Esta foi a resposta recebida pelo colega Carlos Pires do Gabinete de Informação da Fenprof, após escrever-lhes a pedir para não interferirem com a manifestação de 15 de Novembro. Chamo em especial a atenção para a parte destacada.

Colega,

Recebemos o seu apelo para que a FENPROF adira à data de 15 de Novembro para que os professores venham para a rua manifestar a sua indignação e a sua raiva contra uma política que vem, paulatinamente, destruindo a escola pública e abatendo os direitos dos professores e educadores.

Acreditando na sua boa fé e na sua vontade de contribuir, de facto, para criar as melhores condições de participação e mobilização dos docentes contra esta política que sufoca os professores nas escolas, informo que a FENPROF, o seu Secretariado Nacional, decidiu:

— convocar os professores para uma grande acção de rua para o mês de Novembro;
— confrontar a ministra com a situação que se vive nas escolas, encostando-a à parede para avançar com mudanças, caso contrário teria de mais uma vez ver dezenas de milhar de docentes a contestar a sua política;
— numa perspectiva de chamar mais organizações para esta luta, contactar com os outros Sindicatos da Plataforma Sindical para aferir da sua disponibilidade para se envolverem e mobilizarem os professores;
— escolher uma data que permita não só dar uma resposta inequívoca ao governo pela péssima acção governativa que está a exercer, mas também criar condições para a realização de outras iniciativas ainda este período, bem como tentar, com esta acção influenciar o processo negocial de concursos, cujo projecto do governo é tremendamente negativo.

Assim, o Secretariado Nacional da FENPROF considera:

— tardio agendamento de uma acção para 15 de Novembro;
— ofensivo dos sindicatos e do papel que têm representado de oposição às políticas deste e de governos anteriores, por se dirigir (como consta de vários blogs) “contra os Sindicatos e o Ministério da Educação” ou por afirmar “Nem Sindicatos, nem Ministério da Educação” ou, ainda, por os seus promotores acusarem os Sindicatos de “traidores”, escondendo aqueles que são os verdadeiros causadores da situação que vivemos;
— importante marcar uma acção e organizar os melhores meios para quem quiser participar o poder fazer com o menor custo possível, tendo em conta que outras acções teremos de fazer este ano.

Quero ainda transmitir-lhe que, independentemente das calúnias que têm sido dirigidas contra a FENPROF  e os seus dirigentes, a FENPROF não embarcará nunca em iniciativas divisionistas, cuja promoção e origem suscitam as maiores dúvidas. Posso adiantar-lhe que temos dados, de fonte fidedigna, que estamos a considerar, sobre a origem da campanha difamatória estar em pessoas que, apoiando o governo, têm interesse na desagregação desta classe profissional.

Por isso, colega, creia que a FENPROF tudo fará, como sempre fez, para unir, para organizar a luta e para devolver a dignidade que os professores merecem e que a profissão merece.

A decisão que será hoje anunciada terá em conta estas diversas variáveis e terá de ser uma extraordinária acção de força, mas com a certeza de que sendo a primeira iniciativa específica (em 1 de Outubro realizaram-se iniciativas em vários distritos com uma excelente participação de docentes e manifestações de rua), não poderá ser a última e que, por isso, os docentes têm de estar cientes dos momentos complicados que terão pela frente.

Grato pelo seu contacto e pelo seu apelo,

Cordiais Saudações

Luís Lobo
Coordenador do Departamento de Informação