Como convém deixar clara a minha posição e as todas declarações feitas, aqui ficam as questões que me foram colocadas pelo jornalista Jorge Pinto do Jornal de Notícias e as minhas respostas. O material foi usado com rigor mas, como é natural por questões de espaço e perspectiva, de forma lacunar.
Questões:
Como lhe disse na nossa curta conversa telefónica, a ideia do trabalho é tentar responder à pergunta “Por que se manifestam tanto os professores?”. Partindo dessa ideia genérica, gostaria que me desse a sua opinião sobre algumas questões:
– Considera, ou não, que há uma vulgarização das manifestações ou protestos por parte dos professores que gera uma descredibilização das suas reivindicações?
– Em que medida os sindicatos têm contribuído para essa vulgarização, no caso de entender que existe?
– A educação, em geral, e os professores, em particular, têm sido utilizados como arma política, quer pelo Governo quer pelos sindicatos?
– Que repercussões têm essas manifestações no sistema de ensino e em que medida afectam, ou não, os alunos?
– Que imagem têm os professores junto da opinião pública?
– O aparecimento de movimentos de professores à margem dos sindicatos e a utilização, por exemplo, de blogues ou de SMS para “fazer passar a mensagem” traduzem uma divisão da classe. Se sim, é resultado de quê?
Respostas completas:
Respondendo por pontos:
Ponto prévio: exercendo a docência, com intermitências, desde 1987, mas de forma contínua desde 1992, só em 2008 participei em manifestações de professores, uma na capital de distrito onde resido e lecciono e a de 8 de Março. Nunca fui sindicalizado, nem pertenço a qualquer dos recentes movimentos de professores. Pelo que as opiniões que expresso são puramente individuais e são as de alguém que está longe de ser um tradicional activista da contestação.
1.
Os protestos e manifestações de professores não podem ser todos enquadrados da mesma forma. É certo que durante algum tempo assistimos ao que eu classificaria como a coreografia ou ritualização da contestação sindical, por ocasião da entrada de um novo governo e ministro(a) em funções ou nos períodos ligados às negociações salariais. Esta situação durou talvez desde final dos anos 80 até ao início desta década.
Mas houve sempre outro tipo de protestos, nem sempre com o mesmo impacto em termos de participação que tiveram efeitos positivos na resolução de outro tipo de situações, mais específicas, que afectaram grupos mais ou menos restritos de docentes ao longo dos tempos.
A frequência deste tipo de acções compreende-se, em grande parte, pelo facto dos docentes constituírem o grupo profissional qualificado mais numeroso a trabalhar para o Estado e pelas condições em que desde há muito grande parte se viu obrigada a trabalhar (precariedade do vínculo laboral de muitos milhares durante vários anos, instabilidade nas colocações, inexistência de apoio em caso de desemprego).
A descredibilização das suas reivindicações nunca poderá ser encarada pelo ponto de vista da frequência dos seus protestos, mas sim da justeza dos mesmos. Se são justas são justificadas.
Ora, se é certo que a tal coreografia da contestação, muito marcada durante os anos 90 e aceite tácita ou mesmo activamente pelos sucessivos governos, poderá ter conduzido a uma saturação por parte de quem está “de fora”, não é menos certo que também cansou muitos docentes que se foram desafeiçoando das tradicionais “formas de luta” e só nestes últimos tempos demonstraram estar de regresso a uma intervenção mais activa nos seus próprios destinos. É o meu caso, por exemplo.2.
Os sindicatos contribuíram para isso na medida em que, incapazes durante muito tempo de uma renovação de mentalidades e metodologias, se deixaram adormecer por essa ritualização negocial baseada em acções de rua seguidas de umas quantas reuniões de gabinete em que as coisas lá se resolviam, com as assinaturas dos acordos a variarem conforme o partido no poder. Mas, mais grave do que isso para a imagem do movimento sindical foi a sua progressiva atomização na década de 90, com a criação de micro-sindicatos de escassa representatividade e cujos objectivos a larguíssima maioria dos docentes nunca entendeu. Uma coisa é recusar uma unicidade sindical, outra criar sindicatos com 500 membros reais numa classe de 140.000 profissionais.3.
