Sindicatos fora de manif

Uma manifestação de professores está a ser marcada através de mensagens electrónicas e de telemóvel para dia 15 de Novembro, em Lisboa. Os sindicatos demarcam-se. “Estas acções desgarradas, sem promotores conhecidos, servem mais os interesses do Ministério”, disse ao CM Mário Nogueira, líder da Fenprof.

Esta notícia contém, em tão pouco espaço, algumas importantes incorrecções. Desde logo o modo de convocação da manifestação. Que eu saiba a manifestação irá ser formalmente convocada e não está a ser divulgada por sms.

Em segundo lugar, será que Mário Nogueira está mandatado por todos os sindicatos para afirmar o que afirma? É uma opinião pessoal? Um estado de alma? Alguma coisa que tenha decorrido de uma decisão tomada pelos órgãos de cúpula da Fenprof? Consultando as bases ou passando-lhes por cima como de costume? Mesmo dentro da Fenprof esta posição é consensual?

Em seguida, quem parece estar a dar jeito ao Ministério são aqueles que, amarrados formalmente ao entendimento, deitaram para Junho/Julho a discussão da avaliação dos docentes, para poderem respirar descansados mais um aninho.

E para não estender mais o meu repúdio por esta atitude do líder da Fenprof para tons menos próprios, acrescentaria que, tendo eu dúvidas sobre a oportunidade da manifestação de 15 de Novembro e não querendo, nunca, participar numa manifestação contra ME e sindicatos, é Mário Nogueira que dá o exemplo de surdez em relação à classe que se gosta de apresentar como principal representante.

Se a estratégia é a de contar espingardas, para tentar mostrar quem manda no campo da representação dos docentes, será apenas umaa porta aberta para uma maior saída de filiados, ficando apenas os “puros”, os que não cedem a agendas alheias, os que preferem lixar tudo a procurar a união.

E depois, ninguém me/nos apareça com conversas de divisionismos.

Se a Fenprof avançar com o boicote a esta iniciativa dos professores, em especial nos termos em que Mário Nogueira se expressou, julgo que perderá qualquer crédito junto da larga maioria dos docentes.