Caro Paulo

É com enorme satisfação e orgulho que informo que os professores do Agrupamento de Escolas Michel GiacomettiQuinta do Conde, Sesimbra, aprovaram hoje, dia 13 de Novembro, em Conselho Pedagógico, uma moção que visa a suspensão da aplicação do novo modelo de avaliação. Obrigado excelentes colegas!

Jorge

MOÇÃO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO

MODELO DE AVALIAÇÃO

Exma Srª Presidente do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas Michel Giacometti

À luz de manifestações similares noutros agrupamentos do país, os professores e

educadores do Agrupamento de Escolas Michel Giacometti, abaixo assinados, declaram o seu mais veemente protesto e desacordo perante o novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008.

Não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional. Consideram que a Avaliação de Desempenho constitui assunto demasiado sério, que deve resultar de uma ampla e séria discussão, não devendo, por isso, estar sustentada em arbitrariedades, desconfiança, vazio de conteúdo, nem em números que apenas servem os propósitos de um governo que esquece alguns dos valores maiores de uma educação humanista e humanizada que se pretende. Advogam um modelo de avaliação resultante de um amplo debate nacional entre professores, seus legítimos representantes e a tutela, consistente, que motive os professores e fomente a qualidade e o prestígio da escola pública. O Modelo de Avaliação regulamentado pelo Decreto Regulamentar nº2/2008 não assegura a justiça, a imparcialidade e o rigor, nem valoriza, de facto, o desempenho dos docentes.

Os critérios que nortearam o Primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular geraram uma divisão artificial e gratuita entre “professores titulares” e “professores” valorizando apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma. À luz deste processo ficaram de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas enormes injustiças. Semeia-se no terreno, para, no nosso quotidiano escolar, se desencadearem situações paradoxais como por exemplo os avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior aos avaliados.

Este modelo de avaliação desvia as funções dos professores para tarefas burocráticas de elaboração e reformulação de documentos legais necessários à sua implementação em detrimento das funções pedagógicas.

Não pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar quando os professores investem a maior parte do seu tempo na elaboração e preenchimento de um conjunto de documentos burocráticos necessários ao proposto modelo de avaliação.

Não é legitimo que:

1. A avaliação de desempenho dos professores e a sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso dos alunos, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos;

2. Se desprezem variáveis inerentes à realidade social, económica, cultural e familiar dos alunos que escapam ao controlo e responsabilidade do professor e que são fortemente condicionadoras do sucesso educativo;

3. Se discriminem os docentes que leccionam turmas com situações problemáticas e com maiores dificuldade de aprendizagem. A imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos configura uma violação grosseira do previsto na legislação em vigor quanto à decisão da avaliação final do aluno, a qual é da competência do Concelho de Turma sob proposta do(s) professor(es) de cada área curricular disciplinar e não disciplinar;

4. Se penalizem os docentes pelo uso de direitos constitucionalmente protegidos como sejam a maternidade/paternidade, doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica, cumprimento de obrigações legais e nojo, nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente.

Os docentes rejeitam, igualmente, um modelo que impõe uma avaliação entre pares, parcial e subjectiva, porque gera de um péssimo ambiente na escola. Esta avaliação é, por demais, injusta e geradora de desigualdades, na medida em que aqueles que vão avaliar (coordenadores e avaliadores) não são avaliados por um inspector, pelo menos, no presente ano lectivo. Por outro lado, a grande maioria não tem formação nem experiência em supervisão que lhe permita a avaliação dos seus pares. A formação que o Ministério da Educação tem vindo, recentemente, a proporcionar aos avaliadores, para além de não abranger uma parte significativa dos mesmos é perfeitamente extemporânea, dado que decorreu, em grande parte, já depois do inicio do novo ano escolar, numa fase em que tudo deveria estar pronto para o arranque do processo avaliativo e em que os professores andam sobrecarregados com actividades inerentes ao lançamento do novo ano lectivo.

O Ministério da Educação exige aos professores uma avaliação que lhes vai consumir o tempo e a alma em reuniões e documentos em prejuízo claro da sua vida profissional, porque, quer queiramos quer não, os principais lesados serão sempre os alunos.

Os avaliadores terão que inventar tempo para pôr de pé uma estrutura avaliativa megalómana que o Ministério da Educação criou e que ele próprio não é capaz de sustentar, como se pode ver pela incapacidade de preparar e colocar no terreno inspectores para a avaliação dos coordenadores.

Este Ministério não pode pôr de pé um sistema avaliativo constituído sobre o desrespeito, a anulação e a exploração dos professores.

Outra questão prende-se com o regime de quotas que impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, gerando nas escolas situações de profunda injustiça e parcialidade, devido aos acertos impostos pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, estipuladas pelo Despacho n.º20131/2008, e que reflectem claramente o objectivo economicista que subjaz a este modelo de avaliação.

Enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que enformam este modelo de avaliação não forem corrigidas, e, ainda que, no presente ano lectivo, o modelo se encontre, apenas, em regime de experimentação, os professores signatários desta moção, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do seu desempenho profissional, solicitam ao Conselho Pedagógico a suspensão de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação por ele preconizada.

Agrupamento de Escolas Michel Giacometti, 30 de Outubro de 2008

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