Caro colega Paulo Guinote, antes de mais quero felicitá-lo pelo enorme trabalho que tem desenvolvido na defesa do ensino.

Sou professor na Escola Secundária c/ 3º ciclo Diogo de Gouveia, em Beja. No dia 10 deste mês começou a circular na escola uma moção tendo em vista a suspensão do processo de avaliação. Os considerandos não diferiam substancialmente dos de moções doutras escolas (que foram, na verdade, a sua “fonte de inspiração”), pelo que não vale a pena estar a reproduzi-los. O que importa mesmo é referir o último parágrafo:

“Perante o anteriormente exposto os professores abaixo assinado tomam a decisão de suspender a sua participação em toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação do desempenho docente à luz do novo Modelo de Avaliação do Desempenho, na defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola pública.”

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Assinaram 101 dos 103 professores em exercício efectivo de funções! Por isso, pela soma das decisões individuais e até que estas se alterem, o processo de avaliação continua suspenso.
Digo “continua” e não “fica” porque nesta escola a situação é um pouco (muito!) diferente do que se passa por esse país. É que aqui praticamente ainda não demos por essa tal de “avaliação”. Não temos tido reuniões até às tantas, não andamos assoberbados de trabalho para encher dossiers de fichas e papeluchos inúteis, não andamos a consultar bolas de cristal para tentar saber qual o nível de sucesso que será possível alcançar com os nossos alunos. Apesar do clima de crispação e revolta que tem vindo em crescendo desde a entrada em vigor do ECD, o trabalho com os nossos alunos tem decorrido como em anos anteriores, antes de toda esta monumental trapalhada.
Naturalmente que a CA do CP tem estado a fazer as famosas grelhas, que foram ontem apresentadas à comunidade escolar. São pavorosas, imbuídas de espírito persecutório, eivadas de parâmetros subjectivos e, em boa medida, impossíveis de aplicar. Em resumo, a tradução perfeita do espírito e letra do DR 2/2008 e, no estado actual do processo, absolutamente irrelevantes perante a posição assumida pela quase totalidade dos docentes.
Por isso, à boa maneira alentejana, vamos aguardar com calma o desenrolar dos acontecimentos, assumido que está que nestas condições, neste processo de avaliação, não participamos.

Francisco Romana Martins

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