A Educação é, neste momento, a arma política por excelência deste Governo. Aliás, tudo o que se tem passado desde o início do actual ano lectivo, com uma evidente promiscuidade de iniciativas do Governo com os interesses do partido no poder, é absolutamente reprovável. O uso das escolas como locais para uma despudorada pré-campanha eleitoral, é algo que choca qualquer observador neutro, quanto mais aqueles que nelas trabalham.
Quanto aos sindicatos, em particular os de docentes, é natural que a sua razão de existir passa pela representação e defesa dos professores como interlocutores do Ministério da Educação e, por isso mesmo, a sua acção assenta na mobilização do descontentamento dos docentes quando ele existe. O problema, contudo, é quando à lógica da representação dos docentes e dos seus interesses se sobrepõem outro tipo de estratégias, as quais passam muito pelas afinidades político-partidárias das suas cúpulas e pelos seus calendários de acção política.4.
As manifestações de docentes não têm especial repercussão no trabalho quotidiano com os alunos, para além do facto desses alunos passarem a saber, também pela comunicação social, que existe a expressão pública de um descontentamento pelas condições de trabalho que os próprios alunos conhecem.
Aliás, se houve evolução positiva nos últimos dois anos de recrudescimento da contestação docente às políticas ministeriais foi o cuidado extremo em não prejudicar o desempenho profissional e não prejudicar os alunos.
Iniciativas como as greves rituais à sexta-feira desapareceram felizmente do horizonte e espero que só voltem mesmo como último recurso não como ferramenta ideológica ao serviço de estratégias externas aos interesses da classe docente ou de uma sua facção.5.
Com base em todos os estudos nacionais e internacionais que têm sido conhecidos nos últimos meses (e foram vários) os docentes são uma das classes profissionais mais apreciadas, estimadas e confiáveis para a população portuguesa, o que revela duas coisas para mim muito importantes: a primeira, que apesar do esforço do ministério para acusar os docentes dos males do sistema educativo, quem de mais perto convive connosco sabe que isso é mentira; a segunda, que existe um enorme desfasamento entre a opinião da população e a opinião publicada e os desafectos pessoais e particulares de um grupo restrito de opinadores residentes na comunicação social.6.
O aparecimento de movimentos de professores e de iniciativas independentes de organizações preexistentes representa uma renovação da mobilização da classe docente que veio pressionar as metodologias anquilosadas e rotinadas de funcionamento dessas organizações, cada vez mais viradas para dentro e numa lógica do “venham ter connosco”. Não é um problema de divisão, mas sim de agregação à contestação de muitos dos desiludidos com a forma como as coisas tinham entrado num remanso ineficaz perante um poder político mais agressivo. No fundo todas estas movimentações, que também têm surgido em outras paragens como em Itália na última semana, visam contestar as políticas educativas em curso, mas também demonstrar ao movimento sindical que se deve mostrar mais dinâmico e aberto às aspirações de toda a classe docente e não apenas aos seus indefectíveis. Que alguns transformem críticas naturais em democracia em ataques anti-sindicais é apenas sinal da posição defensiva em que se colocaram e um erro estratégico enorme.
Outubro 26, 2008 at 11:32 am
Está melhor mas a minha costela sindical continua dorida.
Parece-me que o Paulo preferiria uma utopia em que tudo estivesse absolutamente compartimentado e estanque, os partidos políticos num cantinho, os sindicatos noutro, os juízes na sua prateleira, e umas ONG e Movimentos a fazerem de bibelots.
Infelizmente o mundo real não é parecido com uma sala IKEA de móveis de linhas rectas.
As coisas são como são e com as coisas reais que temos de lidar. Os sindicatos, e vamos lá deixar-nos de rodeios e usar um discurso transparente, portanto reformulo o início da frase e substituo “Os sindicatos” por Mário Nogueira;
Mário Nogueira é comunista? É.
Isso é público? É.
Já houve tentativa de instrumentalizar a FENPROF como arma do PCP? Sim.
Isso é mau? Nem sempre.
A FENPROF só tem dirigentes comunistas? Não.
O maior sindicato da FENPROF é dirigido por comunistas? Não.
É proibido ser comunista? Não.
