Dando continuidade ao longo idílio entre as publicações do grupo Edimpresa e Maria de Lurdes Rodrigues, a semana passada foi a vez do Jornal de Letras se escancarar por completo no seu suplemento de Educação, numa entrevista conduzida por Maria João Martins e a que a Ministra aparece, sorridente, de modo quase simbólico a abrir a porta na foto da 1ª página.

Como no passado, estas entrevistas do JL a MLR são de uma afabilidade a toda a prova – só faltando referência a cházinhoe bolachas, já que o jornal não se presta a fotos de tipo desempoeirado – e em nenhum momento há uma questão que não se adeque à resposta preparada. Digamos que é um tapete vermelho estendido para a Ministra da Educação apresentar com todo o descanso a sua versão dos factos, sem que nunca, por nunca ser, a entrevistadora ouse apontar uma incongruência na argumentação ou uma falha nos factos dados como adquiridos.

As perguntas parecem tão pré-formatadas quanto as respostas.

Não se insinua aqui que a entrevistadora deveria ser hostil e desagradável. Apenas dar a sensação de saber mais sobre o sector da Educação do que quem lê os comunicados de imprensa do ME e os telejornais da RTP.

Embora todos nós saibamos que as coisas são mesmo assim, não se deve deixar de se assinalar a manutenção desta relação amistosa e de, sem ser necessário dar-me ao trabalho de ir lendo tudo e contraditando de fio a pavio, destacar mais adiante, algumas das incoerências mais gritantes nas declarações de MLR.