspendeu a avaliação (segue moção em anexo). Esta moção foi aprovada a 12 de Novembro, em RGP extraordinária e com um voto contra. Foi assinada por cerca de 85% dos professores da escola. Já seguiu para a DRELVT, Gabinete da Ministra da Educação e Provedoria de Justiça

Saudações

isabel alves

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MOÇÃO

Os professores da Escola Secundária c/3º ciclo Padre António Vieira, em Lisboa, reunidos no dia 12 de Novembro de 2008, consideram que o modelo de Avaliação do Desempenho de professores proposto pelo ME, aprovado pelo Decreto – Regulamentar 2/2008, não tem condições para se aplicar, pelos seguintes motivos:

1. O modelo proposto é teórica e tecnicamente complexo, obrigando a uma carga burocrática que exige tempo para a sua aplicação prática, desviando os professores da sua missão fundamental.

2. Este modelo responsabiliza os professores por factores que lhes são externos e que não podem controlar, com influência no sucesso educativo dos alunos, como seja a questão do abandono escolar.

3. A subjectividade inerente aos vários itens constantes nas fichas de avaliação do ME não garante que o seu preenchimento seja feito de forma justa, objectiva e transparente.

4. A interpretação e aplicação do modelo em concreto potenciam situações de injustiça dentro da mesma escola e de escola para escola, com reflexo directo no futuro dos professores.

5. Aos avaliadores designados em cada escola nem sempre é reconhecida a necessária competência para o papel que lhes é destinado e muitos não possuem formação académica, científica e pedagógica adequada.

6. A avaliação entre pares pode gerar conflitos de interesses, dada a existência de quotas que restringem a obtenção das classificações de Muito Bom e Excelente, não contribui para a melhoria das práticas profissionais, travando simplesmente a progressão na carreira.

7. O sistema penaliza injustamente faltas devidamente justificadas como as dadas por doença, para cumprimento de obrigações legais e outras.

8. Devido às referidas quotas, o escalonamento dos parâmetros de avaliação favorece o trabalho individual e a competitividade entre colegas, em vez de promover a cooperação e a resolução de problemas de forma integrada e colectiva.

9. As tentativas de implementação do modelo perturbam o funcionamento normal das escolas, pelas tensões que fazem crescer entre os professores e pelo tempo suplementar dispendido em reuniões, impedindo-os de centrarem a sua acção na actividade docente.

Por todos estes motivos, os professores da Escola Secundária c/3º ciclo Padre António Vieira, em Lisboa, decidem:

– Suspender o processo de avaliação, na defesa de um clima de estabilidade indispensável à tarefa do professor – ensinar.

– Propor a criação de condições que concorram para a concepção de um outro modelo de avaliação, baseado na valorização da prática docente, simples na sua concretização, justo nas suas implicações e que seja um contributo para a qualidade da Escola.


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