As outras forças sindicais são dirigidas por “capados políticos” ? Não.
A segunda maior força, a FNE, prestou um melhor serviço que a FENPROF? Nunca, antes pelo contrário.
Era dirigida com orientação política? Sim.
Então o facto de a FENPROF ser dirigida por comunistas foi pernicioso? Algumas vezes foi, globalmente não.
Arrastar para 2009 negociações era útil ao PCP? SIm.
Era útil aos professores? Sim.
Este comentário já está grande demais? Sim.
O autor já se perdeu no que estava a pensar? Sim.
É melhor parar de escrever e tomar o pequeno-almoço? Sim, porra !
🙂
Outubro 26, 2008 at 11:37 am
“Arrastar para 2009 negociações era útil ao PCP? SIm.
Era útil aos professores? Sim.”
Não vejo a utilidade para os professores. Está a referir-se à história dos contratados não serem avaliados e suas consequências? À história de que a ministra iria insistir na avaliação no 3º Período?
Outubro 26, 2008 at 11:41 am
Estou a referir-me a que é ano de eleições, o tradicional ano em que os governos dão tudo e mais alguma coisa. Logo seria mais fácil conseguir um modelo de avaliação justo.
Outubro 26, 2008 at 11:43 am
Atenção que o que digo no meu comentário anterior não é cem por cento fiável.
Aliás eu acho que os professores são o “boi da piranha”. De qualquer forma haveria mais maleabilidade.
Outubro 26, 2008 at 11:47 am
Compreendo a perspectiva mas já sabíamos que se o modelo se implementasse iria ser um ano infernal.
Na altura da manifestação a ministra já estava mais para lá do que para cá. Os sindicatos deram-lhe um “balão de oxigénio” e reanimaram-na.
Tenho dúvidas que nos interesses dos sindicatos não estivessem superiores interesses partidários, relacionados com o timing eleitoral
Assim, sinto-me como “carne para canhão”!
Outubro 26, 2008 at 11:57 am
Pergunto-lhe se é melhor em termos de influência na opinião pública exigir a retirada de um modelo que ainda não começou a funcionar, ou exigir a retirada de algo que se tentou impor mas que mete água por todos os lados?
Lembre-se “Perdi os professores mas ganhei a opinião pública”.
Outubro 26, 2008 at 12:05 pm
A opinião pública, em relação aos professores, por mais que se lhe demonstre a verdade continuam a insistir que os professores não querem ser avaliados.
Sinceramente, já não me importo com o que dizem. “Quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro”!
Quanto ao modelo, há escolas que o já estão a implementar com o calendário para as aulas assistidas a começar já no início do próximo mês. Se há quem o implemente, embora saibamos o monstro que é, está-se a aceitá-lo e a opinião pública não vai compreender porque é que numas escolas se faz e noutras não.
Outubro 26, 2008 at 1:11 pm
“- Que repercussões têm essas manifestações no sistema de ensino e em que medida afectam, ou não, os alunos?”
Algum jornalista pergunta:
– Que repercussões têm, para os alunos, as medidas do ME e de que maneira eles são afectados?
As questões da comunicação social são sempre ao lado do que é o cerne do problema. Porque será? Não interessa! Não há especialistas na matéria!
Outubro 26, 2008 at 1:17 pm
Parabéns mais uma vez pela tua grande entrega a esta causa de uma forma sempre independente. É preciso um grande arcaboiço para sustentares um blogue que é um exemplo para todos nós.
Outubro 26, 2008 at 1:38 pm
Prezado Paulo: Com um abraço de amizade e consideração sempre enaltecida por quem frequenta o seu blogue, parabenizo-o pela excelente entrevista que concedeu ao “Jornal de Notícias”, infelizmente truncada por questões espaciais, mas que com a sua transcição agora nos é dada a feliz oportunidade de ler na íntegra.
Estão na entrevista os traços de uma personalidade forte, coerente e, principalmente, um traçado histórico de um sindicalismo à portuguesa (não fosse o Paulo licenciado em História) que tarda em se encontrar em fronteiras que lhes são próprias sem querer abdicar, sequer, um palmo de terra que seja que lhe não pertence, como sejam, por exemplo, o aparecimento de professorres independentes dos sindicatos ou uma representatividade da classe em termos associativos que, apesar de defeitos lhe possam ser assacados, tem merecido o apadrinhamento de todas as profissões académicas de formação académica superior e de natureza intelectual.
