Eis como o excelso SE Lemos resume a situação dos professores que contestam as políticas do ME em declarações ao JN:
Valter Lemos admite que houve, nesta legislatura, uma alteração significativa à organização do trabalho dentro da escola, que obriga a uma maior permanência do docente no estabelecimento de ensino, bem como a introdução do princípio de carreira, por ser a única classe que não o tinha. “São alterações profundas, estruturais”, reconhece, afirmando, por isso, compreender a “perplexidade, intranquilidade e estupefacção”.
Pois, até verdade.
- Perplexos estamos pela forma como esta equipa chegou à 5 de Outubro sem passado digno de referência e, sem qualquer tipo de fundamentação empírica e/ou estudos que o demonstrassem (para além do famoso “estudo” de João Freire sobre o Estatuto da Carreira) mas muita habilidade comunicacional, impôs uma agenda pseudo-reformista eivada de equívocos, soluções erradas e formas encapotadas de promover um falso sucesso educativo. Tudo aconchegado num ataque sem precedentes ao desempenho dos docentes que se traduziu em repetidas declarações atentatórias da dignidade profissional da esmagadora maioria.
- Intranquilos estamos porque sabemos que os efeitos negativos e perversos destas políticas se irão fazer sentir de forma bem grave a médio prazo, quando a tríade ministerial estiver bem resguardada em prateleiras douradas mas os professores que resistirem à debandada e ao cilindro compressor ainda estiverem no activo e forem obrigados a assistir à necessidade de rever tudo o que foi feito de errado.
- Estupefactos estamos por ser possível a um secretário de Estado produzir legislação em forma de despachos sucessivamente desautorizados pelos tribunais sem que sofra qualquer sanção política e, pelo contrário, pareça beneficiar de uma imunidade especial concedida por uma qualquer afinidade com quem tem o poder de mando (repetição de exames, pagamento de aulas de substituição, etc).