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No próximo sábado voltarei a Lisboa para participar no encontro de professores promovido pela Apede, MUP e Promova, de acordo com a convocatória feita inicialmente para uma manifestação de professores entre o Marquês de Pombal e a Praça de São Bento.

Vou estar presente porque sei que essa foi uma iniciativa tomada com sinceridade e voluntarismo por parte dos seus promotores, que antes de mais pretendem alargar a frente da contestação ás políticas do Ministério da Educação e congregar muita insatisfação desalinhadas em relação às organizações tradicionais que enquadram as reivindicações dos docentes.

Sei, apesar disso, que depois da esmagadora manifestação de dia 8, esta nova iniciativa não terá o impacto quantitativo e mediático que a outra teve.

No entanto pode trazer consigo vantagens importantes desde que seja conduzida da forma que, para mim, é a correcta, ou seja, funcionar como o embrião de uma mobilização dos docentes de tipo cívico, mais preocupada em reflectir sobre as políticas em curso do que funcionar de modo meramente reactivo. Os movimentos independentes de professores devem, por isso mesmo e pela sua natureza e origem, procurar funcionar como uma massa crítica da classe docente e como despoletador ou catalisador de reacções positivas no movimento sindical tradicional, durante muito tempo acomodado a velhas fórmulas e pouco sensível a novas insatisfações e novas formas de estar na sociedade e na própria profissão.

Essa é a razão certa para que milhares de professores se reunam novamente no sábado.

A má razão para lá estar será fazê-lo apenas numa perspctiva negativa, de anti-tudo, sem nada a propor de novo. Será estar contra tudo e todos e gritar apenas. Aliás, como já defendi em outras ocasiões, o peso do silêncio é bem maior do que a estridência do cliché repetido. Confesso que não deixa de me incomodar um pouco – ok, acusem-me lá de estar a tentar contemporizar, para ver se eu me incomodo – quiem está contra porque estar contra é que é. Quem usa métodos que em nada prestigia a causa defendida, só para exorcizar demónio pessoais ou de grupo. Ressentimentos passados.

No próximo sábado, dia 15, estarei no encontro/manifestação de professores como estive no dia 8. Não para contar espingardas, mas para contribuir para uma mudança da política educativa do país e para ajudar a alterar a forma de lutar contra ela. Não para fazer pior ou mais alto o que outros já fizeram. Para fazer algo diferente, pela positiva. Porque sei que há muita gente, na Grande Lisboa, que assim pensa, e que sente vontade de voltar a sair à rua. Não para dividir, mas para acrescentar. Não para defender orgulhos pessoais e testar capacidades, mas para ajudar a defender a classe docente. Não para gritar ou atirar ovos e dizer coisas impróprias para educadores, mas para servir de exemplo.

Desculpem-me os poucos adeptos do vale tudo, mas não é para isso que voltarei a prescindir da companhia da minha filha mais uma tarde inteira.

A passagem junto ao Largo do Rato é para mim um momento simbólico no trajecto escolhido. Para mim é aí, como seria junto ao ME na 5 de Outubro, o momento certo para fazer 1 ou 3 ou 5 minutos de silêncio e luto. Luto pela nossa Educação. Outro tipo de atitude, eventualmente visceral e sincera mas irreflectida, apenas fará com que eu acabe a espreitar um chá nas clássicas Vicentinas, pois a Buchholz a essa hora já está fechada.