Foi essa a causa que abracei e pela qual me bati, em dezenas de artigos nos jornais e num dos meus livros, simbolicamente intitulado “Do Caos à Ordem dos Professores”. Causa pela qual me continuarei a bater por julgar que estou no caminho certo como prova a mossa que faz em espíritos que vêem num sindicalismo feroz a salvação de uma pátria internacional atida a coisas que podem e devem ser discutidas e postas em causa nos dias de hoje.
Pese embora tudo o mais, aqui é da maior justiça destacar a acção do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados que culminou com a apresentação de uma moção na Assembleia da República que feneceu pelo facto de estar para ser publicada uma legislação que viria retirar às ordens profissionais a capacidade de estabelecerem as condições académicos necessárias à respectiva inscrição. Convém recordar que se viviam horas políticas atribuladas por a Ordem dos Engenheiros (OE) se ter oposto à inscrição de José Sócrates por considerar que a sua licenciatura obtida na Universidade Independente não dava garantias da sua acção profissional poder ser caucionada pela OE. Como viria a ser confirmado, posteriormente, só podemos estar gratos à OE por essa decisão em cuidar que os actos de engenharia prestados à sociedade se revistam de uma sólida preparação académica.
Vai-me compreender, ou desculpar mesmo (talvez resida aqui um certo ressentimento meu ao ser acusado em comentários de um anti-sindicalismo primário) discordar de si quando se refere, no último parágrafo do seu texto, a ataques anti-sindicais como “um erro estratégico”. Informar quem não está por dentro dos meandros sindicais mais me parece um dever de cidadania.
Claro que em clima de guerra latente que se vive hoje entre os professores, os sindicatos e a ministra da Educação, entre professores sindicalizados e não sindicalizados, entre quem é a favor ou contra as manifestações de 8 ou 9 de Novembro, em conjunto ou em separado, haja, por vezes, excessos de que eu próprio me penitencio.
Penitência que encontra atenuantes por ter sido um professor e dirigente sindical que viveu muitos anos de perto e com a intensidade de quem se entrega a uma causa, como soe dizer-se, de alma e coração, e, de repente, se vê confrontado com atitudes de feijão-frade que, infelizmente, saltam à vista de toda a gente quando sindicatos que disseram ou escreveram uns dos outros o que nem Maomé se atreveu a dizer do toucinho, agora, numa posição de sobrevivência em tempos procelosos se agarram à Plataforma Sindical, em declarada atitude subserviente para com o respectivo porta-voz, sem pre ele e o mesmo, como bóia de salvação como se o renegar de princípios estabelecidos nos próprios estatutos que lhe deram o sopro de vida, fosse coisa de louvar e não de criticar. Mas será que a dignidade sindical tem um preço tão baixo?
Outubro 26, 2008 at 1:41 pm
mai uma vez a fazer serviço público. e da melhor qualidade
Obrigada Paulo!
Outubro 26, 2008 at 1:53 pm
Parabéns, Paulo.
Outubro 26, 2008 at 3:34 pm
Resmunguei com a comunicação social e esqueci o mais importante.
Parabéns Paulo e obrigada por tudo!!!
Outubro 26, 2008 at 3:43 pm
Não te esqueças, Paulo
que durante a década de 90 a maioria das manifestações e de outras formas de luta tiveram excatamente a ver com o mesmo problema de agora: o ECD!
ECD esse, que acabámos por conseguir negociar de forma mais satisfatória.
ECD esse, que nunca ficou pronto em definitivo por mero desleixo dos diferentes ME que se seguiram e que não quiseram, nunca, regulamentar os articulados mais importantes do seu conteúdo.
Outubro 26, 2008 at 3:53 pm
Obrigada, Paulo, por continuar a ser a nossa voz. É preciso ser forte. Hoje sinto-me outra. Acho que 2ª vão ter-me “à perna”, de novo… 😆
Outubro 26, 2008 at 3:55 pm
Muito bem,Maria Lisboa.
