Até já nos jornais económicos, senhoras e senhores, o nevoeiro começa a dissipar-se:

Escolaridade a quanto obrigas

O equinócio outonal marca o regresso às aulas. Mas à escola voltam não somente alunos, professores e auxiliares. Por esta altura, o Governo, a oposição e o Presidente da República já marcaram presença em algumas salas de aulas. Levaram trabalho de casa feito e apresentaram ao País os discursos da praxe. Todos concordam que a educação é a base para o desenvolvimento do País.
(…)
O abandono escolar existe, é elevado e as causas são várias. Os estudantes que abandonam a escola precocemente fazem-no por falta de meios de financiamento da educação, por necessidade imediata de contribuir com um salário para o rendimento familiar, porque lhes falta motivação, porque não gostam de estudar, ou porque antecipam um retorno futuro que não compensa os custos presentes. Cada causa impõe soluções diferentes. A imposição, manutenção, e alargamento das leis da escolaridade obrigatória fazem sentindo se assumirmos que a decisão do abandono escolar precoce não é uma decisão óptima, na medida em que os estudantes não calculam correctamente os benefícios individuais futuros do investimento em educação e não tomam em consideração o impacto positivo que mais educação tem na sociedade em geral. É certo que “obrigar” os indivíduos a permanecerem na escola até ao 12º ano implica criar condições sociais e laborais e promover mais apoio escolar para quem precise.

A ministra sabe (sabia) muito bem das dificuldades inerentes ao alargamento da escolaridade obrigatória, e daí fazer cair por terra uma proposta que fazia parte do programa do Governo. Sinceramente, a lição neste início de aulas não poderia ser melhor. Aprendemos que fazer política passa por “confundir” os cidadãos com promessas inviáveis e dispensáveis (e esse seria o caso se “as famílias e os jovens [tivessem] bem a consciência da importância do secundário”) ou por fazer propostas sem antes conhecer a realidade do País.