Outubro 26, 2008 at 3:57 pm
Espero, desde já, que as minhas desculpas sejam aceites. Mas penso que as respostas às perguntas do jornalista deveriam ter sido dadas de forma menos rebuscada e sintética. Não me parece que um leitor médio consiga retirar conclusões que contribuam para uma opinião mais consistente. Se conseguirem lerem todo o texto!
As minhas desculpas foram aceites?
Outubro 26, 2008 at 4:08 pm
Ponto #1,
Em alguma passagem da minha resposta falei na Fenprof?
Não!!!
Quem enfiou o barrete?
Outubro 26, 2008 at 4:11 pm
In temp oral,
As resposta foram longas e rebuscadas de forma propositada.
Torna-se mais difícil retirar as coisas do seu contexto.
Soundbytes estão lá, mas estrategicamente colocados.
Ninguém deve pedir desculpa a ninguém.
Cada um tem a sua opinião.
A minha é mestiça.
Outubro 26, 2008 at 4:12 pm
Rui Batista: no terceiro parágrafo a contar do fim, no seu comentário (10), parece-me que não percebeu o que o Paulo disse no último parágrafo do texto dele…o “erro estratégico enorme” a que o Paulo se refere é cometido pelos próprios sindicatos.
Eu subscrevo completamente o ponto 6, e gostaria de ver este texto publicado, como publicidade paga, num Jornal. Estou disposto a contribuir.
Outubro 26, 2008 at 4:15 pm
obrigado Paulo, lavei a alma,
mostras o que nos faz mover contra a montalha apesar de o poder nos ter escolhido como os SS escolheram os judeus, nós não somos os judeus, pensamos, opninamos,votamos e dizemos sim e/ou não
por isso, por defendermos o futuro deste país não podemos calar o que estão a querer fazer ao ensino aqui e na Europa, que quer regredir a um período feudal.
parabéns, que não de doa a voz nem as teclas
angelica
Outubro 26, 2008 at 4:18 pm
suomi concordo,
as rasteiras estavam bem lançadas, afinal nós gostamos de fazer pensar, e o Paulo ainda mais…..
Paulo diz se é possivel publicar na íntegra,
tens o nosso apoio,
Outubro 26, 2008 at 4:19 pm
OK, Paulo. Se me senti à vontade ao fazer a crítica neste espaço foi também pelo respeito que o trabalho no blogue e noutras intervenções me merecem. Já agora, também por um grande número de opiniões coincidentes. Mas nem todas! 🙂
Outubro 26, 2008 at 4:23 pm
Paulo Guinote Diz:
Outubro 26, 2008 at 4:08 pm
Ponto #1,
Em alguma passagem da minha resposta falei na Fenprof?
Não!!!
Quem enfiou o barrete?
Vá, não vale a pena disfarçar. Quando se fala de sindicatos de professores é de FENPROF que se está a falar. O resto são os yes-man mais uma dúzia de “eu quero um sindicato só para mim” e ainda os “vamos fazer um sindicato para não termos de dar aulas”.
Portanto o barrete deve ser enfiado por quem apoia a FEnPROF e quem o enfia deve pensar nas palavras do Paulo
pois em muita coisa estão correctas.Noutras discordo.
É do debate que se faz luz. Ninguém está totalmente correcto.
Até eu admito que já alguma vez tenha cometido incorrecções. De momento não me lembro de nenhuma mas é capaz de ter haver alguma 🙂
Outubro 26, 2008 at 4:24 pm
Suomi,
Eu estou a pensar escrever um texto – sem ser preciso ninguém pagar – para publicação sobre este tema e o problema das manifestações.
Im temp oral,
Apesar de aparentar mau feitio, percebo quase todas as críticas que me são feitas.
A sua é legítima.
Agora confesso que – por saber que não poderia ser usado tudo o que dissesse – preferi mesmo assim.
Há coisas que se escrevem para o “grande público” e outras que se escrevem para um público seleccionado.
😉
Para que não passemos todos por massa indiferenciada.
Outubro 26, 2008 at 4:34 pm
Será que se esses jornalistas se dessem ao trabalho de pesquisar acerca das fichas/grelhas de avaliação de desempenho que por aí vão,não compreenderiam porque se manifestam os professores???
Haja paciência para tanta incompetência!
Obrigada Paulo, como sempre mostrou o seu grande nível!
Outubro 26, 2008 at 4:41 pm
Muito a propósito deste diferendo “sindicatos tal como existem/anti-sindicatos tal como existem”, extraído de um artigo de João Pereira Coutinho, no expresso:
Segundo Roger Scruton, quando um “conservador” critica um “progressista”, ele parte do pressuposto de que o adversário está errado. O critério é epistemológico, não ético. Mas quando um “progressista” critica um “conservador”, o julganmento é moral; e o adversário um simples inimigo…o pluralismo não entra na cabeça de uma esquerda moralista e intolerante.
Outubro 26, 2008 at 4:46 pm
Suomi, isso são jogos florais para vender papel.
Ora ora…
Outubro 26, 2008 at 4:49 pm
#27 Suomi
Fiquei a saber que por ser de esquerda sou moralista e intolerante.
Outubro 26, 2008 at 5:03 pm
raiva (29) creio que o autor do artigo, e da citação admitem que há excepções. Eu admito que sim. Mas é verdade que descrevem uma situação muito vulgar. Basta ler certos tipos de comentários que aparecem por aqui. E eu pessoalmente não reconheço qualquer tipo de superioridade moral a defensores de regimes políticos que foram responsáveis por milhões de mortos.
Em certas situações considero-me conservador, pela razão que Jorge Luis Borges apontou: é a única ideologia que não embarca em excessos. Mas no caso que nos preocupa, o ensino e este ministério, não sou conservador: quero que este pesadelo acabe o mais rápido possível. (os sindicatos é que agora vieram com uma postura conservadora para justificarem a assinatura do entendimento, que era preciso preservar as escolas, e mais não sei o quê. Acabaram por salvar a ministra)
Outubro 26, 2008 at 5:23 pm
Para além da <bcrença de que a Fenprof é uma organização indispensável para a defesa dos interesses da classe docente, quais são os argumentos essenciais que permitem justificar a assinatura do Acordo-entendimento e a manutenção do crédito nos sindicatos amarrados às agendas político-partidárias?
Nenhuns!
E alguns até chegam a dizer que não leram a Proposta da Fenprof sobre o modelo alternativo de Avaliação, mas que acreditam que esta seja uma boa base de trabalho!
E é com base em crenças deste género, construídas numa relação de dependência, que se quer fazer acreditar que se pensa de forma autónoma sobre o que é melhor para a educação em Portugal e para os docentes!
Ou então, pior do que isso, assumindo a total incapacidade(quando não mesmo insinuando a falta de “legitimidade”), de quem não está subordinado aos caprichos político-sindicais, de poder intervir na coisa pública, enquanto cidadãos críticos e enquanto seres humanos revoltados.
Continuo a ficar espantado, e ao mesmo tempo indignado, com este tipo de salazarismo sem Salazar, com este modo de castração cívica e intelectual que reduz toda a intervenção política, profissional e intelectual às organizações legítimas e legitimadas pelo Estado.
Outubro 26, 2008 at 6:37 pm
Suomi Vivecananda (20): Se tivermos em atenção o cansaço que a minha constante redacção de comentários provoca, essa circunstância desculpa parcialmente a interpretação que fiz das ultimas linhas do texto do Paulo. Obrigado pela sua oportuna chamada de atenção e ao Paulo as minhas desculpas pelo paradoxo cometido de concordar, em absoluto, com essas linhas derradeiras e… lamentavelmente criticá-las.
Quiçá aqui haja em mim ligeiros sintomas da mania perseguição causados pelo constante argumento de que sou um anti-sindicalista incorrigível sem recuperação possível, por mais violenta que possa ser a terapia aplicada, quando no pleno uso de um direito democrático critico, com alguma veemência, confesso, atitudes sindicais como faço no meu comentário (10). E em muitas outras situações.
Deixar passar a nossa discordância em claro e, se preciso for, oferecer a outra face para ser esbofeteado novamente não está ao alcance da minha tolerância. Como, não está, também, pactuar com a traição às bases sindicais, tomando as respectivas e inclitas cúpulas decisões sem ouvir os seus pares para lhes pedir o “ágrement”, ou mesmo simples opinião, para consentirem engolir sapos vivos como se tratasse de questões esotéricas, não ao alcance de serem entendidas por ignorantes, é ementa que me não cai bem no estômago causando-me, até, vomições de verdadeira repulsa, por mais apelativa que seja a cereja em cima do bolo. Enfim, idiossincrasias!
Outubro 26, 2008 at 6:40 pm
Eu percebi o equívoco, Rui.
Sem problemas.
É verdade que a redacção poderia ser menos clara, mas em contexto percebe-se que eu critico aqueles que sentem como crimes de lesa-majestade qualquer crítica que se faça á sua praxis.
Outubro 26, 2008 at 7:00 pm
Paulo ouve isto…
http://bulimunda.wordpress.com/2008/10/26/manifesto-anti-socrates/
Outubro 26, 2008 at 7:10 pm
Alguém sabe se as escolas de Lx vão mesmo parar a avaliação em simultâneo? Já há novidades? Está a correr via sms, mas na CS não há nada.
Outubro 26, 2008 at 7:34 pm
Paulo, só agora li a sua entrevista ( por que está no fim dos posts de hoje e não no princípio? 🙂
Só tenho a dizer que concordo, com todo o meu ser, com tudo o que disse, inclusive com as manifs de “antigamente”, marcadas para 6ªs feiras e a que eu só aderi de vez em quando, qdo me apetecia ir passar um fds fora!
Pela sua lucidez, pla coragem, pela “mobilização” que tem sido este blog, um MUITO OBRIGADA!!
Outubro 26, 2008 at 7:36 pm
Reb Diz:
Outubro 26, 2008 at 7:34 pm
(…)as manifs de “antigamente”, marcadas para 6ªs feiras e a que eu só aderi de vez em quando, qdo me apetecia ir passar um fds fora!
Pois… 😦
Depois indignam-se com as bocas.
Outubro 26, 2008 at 7:44 pm
Era assim, lembram-se?
Do nada, para quem estava a dar aulas e não tinha delegados sindicais nas escolas, aparecia mais uma manif, sempre à 6ª feira, sempre com as mesmas reivindicações salariais.
Confesso, não me motivavam absolutamente nada! Erro meu, claro…mas não só.
Agora, sinto-me de corpo e alma nesta luta!
Despertei, como o Paulo, com a indignação que comecei a sentir de há 3 anos para cá e que teve eco nos 100 000 que invadiram lisboa!
Agora, manifesto-me com as minhas palavras que são as mesmas dos meus colegas de luta!
Têm sentido, são vividas “na carne”!
Outubro 26, 2008 at 7:49 pm
Portanto quem fazia greve era por querer passar o fds fora. Os das manifestações vão por quererem um passeio até Lisboa?
Outubro 26, 2008 at 7:54 pm
Não me interprete mal, por favor.
Falei só de mim, não generalizei.
Penso que tb deixei claro que a situação de mobilização actual dos docentes pouco tem a ver com o que se vivia nos anos 90
Outubro 26, 2008 at 8:12 pm
Ora bem, como o objectivo de quem marca uma greve é que ela tenha a maior adesão possível, há que marcá-las à sexta e à segunda porque além dos reais grevistas haverá sempre mais uns quantos como a Re..
Outubro 26, 2008 at 8:22 pm
Quro lá saber a forma ..o importante são a consumação dos objectivos não é?
Logo, se é a 2ª, 3º..6ª ..seja..mas faça-se..pior do não fazer algo é protelar indefenidamente esse algo..e os portugueses são peritos nisso..48 anos de hesitações e vejam no que deu…já agora o 25 de Abril foi a uma sexta…? epá o que não terá pensado a opinião pública nessa altura…
Outubro 26, 2008 at 8:39 pm
Paulo G.,
Muitos Parabéns, gostei muito.
Gostei em especial da resposta 3. Excelente!
Outubro 26, 2008 at 11:47 pm
Em relação ao ponto 4, o do “não prejudicar o desempenho profissional e não prejudicar os alunos”, O Paulo considera-o um avanço, eu tenho dúvidas se não será um retrocesso.
Na verdade, assistiu-se nos últimos anos a uma forte ataque a direitos dos trabalhadores, sobretudo àqueles que fazem mais mossa a políticos e patrões: manifestações e greves. Habituámo-nos a ver as centrais de comunicação do poder e os sousas tavares da opinião-que-se-publica a atacar a manifestação ou a greve por ser à sexta, ou por ser o fim-de-semana não sei quê, ou por prejudicar não sei quem.
Em outras áreas profissionais, mandaram-nos à fava. Hospitais, transportes e outros serviços fazem greves quando mais lhes convém. Se é a eles que sai da carteira, escolhem o dia que os prejudica menos e incomoda mais. Contudo, aquele discurso pegou entre os professores.
Levámos a sério esta conversa. E agora já não fazemos greve porque prejudicamos os alunos (a hipocrisia de alguns prefere que se diga assim, em vez de se dizer que nos prejudica a nós porque nos descontam no ordenado). E só fazemos manifestações nos dias e horas em que o poder nos diz que podemos fazer. O Paulo fala na manifestação ritualizada. Não poderemos falar também na manifestação domesticada?
Outubro 26, 2008 at 11:54 pm
BB fica sabendo que o 25 de Abril foi a uma quinta-feira.
Outubro 26, 2008 at 11:56 pm
#44 Manifestação domesticada não é bem assim… A anestesia era geral na volta dos 100 mil, que não seriam tantos se no dia seguinte tivessem que dar aulas e entrar às 8horas.
Outubro 27, 2008 at 1:35 am
Adenda a #44 A Duarte
O Paulo, pelos vistos, nunca fez greve. Nem ritual à Sexta nem à Quinta.
Mas adesões à parte, é importante considerar que os professores são a classe profissional que mais longe trabalha da sua residência. Dezenas de milhar de professores trabalham a mais de 100 Km de casa. Única profissão em que isto acontece.
A greve acarreta sempre a perda do salário. Na Sexta,porém, permite que muitos vão a casa; noutro dia, só se ganhassem muito bem se dariam ao luxo de aderir à greve, por terem de trabalhar no outro dia.
Não se trata de um ritual, mas uma forma de conseguir mais adesão, prejudicando o mínimo possível os grvistas..
Outubro 27, 2008 at 1:42 am
#44 Olá Duarte! Um avanço se quisermos ter a opinião pública do nosso lado. O poder da razão é muito mais forte e tem muito mais adeptos. Primeiro conhecer o auditório para saber como se há-de construir o discurso. Esta é a grande lição da retórica. A tutela não discursa para professores mas para um auditório que do discurso destes só conhece a versão sindical. Há outros caminhos… e melhores estratégias.
Outubro 27, 2008 at 1:48 am
«E só fazemos manifestações nos dias e horas em que o poder nos diz que podemos fazer. O Paulo fala na manifestação ritualizada. Não poderemos falar também na manifestação domesticada?»
A ideia de prejudicar alunos por força da greve é mesmo de governante ou aspirante a governante.
Para um doente, não ter médico por um dia é menos prejudicial do que, para um aluno, não ter 4 aulas?
São os patrões (que exigem aos empregados) e os próprios trabalhadores (para não terem problemas no emprego) os que beneficiam com os pruridos dos prejuizos para os alunos.
os patrões garantem a presença do empregado; e os empregados não têm que se preocupar com a guarda dos filhos.
Tudo perfeito para todos, excepto para os diligentes professores, que chegaram ao ponto em que se encontram.
Outubro 27, 2008 at 2:03 am
»#44 Olá Duarte! Um avanço se quisermos ter a opinião pública do nosso lado.»
Eu não acho decisivo ter a opinião (seja o que isto for) pública de nehum lado em particular. A opinião pública nunca fará uma greve nem estará presente em manifestações.
No entanto, sempre direi que os “fazedores de opinião” se chamam assim precisamente porque incutem, influenciam, decidem, muitas vezes. (Emídio Rangel, Pulido Valente, António Vitorino, Marcelo, Sousa Tavares, Gatos…menos, pela subtileza da opinião/critica).
Pacece-me que influenciar a opinião pública é influenciar estes senhores. Algum dos leitores é capaz? Eu não conheço nenhum deles…